Review — Moto Z

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O Moto Z é o smartphone modular da Lenovo. Com corpo ultra fino e especificações de ponta, ele recebe acessórios na forma dos “Moto Snaps”, que se encaixam à traseira do aparelho para trazer novas funcionalidades.

A Lenovo parece bem empenhada em tornar o conceito de smartphone modular bem sucedido, e aqui no Brasil aposta alto ao incluir dois módulos junto com o aparelho. Mas será o bastante para colocar o Moto Z na dianteira em relação aos outros smartphones topo de linha?


Hardware

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O Moto Z é a primeira grande novidade da Motorola depois da compra pela Lenovo, e o design mostra bem isso: se os novos Motos G já seguem uma linha mais reta, o Moto Z tem pouco em comum com o design dos antigos aparelhos da linha Moto.

Apesar da tela de 5,5″ as dimensões do Moto Z são bem próximas do Moto X Style, que tinha uma  tela de 5,7”. A grande diferença entre os dois aparelhos está na espessura: o Moto Z tem apenas 5,2 mm; metade do seu “antecessor”.

Eu esperava que um telefone tão fino fosse até desconfortável de segurar mas achei o Moto Z bastante agradável na mão — a leveza do aparelho (136 g) também ajuda.

Esteticamente, a única desvantagem de tanta finura é o enorme calombo da câmera: o telefone fica bastante instável quando apoiado na mesa, por exemplo.

Antes fosse essa a única limitação de um aparelho tão fino: com menos espaço físico, a bateria ficou limitada a meros 2.600 mAh e o conector P2 para fones de ouvido desapareceu.

Geralmente não vejo sentido em smartphones muito finos, mas como a ideia do Moto Z é receber módulos que adicionarão volume à ele, faz sentido que o aparelho em si seja o mais fino possível. O calombo da câmera até ajuda a alinhar os módulos ao telefone.

Para tentar contornar os problemas trazidos pela espessura, a Lenovo vende o Moto Z com dois módulos: um de bateria, com 2.220 mAh, e uma capa traseira (couro no modelo preto, madeira no modelo branco) que esconde o calombo da câmera.

A caixa do aparelho ainda inclui uma bumper de plástico para proteger as laterais do telefone — sem impedir a conexão dos módulos — e um adaptador de USB-C para entrada P2.

Como o fone de ouvido incluso com o Moto Z tem conexão P2, o adaptador é obrigatório se você não usar Bluetooth.

Isso se torna mais incômodo considerando que o adaptador é um tanto comprido e algumas vezes fica balançando fora do bolso. Se ao menos o adaptador fosse pequeno como um adaptador USB-C pra micro-USB

O Moto Z tem uma tela com painel AMOLED e resolução Quad HD. Se as telas AMOLED usadas antigamente pela Motorola ficavam devendo na fidelidade de cores, a do Moto Z é bem equilibrada.

Assim como o Moto X Style, é possível escolher o modo de cor da tela entre “Padrão”, que exibe cores mais realistas e curiosamente não é o padrão de fábrica, e “Intensidade”, com cores mais saturadas.

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Logo abaixo da tela vem o leitor de digitais, que assim como no Moto G4 Plus, parece um botão mas não é. O reconhecimento da digital é bem rápido e o aparelho não precisa estar ligado para reconhecer a digital.

Depois de destravado, um apertão com qualquer dedo no sensor de digitais desliga a tela e trava o smartphone, o que é bem útil mas pode confundir quem esperava que ele atuasse como um botão Home.

Não é um grande demérito ao aparelho, mas acho uma pena a Lenovo estampar na face do aparelho o nome da Motorola.

Não só ela era a única fabricante Android que mantinha a frente de seus aparelhos limpa, como a borda inferior do Moto Z é um tanto maior que a do Moto G4 Plus, que também conta com leitor de digitais.

A bateria de 2.600 mAh tem autonomia fraca. No meu uso médio — cerca de 1 h de redes sociais, 4 h de Spotify na rede celular e fone Bluetooth, alguns apps de geolocalização como Swarm e Citymapper — o telefone chegou aos 10% de bateria depois de 9 horas.

Com o módulo de bateria, que adiciona 2.220 mAh ao aparelho, o mesmo cenário chegou em 10% depois de cerca de 16 horas.

Software

Seguindo a tradição da linha Moto, o Android do Moto Z tem poucas modificações e é bem próximo do Android puro.

O Moto Z vem com Android 6.0.1 Marshmallow e a Lenovo promete atualização para o Android Nougat ainda esse ano, mas não existe uma previsão mais específica.

Apesar de poucas mudanças na interface, creio que as mudanças “por baixo dos panos” no sistema do aparelho sejam significantes e a atualização para uma versão nova pode demandar mais tempo.

Pior ainda é que a Lenovo não se comprometeu a entregar as atualizações mensais de segurança do Android, que são bem mais simples e não interferem nas customizações da fabricante.

Especialmente no caso de um aparelho topo de linha, é um posicionamento bem infeliz.

Câmera

O Moto Z tem uma câmera traseira com sensor de 13 megapixels e abertura de ƒ/1,8; estabilização óptica de imagem e auto-foco laser, enquanto a câmera frontal tem 5 megapixels e abertura ƒ/2,2.

A câmera traseira faz ótimas fotos com boa iluminação, mas nem sempre tive bons resultados em ambientes mal iluminados.

Em casos como tirar foto de neons durante a noite, o telefone ativava o modo HDR ao mesmo tempo em que aumentava o tempo de exposição, o que tornava a captura das imagens muito mais demorada e sujeita à borrões.

Também aconteceu de ter apertado o obturador e, achando que a foto já estava salva, abaixar o telefone. E só então ele disparava o flash e salvava uma foto toda em branco na galeria.

