Pode a Alexa ser arrolada como testemunha de um crime?

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Acredite ou não, até que demorou um bocado para algo do tipo acontecer: autoridades do estado do Arkansas, nos Estados Unidos solicitaram que a Amazon forneça os dados coletados por um Echo em específico por acreditar que a Alexa, sua assistente virtual estava ativa e coletando informações no momento em que um crime supostamente aconteceu, e que eles podem ser úteis na solução do caso.

A questão é novamente, até onde tal ação da justiça é válida?

O caso aconteceu em 2015. Victor Collins, um ex-policial foi encontrado morto dentro de uma banheira na residência de um amigo de trabalho, chamado James Andrew Bate. Este alega que a morte foi acidental e se deu enquanto Collins o estava visitando. Ele teria ido dormir e deixou o amigo no banho, e ao acordar no dia seguinte, às 9:30 da manhã deu de cara com o cadáver submerso. Entretanto, investigações posteriores da polícia desmentiram essa versão e concluíram que Collins morreu após uma briga, sendo estrangulado e afogado na banheira.

Bates foi então autuado por homicídio, mas uma série de dúvidas pairam no ar. Embora Bates negue, não só o corpo de Collins possuía vários ferimentos como uma apuração detalhada mostrou que a residência consumiu mais de 500 litros de água naquela noite, um gasto muito estranho para uma residência simples. E foi durante as buscas na casa que os policiais se depararam com um utensílio bem conveniente: um Amazon Echo, que até onde se sabe estava ativo na noite em questão.

Tendo sido lançado em 2014, o Echo funciona da mesma forma que o Google Home: quando ligado ele está ouvindo os sons do ambiente o tempo todo, coletando dados e salvando em seus bancos de dados para refinar seus resultados, enquanto aguarda pelos comandos de voz de seu dono. A Alexa, a assistente virtual (similar à Siri e Cortana) é quem realiza a interação com o usuário.


Introducing Amazon Echo

É aí que as autoridades correram para bater na porta do Jeff Bezos. Como ele eventualmente gravou os áudios da noite do crime a Amazon foi solicitada a fornecer tais informações à justiça, de modo que ela possa verificar o que de fato aconteceu. Ainda que seja bastante improvável que uma transcrição esteja armazenada em seus servidores, algum rastro pode ter ficado protegido no próprio aparelho. O problema é este caso ser um repeteco do que aconteceu com o iPhone dos terroristas de San Bernardino, em que a Apple se recusou a fornecer qualquer dado e o aparelho acabou sendo desbloqueado por terceiros.

Caso a Amazon decida cooperar com as investigações, preocupações serão levantadas sobre quais dados a empresa coleta e comercializa utilizando o Echo. Em caso negativo pouca coisa muda, embora alguns aleguem que se sentiriam mais seguros com a polícia ou agências tendo acesso a dados em algumas situações, diferente do que o FBI propõe.

De qualquer forma, tanto a polícia quanto a Amazon se recusaram a comentar o assunto.

Fonte: Ars Technica.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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