Adolescente do Quênia desenvolve app Tinder-like para doação de órgãos

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Pode parecer bizarro o que vou dizer, mas lá vai: o Quênia não possui um programa oficial de doação de órgãos. Simplesmente não existe. Se você ficar doente e precisar de um órgão novo só terá duas alternativas: ou encontra alguém compatível em sua família ou apela para o mercado negro.

Lá é normal a publicação de anúncios de venda de rins em jornais. Se bem que estamos falando de um país onde a prática da mutilação genital de mulheres ainda ocorre, mas divago.

Caroline Wambui é uma adolescente de 17 anos. Em 2014 viu a dura realidade do sistema de saúde queniano: ela perdeu um tio pelo simples fato de que ninguém em sua família possuía a compatibilidade necessária para fornecer um rim, e ele não é o único que perece desnecessariamente no Quênia, seja seja ineficiência do sistema ou pelos métodos ao quais os cidadãos são obrigados a recorrer.

Uma pessoa comum se resignaria ao destino e lamentaria a realidade, só que Caroline não é uma garota comum. Ela não aceitou o destino de seu tio e de muitos outros de seu país e se o governo não faz nada, ela decidiu ao menos ajudar com o que ela podia. Curiosamente, enquanto não se investe muito em saúde o desenvolvimento local de TI e comunicações está avançando, com apoio governamental inclusive. Diversas escolas estão estimulando seus alunos distribuindo laptops, de modo a aumentar o interesses deles por STEM. Mais ou menos como a África do Sul.

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A profa. Damaris Mututi e Caroline Wambui, desenvolvedora do app.

Caroline Wambui foi uma dessas alunas beneficiadas com o programa, e ainda que inicialmente tivesse parcos conhecimentos sobre programação e desenvolvimento ela criou uma solução para amenizar o problema da falta de um programa de doação de órgãos: o app Life Pocket.

Seu funcionamento é simples: ele é um software que compila e cataloga informações sobre doadores, paciente, médicos e hospitais em todo o país. Dessa forma ele faz o que o governo deveria fazer, que é manter um banco de dados completo para viabilizar um sistema funcional de doação de órgãos, facilitando e muito o trabalho dos médicos e consequentemente, salvando vidas. O Life Pocket se encarrega de ligar doadores e pacientes compatíveis, sem a necessidade do doente buscar outros métodos para se manter vivo.

O app vem sendo testado desde agosto de forma limitada, e o lançamento nacional estava programado para outubro. Caroline acredita que o Life Pocket tem o potencial de não só ser uma poderosa ferramenta para salvar vidas como também acabar com o tabu dos transplantes, que ainda são mal vistos no Quênia.

O mérito de ter emcaminhado Wambui é de sua professora Damaris Mututi, docente da Embakasi Girls Secondary School. Para ela, ensinar sobre tecnologia é essencial:

A tecnologia é importante nas vidas dos jovens africanos, e um continente em desenvolvimento precisa de oportunidades para geração de emprego (…). Isso só é possível se as escolas integrarem em seu currículo o ensino de tecnologia e comunicações, e ao mesmo tempo estimularem os jovens a desenvolverem suas ideias para produtos tecnológicos de consumo. Isso criarám mais oportunidades de emprego para os jovens em toda a África”.

 

E não duvido que Caroline e as jovens da África do Sul sejam apenas as primeiras de uma nova leva de cientistas e desenvolvedores de software e hardware. Um continente que já nos deu William Kamkwamba, o jovem que domou o vento é capaz de muito mais. Afinal, a meta não ser o continente líder em sandália de pneu.

Fonte: The Next Web.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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