Google quer padronizar recarga rápida no USB-C para evitar explosões como no Note7

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Usando cabo USB-C da Apple para carregar um Android puro-sangue (crédito: Instagram)

Uma das maiores vantagens do padrão USB Type-C é o fornecimento de uma corrente maior ao dispositivo. Embora a maioria dos cabos disponíveis no mercado forneça até 3 ampères, a especificação USB Power Delivery permite até 5 A. Como a especificação prevê faixas de tensão de 5 a 20 V, o conector USB-C pode fornecer até 100 W ao dispositivo a ele conectado.

A intenção da especificação USB Power Delivery (USB-PD) é fazer com que um cabo USB-C possa servir para carregar a maioria dos gadgets, evitando adaptadores de baixa qualidade ou fora do padrão que possam afetar o aparelho. Problema: há um belo concorrente à USB-PD, o Quick Charge da Qualcomm.

O Quick Charge é uma especificação proprietária para recarga rápida de smartphones e outros gadgets com processadores da Qualcomm, mas que também usa cabos e conectores USB-C. Infelizmente o Quick Charge usa algumas combinações de tensão e corrente distintas da USB-PD, alimentando smartphones com combinações normalmente vistas em laptops.

Se por um lado a recarga consegue ser mais rápida, por outro corre-se o risco de um novo caso como o do Galaxy Note7. Embora equipado com USB-C, o Note7 não utilizava o Quick Charge e, aparentemente, o problema teria sido no isolamento da bateria mas convenhamos que fornecer mais energia pode aumentar o risco de outro aparelho também virar sinônimo de celular explosivo.

Pensando no risco de segurança (e na concorrência), o Google determinou, na nova versão do Compatibility Definition Document para o Android 7.0 Nougat, que as fabricantes de aparelhos não deverão utilizar padrões proprietários que utilizem recarga rápida através de cabos e conectores USB-C. Basicamente uma forte recomendação para que utilizem a especificação padrão USB-PD em vez do Quick Charge.

Mountain View alerta que as próximas versões do Android vão exigir adequação total à especificação USB Power Delivery prevendo somente interoperabilidade com os carregadores que sigam o padrão. Se bem que é irônico perceber que a atual preocupação do Google veio logo depois de carregadores oficiais do Nexus 5X e Nexus 6P serem considerados perigosos para os demais aparelhos. E a empresa não está tão preocupada em fornecer soluções de carregamento sem fio tão cedo.

Detalhe que estamos a falar apenas do fornecimento de energia. Utilizar USB 3.1 (ou Thunderbolt 3) em vez do USB 2.0 nos smartphones Android com USB-C talvez demore: um bom cabo USB-C para USB-C compatível com USB 3.1 (22 condutores) custa no mínimo o dobro de um USB-C para USB-C com USB 2.0 (12 condutores). E ambos ainda estão caros, então as fabricantes parecem não estar com pressa de implementar conectores USB-C nos aparelhos com interface de dados topo de linha. Um USB 2.0 ainda serve. Ainda bem que o tio Laguna só comprou o caro cabo Apple de 2 m para recarregar o Nexus 5X mesmo.

Fontes: Ars Technica e Engadget.

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Autor: Emanuel Laguna

O “tio Laguna” nasceu no Siará em meio à Fortaleza de 1984. Sempre gostou de brincar de médico com os aparelhos eletrônicos e entender como um hardware dedicado a jogos funciona, mas pretende formar-se como Engenheiro Eletricista qualquer dia. Antes apaixonado pelos processadores gráficos desktop, vê nos smartphones, tablets e outras geringonças mobile o futuro da computação.

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