Sites pr0n bloqueiam usuários da Califórnia em protesto contra a “Lei da Camisinha”

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É fato que a indústria pr0n fatura horrores, é uma das mais lucrativas e fica pau a pau com Hollywood, mas a verdade nua e crua é que o setor levou uma carcada sem vaselina da internet. A rede, que deveria facilitar o acesso a material educativo foi tão eficiente nesse aspecto que hoje em dia só velhos pagar para se divertir na frente de uma tela. O restante apela para sites de streaming como Pornhub e Xvideos, ou para a Locadora do Paulo Coelho.

Como o dinheiro encurtou muitas atrizes, atores e produtores partiram para a produção independente, criando sites particulares, mantendo pequenos estúdios e organizando sistemas de booking que agenciam modelos entre as produtoras. Antigamente uma Tracy Lords (ok, péssimo exemplo) assinaria contratos de exclusividade; hoje em dia a indústria do entretenimento adulto não pode mais se dar a esse luxo, embora hajam exceções.

O fato é que hoje o mercado pr0n é mantido por estúdios médios para pequenos, com exceção de algumas grandes produtoras das antigas que sobreviveram virando portais, como a Private (e vários que pegaram carona e montaram seus negócios do nada no mesmo formato, como a Brazzers ou a Naughty America). Não há tanto dinheiro fluindo, os profissionais precisam conter gastos desnecessários para manter tudo funcionando. É aí que a proposta IMBECIL do estado da Califórnia entra para fornicar com todo mundo.

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A Proposta 60, que será votada em plebiscito no dia 08 de novembro impõe regras rígidas e entumecidas para a indústria pr0n que majoritariamente se instalou no estado: além de obrigar os atores a usarem camisinha nas filmagens (a ridícula exigência de luvas e óculos caiu), exige que as produtoras arquem com as despesas médicas dos atores tais como testes de HIV e outros exames laboratoriais. Além disso, as mesmas serão obrigadas a informar em suas produções que todos os atores usaram preservativos.

A questão é que um filme bareback é muito mais interessante para os espectadores do que um encapado, e exigir que todo mundo se adeque representará uma atochada sem dó numa indústria que já anda cambaleando há tempos. A solução sugerida foi de remover as camisinhas na pós-produção, o que encareceria os filmes além do limite do razoável. Os estúdios basicamente pagariam para produzir e distribuir seus filmes.

Calma que piora: a proposta, caso se torne lei permite que qualquer cidadão da Califórnia processe estúdios, produtoras e artistas (sim, eles também) que acreditam não estarem de acordo com a lei, o que em tese acaba com a vida privada dos mesmos que passarão a ser atacados pela onda moralista, bem como os estúdios pequenos com uma chuva de processinhos nas cabeças; tradicionalmente eles são o elo mais fraco e os que têm menos chances de se defenderem legalmente. Em última análise, a Proposta 60 pode significar o fechamento de vários estúdios e a inviabilização do mercado como um todo, ao menos na Califórnia. E mudar não é tão fácil, até então as leis do estado são bem liberais em comparação a outros.

Calma que piora mais ainda: em uma pesquisa recente 55% do eleitorado se manifestou a favor da proposta, 32% contra e 13% estavam indecisos.

Entre os pró-lei estão diversas organizações de saúde e do combate à AIDS, que acreditam estarem fazendo um favor. O que não percebem é que hoje a indústria é tão cuidadosa e exige tantos exames e com frequência quinzenal ou mensal que por muito tempo fazer sexo com uma pornstar era mais seguro do que com qualquer outro parceiro aleatório, com ou sem preservativo. Esse movimento ganhou força porque como sempre, um pessoal desleixou e andou se contaminando.

Os contra a lei são sem surpresa toda a indústria pr0n e curiosamente, os partidos Democrata e Republicano. A explicação é simples, a proposta vai causar uma redução absurda de recolhimento de impostos e desemprego em larga escala.

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Como a campanha contra a aprovação da proposta não está dando muito certo, os estúdios resolveram dar um cutucão nos consumidores retirando sua fonte de diversão. Sites populares como Evil Angel, Vivid e Kink bloquearam IPs da Califórnia por 24 horas, a fim de dar uma ideia do que eles terão caso essa ideia de gerico seja aprovada: nada. Há a probabilidade de que para evitar canseira dos consumidores locais, se a Proposta 60 virar lei é possível que os IPs da Califórnia sejam banidos dos sites de vez, bem como deixarão de vender seus filmes em mídia física no estado. Afinal, se não podem assistir não podem reclamar do que fazem ou deixam de fazer.

O mais provável de acontecer é que quando a Suprema Corte tiver que lidar por um caso desses, a atochada será tão monumental que os carolas da Califórnia ficarão sem rumo. E se depender dos estúdios, sem conteúdo onanístico também.

Fonte: Vocativ.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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