Internet das Coisas Educativas: empresa vai pagar US$ 10 mil aos usuários do vibrador fofoqueiro

Existem dois tipos de Internet das Coisas: a de verdade, desenvolvida por gente grande como a PTC, a Nest, a EMBRAPA e a SAP que propõem soluções para problemas, e a que chamamos de Internet das Coisas Inúteis; nessa categoria entram a geladeira que tuíta, a bandeja de ovos que avisa quantos ainda restam e uma série de outros dispositivos, que sem muita supresa não são tão seguros assim.

Uma área que tem potencial para se beneficiar enormemente da IoT é a de dispositivos voltados para a diversão íntima como vibradores, Flashlights e outros brinquedos. Há toda uma categoria que estuda isso a sério, a (não riateledildônica: o ramo do conhecimento humano que desenvolve tecnologias para sexo remoto, com gadgets que se comunicam pela internet.

A grande questão é que não basta apenas os brinquedinhos se comunicarem entre si e fazerem a mágica acontecer, é importante que eles sejam extremamente seguros e não saiam tagarelando por aí. Pois foi exatamente isso que não aconteceu com a Standard Innovation, empresa responsável pelo We-Vibe 4 Plus (NSFW, obviamente). Ele é um aparato que precisa ser configurado pelo smartphone e através dele a usuária define preferências como ritmo da vibração, música e controle remoto, o que é interessante para casais adeptos de joguinhos picantes.

O grande problema é que o We-Vibe 4 Plus tinha língua solta. Em agosto último dois hackers revelaram durante a DEFCON Las Vegas que o aparelho enviava dados comprometedores de todos os vibradores conectados para os servidores da empresa, inclusive abrindo um streaming durante o uso. Informações como temperatura corporal, ritmo de vibrações, intensidade escolhida, tempo de uso, etc. Basicamente a Standard sabia quando cada usuária atingia o orgasmo.

Ao ser pressionada a empresa confessou que fazia a coleta de dados (com a desculpa de melhorar o produto), só que os Termos de Serviço não traziam tal informação. Aí não deu outra, as partes lesadas invocaram o…

O caso foi parar numa corte federal do Canadá (a empresa é sediada em Ontario) e agora saiu o resultado, e não foi barato: primeiro, a Standard Innovation foi condenada a morrer em US$ 2,9 milhões e a partir de agora, só poderá coletar dados não-sensíveis dos seus gadgets, não identificáveis e terá que avisar seus consumidores que está fazendo isso.

A empresa terá que pagar US$ 10 mil de indenização a cada uma das usuários que adquiriram um We-Vibe 4 Plus antes do dia 26/09/2016 (quando um patch de correção foi lançado) e que comprovaram terem o utilizado no período; já as demais que compraram um aparelho até a data limite, mas não o usaram receberão US$ 199 cada.

Fica a lição aprendida: o futuro da teledildônica pode ser muito divertido para os usuários desde que as empresas façam o dever de casa, protegendo os dados dos seus usuários e não banquem os xeretas.

Fonte: Gizmodo.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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