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China proíbe portais de notícias locais de publicarem... notícias

Governo da China proíbe portais como Sina e Tencent de publicarem artigos originais e aumenta o controle exercido sobre os meios de comunicação

3 anos atrás

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Não é de hoje que a China vem aumentando a pressão contra os meios de comunicação do país, mas a última medida tomada pelo politburo de Pequim deixou bem claro que não estão para brincadeira: o órgão regulador expediu uma ordem exigindo que todos os portais de notícias online parem de publicar artigos originais e independentes, num esforço para permitir apenas a divulgação de informações sancionadas.

A medida do governo chinês parece saída dos anos 1950, mas é real. A desculpa oficial é que portais como Sohu, NetEase e grandes companhias como a Sina Corp. (dona do Weibo, uma rede social análoga ao Twitter) e a Tencent Holdings Ltd. vinham publicando notícias "reunidas e editadas pelos próprios" que geraram "um impacto muito negativo". Resumindo a pendenga, notícias não sancionadas pelo Partido Comunista da China e com cunho políticos e sociais, o tipo de coisa que ditadorzinhos de republiquetas baratas detestam.

Só que a China é um país esquisito. Embora socialista no papel ele atua e ganha dinheiro como uma das maiores nações capitalistas do mundo. Entretanto, como é preciso manter o mínimo de ordem a seguir às regras do partido as coisas vêm mudando para a pior nos últimos tempos. O atual premiê Xi Jinping é claramente anti-ocidente, tomou diversas medidas que vêm prejudicando empresas estrangeiras instadas no país, mesmo grande parceiras como a Apple. Já o Google preferiu abaixar a cabeça a arriscar continuar fora de um dos maiores mercados do mundo, e aceitou voltar à China com seus serviços devidamente capados.

As medidas do governo contra os portais de notícias são severas. Além de terem que desativar os sites as companhias serão todas multadas por infração às regras do que pode e não pode ser noticiado: oficialmente apenas notícias sobre esporte e entretenimento podem ser veiculadas livremente. Informações de cunho mais sensíveis, principalmente com motivos políticos são ilegais. Mesmo com as restrições essas companhias e portais mantinham uma espécie de conluio, em que desafiavam o PCC diretamente publicando tudo o que dessem na telha. Bom, agora veio a conta.

A China não busca apenas vigiar os canais de mídia, ela estuda também ficar de olho nos cidadãos. Um projeto recente prevê a instalação de uma nova "rede de vigilância" baseada em Big Data, reconhecimento facial e outras tecnologias já usadas por outros departamentos de segurança ao redor do mundo para monitorar indivíduos em específico, caso o sistema preveja um "comportamento suspeito" a fim de prender qualquer um antes mesmo de cometer um crime.

Tudo indica que as sanções à liberdade de imprensa na China continuarão a todo vapor, já que Xi Jinping clamou em janeiro último que a imprensa deve exprimir "a vontade do Partido". Logo não será surpresa nenhuma se em breve ninguém dentro do território chinês for capaz de consumir uma única notícia realmente relevante que seja, o que é muito ruim.

Fonte: Bloomberg.

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