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Modelo de negócios da Apple Music está tirando o sono do Spotify

Maior receita revertida pelo Apple Music prejudica o Spotify: desde 2015 empresa não mantém contratos de longo prazo com as três principais gravadoras.

3 anos atrás

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O Spotify tem mais um motivo para odiar a Apple: a recepção do concorrente Music, que se faz presente tanto no iOS quanto no Android e seu modelo de negócios que não oferece acesso gratuito está rendendo mais dinheiro às gravadoras, e logo a empresa sueca está passando por um sufoco: ser obrigada a renegociar contratos com as três principais gravadoras todo mês.

Ao contrário do que andam dizendo por aí o Spotify não periga perder seu catálogo, visto que Warner Music, Universal Music e Sony Music possuem ações do serviço de streaming e obviamente não desejam vê-lo naufragar. Por outro lado é fato que as coisas não andam bem para os suecos e a Apple, embora ainda não possua um market share muito grande com o seu Music (mas ele está crescendo) seria a principal fonte de dores de cabeça. O motivo é simples, a maçã rende uma receita de 58% em streaming para as gravadoras enquanto o Spotify, "apenas" 55%.

Há outros fatores envolvidos. O Spotify possui uma modalidade gratuita, com veiculação de ads que não agrada os donos dos direitos autorais em geral, visto que eles tentam há um bom tempo forçar o fim do plano. A Apple Music, por sua só trabalha com usuários pagantes, seguindo os passos de seu antecessor Beats Music. Há uma oferta de teste gratuito por três meses mas depois disso acabou, só pagando. O Play Music do Google também trabalha assim.

Concorrentes diretos do Spotify como o Deezer e o Pandora não atraem tanta atenção (sem falar que o Rdio MÓR-REU!), portanto a briga pelo mercado do streaming de música fica mesmo entre os suecos e Cupertino. Só que como o Spotify não tem agradado as gravadoras preferem não manter um contrato de licenciamento se seus portfólios de longo prazo. O da Universal se encerrou há mais de um ano, o da Warner venceu no início de 2016 e o da Sony expirou alguns meses atrás.

Com isso, o Spotify é obrigado a sentar e negociar os contratos com as três gravadoras todos os meses. O principal motivo, além da Apple render mais grana é que a empresa de Tim Cook possui reservas maiores que o PIB de muitos países. Por outro lado o Spotify NUNCA deu lucro: em 2015 ele fechou com déficit de US$ 200 milhões. E olha que a receita saltou para mais de US$ 2 bi.

Tal movimento por parte das gravadoras é claramente uma estratégia para pressionar o Spotify a dançar conforme a música, exterminar o plano gratuito e forçar todos os usuários a abrirem a carteira. Caso o serviço ceda ele ficará equiparado ao Apple Music e pode até ser que venha a dar lucro, porém é fato que a maçã tem mais segurança e dinheiro para queimar. Quem perde é o usuário, que deixaria de contar com um serviço gratuito decente mesmo que não conte com uma série de funcionalidades interessantes, como a reprodução offline.

E como bem sabemos, o destino final destes não será a página de assinatura do plano premium e sim a Locadora do Paulo Coelho. Pior para as gravadoras, pior para o Spotify e a Apple não tá nem aí, continua contando a grana.

Fonte: Music Business Worldwide.

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