Ubuntu abandona Unity, desiste do mercado mobile e voltará ao GNOME no desktop

Pode parecer piada, mas a Canonical realmente acreditava que o Ubuntu poderia se consolidar como um sistema operacional mobile num mercado hoje dominado por iOS e Android, cenário esse que a Microsoft não conseguiu mudar e mesmo a Samsung não tem maiores ambições com o Tizen (embora hajam outros motivos). Ainda assim Mark Shuttleworth pretendia fazer sua distro Linux convergir entre mobile e desktop, em um ambiente integrado e para isso investiu no Unity, a interface gráfica odiada por 10 entre cada 10 heavy users.

Agora a Canonical reconheceu que essa é uma batalha perdida, e jogou a toalha.

Através de um comunicado Shuttleworth admitiu que embora tenha muita afeição pelo Unity, que foi introduzida em 2010 e tudo o que a interface ofereceu nesses anos ele reconhece que o mercado e a comunidade decidem o que emplaca e o que é varrido para debaixo do tapete. Embora fornecesse uma experiência Linux extremamente simplificada e amigável, tanto que muitos usuários avessos ao pinguim passaram a utiliza-lo por causa disso a bem da verdade a grande maioria dos usuários do Ubuntu, os intermediários e heavy users (e os tards em geral) detestavam a interface, exatamente por ser espartana demais e não contar com ferramentas decentes.


Will Cooke — u8overview

A insistência da Canonical com o Unity se deu por causa da iniciativa mobile; a interface integraria desktop e smartphones, tablets e outros dispositivos de modo a fornecer um ecossistema sólido e simples para a maioria dos usuários, permitindo que qualquer um utilizasse o sistema como quisesse; com um teclado, mouse e monitor externo seria possível utilizar seu gadget como um desktop, sem a adição de softwares ou hardwares adicionais. Sim, é a mesma proposta do Continuum da Microsoft e que a Samsung está introduzindo no Galaxy S8, visto que outros tentaram sem sucesso oferecer tal solução de forma independente.

O problema é que Shuttleworth chutou alto, nas duas frentes. Primeiro, ele acreditou que o público apoiaria uma campanha de financiamento coletivo de US$ 32 milhões para o desenvolvimento do Ubuntu Edge, seu próprio smartphone; a percepção geral foi que a Canonical, não sendo uma ONG poderia muito bem arcar com as despesas ela mesma, e nisso a empresa mudou o foco e decidiu desenvolver o software e buscar apoio com fabricantes.

Segundo, embora hajam várias sub-distros com diversas interfaces gráficas (o Ubuntu Mate é hoje uma das mais populares), a percepção geral foi de que a Canonical traiu o movimento ao abrir mão do GNOME, o que levou à fuga dos usuários em massa para outras versões do Linux. Hoje o Mint, uma das distros mais simples e customizáveis e que herdou muito da antiga filosofia do Ubuntu (um software que una as pessoas) é a líder isolada enquanto Debian e Manjaro se posicionam geralmente à frente do sistema de Shuttleworth. Para um SO que era citado nominalmente pela concorrência, ter se tornado apenas mais um e sumir da mídia não foi um desdobramento aceitável.

Isso posto a Canonical decidiu por bem interromper o desenvolvimento do Unity 8, que estava em testes desde a versão 16.10 Yakkety Yak e vai voltar a se focar no desktop (além de desenvolvimento na nuvem e Internet das Coisas), adotando definitivamente o GNOME 3.24 Portland a partir da próxima verão LTS, a 18.04.


GNOMEDesktop — Introducing GNOME 3.24 ‘Portland’

Na minha opinião, embora o Unity não tenha sido a melhor interface ele tinha alguns fãs, mas como a maioria o detestava e ele foi a causa para a queda na popularidade do Ubuntu, é compreensível abrir mão dele e voltar ao básico. Quanto ao mobile… convenhamos, se o Windows 10 Mobile hoje dá ponto de audiência não seria uma distro Linux que conseguiria espaço no mercado.

Fonte: Canonical.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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