Siri talvez não ganhe um corpo, mas deverá chegar a outros dispositivos

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Embora Apple e Google se digladiem ferozmente no mercado de dispositivos móveis, foi a Amazon quem trouxe uma grande mudança na forma como interagimos com nossos gadgets e consequentemente, deu um grande passo para a aplicação real da Internet das Coisas no dia-a-dia das pessoas. Em 2014 ela introduziu a Alexa, sua própria assistente virtual que veio com um grande diferencial: um corpo.

O Echo é uma torre que capta os sons do ambiente o tempo todo, coleta as informações a fim de refinar seu algoritmos e acata os comandos de voz do usuário como qualquer outra assistente, mas a conveniência de estar ligada a um device em específico a torna muito mais eficiente na hora de se conectar com outros aparelhos inteligentes da casa, de smartphones a tablets até lâmpadas inteligentes, aparelhos de som e etc.

O Google percebeu isso e fez o mesmo, aprimorando sua Assistant e criando o Google Home, que se conecta organicamente com todos os dispositivos de Mountain View presentes na casa, entende contexto e executa uma série de ações de maneira bem orgânica. Ele entende por exemplo que quando o usuário diz “toque minha playlist de indie rock” ele deve buscar na rede o Chromecast mais próximo conectado a uma saída de áudio, abrir o Spotify e reproduzir sua lista de músicas.  Note, em nenhum momento foram ditas das palavras “Spotify” e “Chromecast”.

Alexa e Google Assistant foram projetadas para serem administradoras da vida de seus usuários, e a Apple também vê a Siri da mesma forma. No entanto a maçã não pretende abordar tal mercado da mesma maneira. Ao invés de permitir que sua assistente converse e interaja com uma grande quantidade de dispositivos disponíveis hoje ela prefere fomentar a adoção do HomeKit, sua própria API para dispositivos da Internet das Coisas.

O motivo é bem simples: a Apple não quer que a Siri interaja com qualquer coisa e sob esse ponto de vista, ela não tem a intenção de construir um corpo para a sua assistente. Ela permanecerá restrita aos iGadgets e por conta do HomeKit, o cenário mais provável é que ela vê a Apple TV como o hub central para o controle das funções domésticas. Assim, como os Apple AirPods também possuem um microfone o usuário não teria que andar com seu iPhone ou iPad a tiracolo pela casa, bastando utilizar os fones sem fio para dar as ordens à Siri e através da API, ela estará presente em cada um destes dispositivos e ouvirá o que você tem a dizer.

Embora a solução seja elegante ao seu modo, não contar com um corpo físico limita a conversação com a Siri principalmente em situações que necessitam de feedback de áudio. Isso obrigaria o usuário a estar sempre com seu iGadget à mão para ouvir o retorno da assistente, algo que dependo das circunstâncias não acontece com o Echo ou o Google Home (você pode inclusive ter mais de um alto-falante de Mountain View ou da Amazon em sua casa, apenas o mais próximo se ativará com seu comando de voz).

O mais provável é que a Apple TV se torne de fato o corpo da Siri a fim de controlar sua futura “iCasa”, mas ainda é cedo para dizer. Vai depender de como o HomeKit for implementado pelos parceiros de Cupertino e quanto realmente a empresa está disposta a permitir que sua assistente interaja com outros dispositivos.

Enquanto isso, a Microsoft também pretende levar a Cortana a robôs e dispositivos da Internet das Coisas através do Windows 10 IoT a partir deste ano.

Fonte: Time.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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