A Casa Caiu pros Piratas

Até então tratados como um grupo de celebridades rebelando-se contra o sistema, os integrantes do Pirate Bay enfrentaram a dura realidade: Em um post no Blog Oficial comunicaram que o site está sendo vendido.

O comprador é a Global Gaming Factory X AB, que pretende introduzir um novo modelo de negócios onde os detentores do copyright do conteúdo baixado serão devidamente remunerados. Nas palavras de Hans Pandeya, CEO da Global Gaming:

”Vi vill införa nya affärsmodeller som innebär att innehållsleverantörer och  rättighetsinnehavare får betalt för innehåll som fildelas via sajten”

Um absurdo isso. Vejam os detalhes financeiros:

Köpeskillingen uppgår till totalt motsvarande 60 MSEK,  bestående av minst 30 MSEK i kontanter och upp till motsvarande 30 MSEK i form av nyemitterade aktier i GGF (enligt värdering i samband med förvärvets fullföljande).

Isso  mesmo que você leu: 60 milhões de Coroas Suecas (imagine uma Suzana Vieira mais photoshopada), sendo 30 em grana, em 30 em ações. O valor total dá R$15,2 milhões.

A decisão gerou uma avalanche de protestos. O post já tem mais de 700 comentários, muita gente pedindo descadastro, a ponto de prepararem uma interface especial só para isso. Os mano traíram o movimento, e feio.

O sonho pelo visto acabou, o Pirate Bay com certeza se tornará o próximo Napster, caindo na vala comum da irrelevância. Isso só prova o que qualquer bom terrorista sabe: Só dá para ser underground vivendo fora dos holofotes. O Pirate Bay morreu única e somente por ser o foco das atenções.

Lembram quando a Adobe ameaçou a Microsoft de processo, caso o Office fosse capaz de gerar PDFs nativamente? Não moveram uma palha contra o OpenOffice, que possúi o mesmo recurso.

O mundo dos downloads questionáveis continuará. Há milhares e milhares de trackers pouco conhecidos pela grande mídia, os emules continuam, as listas de discussão continuam e o tracker bit torrent que conheço, especializado em vídeos educativos só lançados no Japão vai bem, obrigado.

Descanse em Paz, Pirate Bay. Mande lembranças ao Napster, ao Blip.FM e ao Suprnova.

Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e para seu blog pessoal, o Contraditorium,

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