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Aumenta a possibilidade ínfima de estrutura alienígena ser uma Esfera Dyson

Uma estrela resolveu se comportar de forma esquisita, num nível de deixar até a Miley Cyrus para trás. Uma das hipóteses para explicar o que está sendo observado envolve uma imensa estrutura alienígena. É imensamente improvável, mas não dá pra ser descartado ainda.

3 anos e meio atrás

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Cientistas, assim como todo mundo que coleciona o catálogo da Victoria's Secret adoram modelos. Só que ao contrário das da VS, modelos dos cientistas não são perfeitos e de vez em quando a chata realidade aparece e não se encaixa onde deveria.

Quando é um modelo novo e ambicioso em geral significa que ele está errado. Quando é um modelo robusto e testado, em geral a culpa é da realidade que está errada. Um exemplo: as sondas Pioneer apresentam discrepâncias em suas órbitas que não condizem com o modelo de funcionamento da gravidade. Só que TUDO que fazemos com esse modelo funciona.

Depois de décadas descobriu-se que a anomalia era causada pelo gerador nuclear da sonda, que produz calor, na forma de raios infravermelhos. Esse calor, vazando pela lateral da sonda funcionava como propulsão. Muito fraca, um pentelhonésimo de micronada de grama, mas constante durante anos acaba acumulando ΔV.

Aplicado o modelo de decaimento radioativo, perdas por causa da blindagem e outros fatores, a aceleração projetada se encaixa perfeitamente na observada. O modelo gravitacional estava correto afinal.

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Agora outro modelo está deixando muito cientista sem sono. A culpa é de uma estrela, KIC 8462852 ou Tabby, como está sendo chamada em homenagem a Tabetha Boyajian, a astrônoma que descobriu o fenômeno.

Estrelas apresentam variações de brilho, é normal. Pulsares podem piscar centenas de vezes por segundo, binárias que roubam matéria da atmosfera de uma estrela menor acabam pulsando, quando exoplanetas passam na frente de uma estrela o brilho diminui e assim detectamos a existência desses planetas, mas todos esses fenômenos são cíclicos, constantes, regulares. Tabby não.

Usando dados da sonda Kepler a Dra Boyajian descobriu que essa desgrameira dessa estrela está sofrendo variações de brilho imensas, ele chegou a cair 22%. Pior: são completamente aleatórias. Vejam como a intensidade do brilho varia, em um período de mais de 1.500 dias:

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Analisando os dados em detalhe descobriram que o brilho da estrela além de variar está diminuindo. Em 3 anos caiu 1% aí em menos de 200 dias caiu outros 2%. Não há NADA que justifique isso. Nada natural.

Não pode ser um exoplaneta, para causar uma queda de 22% no brilho da estrela ele teria que ser tão grande que teria se tornado uma segunda estrela no sistema. Uma nuvem de fragmentos não seria tão densa ou irregular.

Há uma explicação, claro, muito provavelmente é um tipo de fenômeno natural desconhecido, mas no momento está todo mundo coçando a cabeça. A hipótese menos provável, a mais absurda mas ainda assim dentro do campo da possibilidade acabou ganhando mais uns infinitesimais pontos: talvez seja uma Esfera Dyson.

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O conceito, embora popularizado em 1960 pelo físico Freeman Dyson, não é dele, surgiu em uma história de ficção científica de 1937, e é algo quase grande demais até de ser concebido. A palavra-chave é energia.

Toda civilização precisa de energia para crescer, e Jeová matou no dilúvio uma quantidade limitada de dinossauros para transformar em petróleo, mesmo hidrogênio é um recurso eventualmente limitado. A grande fonte de energia é a solar. Para desespero dos ecochatos até a picanha que você come É fruto de energia solar, você está comendo um fóton que saiu do núcleo do Sol, levou um milhão de anos até a superfície, 8 minutos até a Terra, energizou uma molécula de clorofila em uma folha de grama e acabou no estômago de seu almoço.

A superfície da Terra recebe do Sol 1,37 kW por metro quadrado. Computadas todas as perdas a energia do Sol que chega na Terra equivale a 89.300 TW. Em uma hora a Terra recebe do Sol mais energia do que todos os países do mundo gastam. Durante um ano.

Só que a superfície da Terra é ínfima comparada ao espaço. Em cada órbita a Terra percorre 940 milhões de quilômetros. Com um diâmetro de 12.742 km, caberiam 73.771 Terras lado a lado. Isso significa que apenas em nossa órbita captamos 1/73771 da energia disponível.

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Os anéis em Halo tinham 16.000 km de diâmetro. Um anel ocupando a órbita da Terra teria 300 milhões de quilômetros, e ainda assim captaria uma fração ínfima da energia total emitida pelo Sol, algo na casa de 3,846 × 1026 watts. Para captar essa energia toda seria preciso não um anel, mas uma… esfera.

Em essência isso seria uma Esfera Dyson: uma estrutura construída em torno de uma estrela, na distância equivalente a uma órbita na região habitável, absorvendo 100% da energia do Sol central e emitindo apenas calor, na forma de radiação infravermelha, resultado da perda natural.

Isso garantiria energia mais que suficiente para qualquer civilização, mas é uma obra de engenharia além de qualquer coisa que conseguimos imaginar. Só em material uma esfera com alguns cm de espessura exigiria mais matéria do que há no Sistema Solar. As instabilidades gravitacionais fariam com que a esfera eventualmente caísse em direção á estrela, então ela precisaria de propulsão para se manter no lugar. Como se move algo do tamanho de uma órbita planetária?

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Há um outro problema. Com uma Esfera Dyson você garante que 100% dos asteróides e cometas IRÃO atingir a estrutura. E temos o detalhe da gravidade. Como a massa estará distribuída por toda a esfera, em qualquer ponto da superfície a aceleração gravitacional será virtualmente zero. Uma solução é fazer a estrutura girar, simulando gravidade através de força centrífuga. Isso tornaria somente o equador da esfera habitável, mas será um espaço razoável.

O problema, de novo, é como girar uma estrutura do tamanho da órbita da Terra.

Os desafios para construir uma Esfera Dyson são assustadores, é algo que é tão avançado e grandioso que nem em ficção científica é muito usado. É… grandioso demais.

Mesmo assim uma estrutura em construção em órbita de Tabby explicaria perfeitamente a variação aleatória de luminosidade, mas todos os astrônomos sérios estão com uns 5 pés atrás, e com razão. Carl Sagan dizia que afirmações extraordinárias exigem provas extraordinárias e algo tão extraordinário como uma Esfera Dyson é muito mais improvável do que um fenômeno natural desconhecido.

Mais e mais observações serão feitas, e caso o fenômeno não tenha sido desvendado até o final de 2018 provavelmente o telescópio epacial James Webb terá como uma de suas primeiras missões observar KIC 8462852.

Eu espero sinceramente que não achem uma Esfera Dyson. Adoraria ter a confirmação da existência de vida extra-terrestre, mas não assim. Uma civilização dessas estaria em relação a Humanidade como nós estamos em relação às amebas. Reconhecer uma espécie tão avançada seria humilhante para nós, mas pensando bem seria bem pior para as amebas, que já devem ter um puta complexo de inferioridade.

Fonte: Slate.

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