São problemas que podem ser solucionados com um update de software ou mesmo com o uso do modo profissional, que permite vários ajustes manuais. Mas é bastante incômodo quando você quer capturar uma imagem rapidamente.

Moto Snaps

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Os Moto Snaps são módulos que se conectam ao telefone por meio de quatro imãs e um conector na traseira.

Junto com o Moto Z, testei os quatro Snaps que estão à venda no mercado brasileiro: o projetor InstaShare, o alto-falante JBL SoundBoost, a bateria OFFGrid PowerPack e a capa Style Shell.

Conectar os módulos é muito simples: é só encostar o módulo na traseira do telefone que ele é reconhecido e passa a funcionar imediatamente. Na primeira vez que um módulo é conectado, um tutorial sobre o uso dele é mostrado na tela.

Tudo é bem integrado ao aparelho. Carregar o Moto Z carrega automaticamente o Snap que estiver conectado nele, e o nível de bateria e algumas configurações aparece nas preferências do sistema automaticamente.

O MotoSnap de bateria é o mais útil deles, até pra complementar a insuficiente bateria do aparelho, mas praticamente dobra a espessura do telefone.

Até acho o preço cobrado por ela separadamente (R$ 399) bastante razoável se comparado com as capas com bateria de fabricantes como a Mophie, e a solução é muito mais elegante que uma capa volumosa ou uma bateria externa com um cabo pendurado.

A integração com o aparelho é tanta que não só aparecem duas baterias na barra de status do Android, como até mesmo a tela de carga quando o aparelho está desligado mostra o nível da bateria externa.

O Snap de projetor é o que mais chama atenção, especialmente de quem não acompanha muito tecnologia. Ao contrários dos outros módulos, ele precisa ser ativado manualmente depois de ser conectado ao Moto Z, o que faz algum sentido.

O módulo tem um botão para controlar o foco e uma base para apoiar o telefone e direcionar a projeção. Apesar de ter controles manuais em software, o módulo já ajusta a geometria da tela automaticamente — é bem raro precisar de um ajuste mais fino.

A imagem projetada sempre será um espelho da tela do Moto Z, mas por padrão as suas notificações não são exibidas na projeção.

O projetor tem bateria própria e a autonomia estimada é de 1 hora de projeção até comerar a drenar a bateria do Moto Z para funcionar.

Não é muito fácil projetar em ambientes mais claros — é difícil usá-lo numa sala de reuniões bem iluminada, por exemplo — e a resolução do projetor está limitada em 480p.

Em muitos casos, a tela do telefone é bem mais interessante do que uma enorme tela com baixa definição

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O funcionamento do Snap de alto-falante é bem simples. Se já estiver tocando algo no telefone, é só encaixar o módulo que ele passa a reproduzir o som instantaneamente.

Assim como o módulo de projetor, ele tem bateria própria para evitar drenar a do telefone e uma porta USB-C para ser recarregado separadamente do Moto Z.

Já a capa Style Shell é um Snap “burro”, apenas para complementar o design do aparelho e nivelar o calombo da câmera.

É uma forma prática de mudar o visual do telefone, sem ficar preso em uma opção para sempre como no MotoMaker. Mas confesso que preferia usar o telefone sem ela, justamente pela espessura reduzida do Moto Z. Quem não se importar com isso, deve acabar usando o módulo de bateria em tempo integral.

Eu acho a ideia de poder expandir o telefone muito boa, mas a verdade é que o único módulo realmente útil é o de bateria, por contornar uma limitação do telefone.

É interessante toda a integração dele com o sistema, mas não é algo que faça o Moto Z mais interessante que os outros aparelhos.

Os outros módulos são interessantes, mas o problema é justamente que eles transformam seu telefone em algo diferente, e não é possível continuar usando o aparelho normalmente.

Por exemplo: se você usar o módulo de alto-falante para tocar música numa festa e quiser tirar uma foto, ou vai ter que lidar com um telefone muito mais grosso que o normal e tirar fotos com uma caixa de som gritando, ou vai ter que tirar o módulo e interromper o som.

Com o projetor o problema é ainda pior, já que qualquer movimento no telefone vai prejudicar a apresentação. Isso torna até ruim para apresentar slides, porque um toque mais forte no telefone pode balançar um pouco a tela.

Talvez o Snap de câmera da Hasselblad seja mais interessante, porque não precisar ficar anexo ao telefone o tempo todo. Quando quiser tirar uma foto com zoom, é só pegar o módulo e encaixar no Moto Z. Acabou, tira e usa o telefone normalmente.

Vale a pena?

Sem considerar os módulos, o Moto Z é um bom telefone com uma bateria deficiente. Considerando que o kit básico já tem o módulo de bateria, é possível ignorar esse problema. Mas essa é uma solução pouco elegante, para chegar na mesma autonomia de bateria dos aparelhos rivais.

Os módulos são interessantes, mas ainda não existe nenhum uso que os justifique. O mais útil é apenas para contornar um problema do telefone, que nem existiria sem o foco na modularidade.

Ainda mais considerando os preços sugeridos: não vejo muito sentido em pagar R$ 3.199 num telefone e mais R$ 1.499 por um projetor que não é tão útil.

O kit com o projetor sai por R$ 3.999 e fica um pouco mais interessante, mas ainda assim é uma diferença considerável — mas talvez com as promoções no varejo, esses kits fiquem num preço mais atrativo.

Dentre os Android high-end à venda no Brasil, o Moto Z ainda é o único sem grandes modificações no sistema. Mas a decisão da Lenovo de não seguir os updates mensais do segurança deve afugentar um pouco esse público.

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