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Empresa monitorava ativistas com dados do Facebook, Twitter e Instagram

Companhia de análise de dados repassava informações de usuários de redes sociais para a força policial nos EUA, de modo a monitorar ativistas em protestos.

3 anos atrás

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O Twitter e o Facebook precisam ficar de olho em quais empresas acessam seus dados. Uma recente denúncia da American Civil Liberties Union (ACLU), entidade que defende os direitos e liberdades dos cidadãos norte-americanos revelou que a Geofeedia, uma companhia de análise de dados ajudava a polícia a monitorar ativistas em protestos.

A Geofeedia é uma companhia que afirma oferecer serviços de análise a instituições educacionais e empresas principalmente para ações de marketing e (é aí que o caldo desanda) serviços de segurança pública. De acordo com o site oficial, sua ferramenta permite "prever, analisar e responder em tempo real a conteúdos nas redes sociais, segundo sua localização em qualquer parte do mundo". Não é muito diferente de muitas outras empresas de análise que possuem acesso ao às APIs do Twitter (o Firehose) e do Facebook.

A Geofeedia, por exemplo acessa dados tanto das duas redes sociais e do Instagram como também do Google e Yahoo!, entre outras. Uma vez preenchendo os requisitos e cumprindo com as exigências, conseguir acesso é simples.

geofeedia

O problema começa daí por diante, em o que as companhias fazem com esses dados. No caso da Geofeedia, a ACLU conseguiu documentos indicando que a empresa fornecia os dados coletados às forças policiais nos Estados Unidos, principalmente para monitoramento de determinados ativistas durante manifestações. Para piorar a situação, a empresa de análise conta vantagem em um dos documentos de "ter coberto com grande sucesso o caso Ferguson/Mike Brown em escala nacional". Para quem não lembra o caso aconteceu em 2014; Brown, um estudante negro de 18 anos foi alvejado e morto por um policial branco e os desdobramentos foram controversos e intensos desde então.

A Geofeedia afirmava ser não apenas a única que detinha acesso à base de dados do Instagram, como a única em operação capaz de coletar e interpretar os dados informados e triangular a localização exata dos usuários das redes sociais. Prato cheio para autoridades ficarem de olho em quem anda postando o quê e onde estão.


Geofeedia: Location-based social media monitoring | Introduction Video

Diante da polêmica, tanto o Twitter quanto o Facebook trataram de fechar a porta na cara da Geofeedia e revogar o acesso da empresa às suas bases de dados. A ACLU ainda cobrou ambas de modo que se comprometam a ficarem de olho em como tais companhias utilizam essas informações e como e com quem as comercializam, de modo que as redes sociais não sejam ferramentas de vigilantismo.

Sendo sincero, não acredito que Twitter e Facebook (principalmente o último) não soubessem o que a Geofeedia estava fazendo. Da mesma forma, o Google (que fornece dados do YouTube) e o Yahoo! (Flickr) sequer se manifestaram a respeito. Uma vez que estejam sendo pagas e a bomba não estoure como aconteceu nessse caso, duvido muito que as redes sociais realmente estejam preocupadas com como essas informações serão utilizadas.

Privacidade é uma ilusão, e de qualquer forma nós mesmos fornecemos informações suficientes sobre nossas vidas o tempo todo. O que o Geofeedia e outras empresas fazem é apenas juntar tudo num guarda-chuva comum, porque tempo é dinheiro e as grandes companhias e agências de segurança não vão ficar no Google Search o dia inteiro.

Fonte: ACLU.

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