Nosso brilho interior

O post abaixo foi escrito para nossa nova categoria Ciência pelo Carlos Hotta.

Um estudo que foi publicado recentemente, e que ainda rola por aí, revelou que o corpo humano emite uma fraca luz que varia ao longo do dia. A luz é particularmente forte no rosto, na região da boca e bochechas e tem seu máximo de emissão ao redor das 4 h da tarde. No entanto, estas emissões de luz ainda são muito mais fracas que as bioluminescências apresentadas por vagalumes e organismos marinhos.

O achado, apesar de ser curiosíssimo, não tem muita relevância científica: a luz é um subproduto de reações que envolvem radicais livres, algo bem conhecido. O que é digno de nota foram os métodos e a tecnologia por trás do achado.

Para se medir nosso brilho interior, mais de mil vezes mais fraco do que nossos olhos conseguem detectar, foi necessário usar uma câmera CCD com resolução de 2048 x 2048 pixels resfriada a -120 ºC que permite a contagem de fótons. A baixa temperatura diminui o ruído gerado pelo equipamento eletrônico, permitindo a detecção do sinal. A câmera ainda contava com um conjunto de lentes especiais para maximizar a coleta de fótons. Estas câmeras são usadas rotineiramente para se detectar luzes extremamente fracas emitidas por organismos modificados geneticamente.

Além de todo este equipamento, a câmera precisava coletar fótons por 20 minutos a fim de formar uma imagem de qualidade! Sem contar que os voluntários nãp poderiam usar cosméticos no dia das medições e deveriam limpar-se com água morna antes de sentarem, nus, na frente da câmera. Os voluntários faziam este procedimento a cada três horas, das 10 h da manhã até às 10 h da noite (preciso mencionar, neste ponto, que a pesquisa foi feita no Japão?).

Antes destes avanços técnicos, os voluntários tinham que ficar expostos às câmeras por mais de uma horas, o que inviabilizava todas as medições. Agora que eles precisam de apenas 20 min para fazer as medidas, fenômenos como ritmos diurnos no nosso brilho podem ser percebidos.

O próximo passo é descobrir se mulheres e outras etnias também possuem o mesmo fenômeno e com a mesma intensidade. Logo teremos manchetes falando que homens japoneses são mais brilhantes que os outros.

Fonte: Kobayashi, M., Kikuchi, D., & Okamura, H. (2009). Imaging of Ultraweak Spontaneous Photon Emission from Human Body Displaying Diurnal Rhythm PLoS ONE, 4 (7) DOI: 10.1371/journal.pone.0006256


Autor: Nick Ellis

Nick Ellis é autor do Meio Bit, Digital Drops e Blog de Brinquedo.

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