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Stan Lee vai ganhar filme biográfico ao estilo 007 (hein?!)

Fox vai produzir uma cinebiografia ficcional para contar a história de Stan Lee, em uma aventura ao estilo de “um 007 da Era Roger Moore”.

3 anos atrás

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Parece que o bom velhinho dos quadrinhos vai voltar aos cinemas, desta vez como o centro das atenções: a Fox assegurou os direitos para uma cinebiografia que contará a história de Stan Lee, co-criador dos principais personagens da Marvel Comics e atualmente o nome mais icônico das HQs. Mas há alguns detalhes acerca do filme que levantaram uma série de questionamentos.

Vamos por partes: Marty Bowen e Wyck Godfrey, a dupla de produtores responsáveis pelas franquias Crepúsculo e Maze Runner, bem como a futura versão cinematográfica dos Power Rangers ficarão a cargo do filme que se passará nos anos 1970, mas não seguirá os passos de toda a carreira de Stan Lee de um modo convencional. Ao invés disso as fontes dizem que a película seguirá por um caminho mais próximo ao que se viu em Kingsman: Serviço Secreto ou mais precisamente, nas palavras de alguém próximo à produção: “um 007 da era Roger Moore”.

Isso posto, a biografia de Lee que veremos nos cinema daqui alguns anos não seria um drama e sim um filme de ação e aventura, mais provavelmente puxado para a comédia e não duvido nada ter sido de certa forma intencional, já que não raras foram as vezes em que “The Man” acabou retratado, seja nos quadrinhos ou em outras mídias como um super-herói, mesmo estando hoje com 93 anos.

O mais estranho nessa história é que a vida de Lee por si só daria um filme e tanto: nascido de uma família judia humilde e tendo vivido no Bronx durante sua juventude (com o irmão Larry Lieber, que também trabalhou na Marvel com artista e roteirista e foi cúmplice de Stan em várias criações), ele foi contratado aos 17 anos como assistente de estúdio da Timely Comics (editora que depois mudaria o nome para Atlas e por fim, Marvel) e testemunhou o nascimento de vários personagens da Era de Ouro como o Tocha Humana original (o androide), Namor, o Príncipe Submarino e principalmente (por questões de WWII batendo na porta), o Capitão América.

O mais estranho no entanto é a Marvel Studios não ter adquirido os direitos ela própria, mas creio eu que há um motivo muito bom para isso:

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Se Stan Lee é o Cara, Jack Kirby é o Rei (ambos epítetos criados por Lee, mas enfim…). Aquele considerado o maior quadrinista da história foi por décadas a verdadeira força criativa por trás da Marvel, desde os primórdios da Timely Comics (Lee foi assistente dele e de Joe Simon quando ambos criaram o Capitão, e só depois ele começou a escrever as histórias). Foi ele quem deu forma aos conceitos que Stan criou, desenvolveu os visuais e a identidade dos mais icônicos personagens da editora. Como Lee também acumulava a função de editor, muitas vezes ele só dava uma guia do que queria e Kirby criava tudo, mas como artista contratado ele não era creditado.

O chamado "método Marvel" de criação de histórias não foi invenção de Lee, mas de Kirby. Ele ensinava os novos artistas a rotina da Casa das Ideias e como eles deveriam proceder. Seu traço dinâmico inspirou gerações de artistas, dentre os quais vale citar John Romita Sr., John Romita Jr., John Buscema, Sal Buscema, Gil Kane, Keith Giffen, Mike Allred, Mike Wieringo (que o caracterizou como Deus, ou "Aquele Acima de Todos" ao final da saga Quarteto Fantástico: Ações Autoritárias) e fora dos quadrinhos, um tal de James Cameron.

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Da esq. para a dir.: Jack Kirby, Stan Lee, Jim Steranko (sua fase em Nick Fury: Agente da Shield é elogiada até hoje), Will Eisner (pai do Spirit) e Jerry Siegel (co-criador do Superman), em uma das raras imagens em que Kirby e Lee aparecem juntos

O grande problema é que Lee, na pessoa de manda-chuva da Marvel ficou com todo o crédito pelas criações por anos, o que gerou rusgas entre ele e os artistas. Steve Ditko, co-criador com ele e Kirby do Homem-Aranha deixou a editora em 1965 por motivos semelhantes. Com Kirby não foi diferente, ele foi para a DC e acabou criando todo o conceito do Quarto Mundo, com personagens como Darkseid e Órion; também desenhou o Superman por anos a contribuiu com personagens em outras linhas editoriais como Etrigan, o Demônio, OMAC: One-Man Army Corps e Kamandi, o Último Garoto da Terra. Só depois ele voltaria e criaria os Eternos, uma versão menos inspirada dos Novos Deuses (e há quem diga que Thanos, de Jim Starling é uma cópia descarada do senhor de Apokolips).

A ação perpetrada pelos filhos de Kirby (que faleceu em 1994) contra a Marvel durou décadas, e somente em 2014 as partes entraram em um acordo atribuindo a co-autoria dos personagens ao artista e a Stan Lee. Uma história 100% fiel talvez não interesse à Marvel e nem ao velhinho, mas uma aventura ficcional pode ser mais interessante, sem falar que isso pode favorecer a Fox que não teria em tese que adquirir os direitos dos personagens que não tem em mãos.

Portanto fiquem ligados, True Believers: com o tempo virão mais novidades visto que não há nem menção de diretor ou elenco (Brian Cranston seria uma boa escolha para o papel principal). Até lá ficaremos no aguardo. Excelsior!

Fonte: The Hollywood Reporter.

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