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Marinha dos EUA pode morrer em US$ 600 milhões por pirataria de software

Quem diria, Marinha dos Estados Unidos é acusada por empresa de software de instalar programa em mais de 500 mil computadores sem possuir as licenças.

2 anos atrás

pirates

Sabe o ditado “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”? O governo dos Estados Unidos, mais precisamente suas Forças Armadas são o exemplo mais sensacional dessa máxima: a Marinha está sendo processada por uma empresa de software alemã por uso indevido de um de seus softwares, que exige compensação de mais de meio bilhão de dólares.

E o melhor de tudo? Não é a primeira vez que isso acontece.

Tudo começou em 2011; a Bitmanagement Software GmbH, uma empresa especializada em softwares de visualização de dados geográficos fechou um contrato com a Marinha para o fornecimento de uma de suas ferramentas, o BS Contact Geo. Este programa pode ser utilizado para a criação de mapas 3D bastante precisos de estruturas reais, o que é bastante importante para planejamento urbano e no caso de uso militar, é bem conveniente para o desenvolvimento de simuladores de voo e similares.

O contrato previa à época a instalação do software em 38 terminais em caráter de testes, a fim de permitir que os oficiais da Marinha o avaliassem e posteriormente o integrassem a seus sistemas. Passado o período ambas as partes começaram a discutir a ampliação do programa, só que segundo o processo (cuidado, PDF) os representantes da Marinha solicitaram à Bitmanagement o desligamento das restrições via DRM a fim de avalia-lo em modo full em equipamentos “relevantes” da organização. Como o negócio parecia promissor (quem não desejaria tal cliente?), a empresa cedeu.

Aí começaram os problemas. Ao desativar o DRM a Bitmanagement perdeu o controle total do software, pois não podiam mais contabilizar em quantas máquinas ele estaria rodando. A Marinha obviamente fez a festa, já que um e-mail enviado à empresa de software em julho de 2013 relatou que o BS Contact Geo fora instalado em nada menos que 558.466 computadores. À época cada licença custava US$1.067,76; e os militares só pagaram por 38 delas.

Dado o descaramento da Marinha, a Bitmanagement invocou o…

processinho

A empresa de software alemã exige uma compensação equivalente à instalação ilegal do BS Contact Geo em cada uma das estações em que não deveria estar rodando, o que fecha a fatura em suculentos (não para a Marinha) US$ 596.308.103,00. Como a justiça norte-americana não tolera pirataria por andar de mãos dadas com a DMCA, é bem provável que os piratas acabarão perdendo a briga e sendo obrigados a pagar. E digo isso porque o Exército já perdeu uma briga em 2013 pelo mesmo motivo.

Nesse caso a Apptricity entrou com um processo e ganhou por conta dos militares terem instalado seu software de logística em 98 servidores e milhares de estações sem pagar as licenças, exatamente a mesma coisa que a Marinha fez com a Bitmanagement. Ao que tudo indica as Forças Armadas dos EUA têm o péssimo costume de acreditar que softwares de terceiros não precisam ser pagos e podem ser explorados à vontade.

A diferença entre os casos foi a dimensão e o tamanho da bolada: a Apptricity levou US$ 50 milhões e ainda teve que engolir a continuação da parceria, já que o Exército não teria como se desvencilhar do parceiro, se tornou dependente de seus serviços. A Marinha pode acabar no mesmo barco (hehe), tendo que morrer em alguns milhões e manter a Bitmanagement como fornecedora de softwares essenciais.

O mais irônico nessa história é que Kim Dotcom, considerado o maior inimigo dos EUA no que diz respeito à infração de copyrights causou estragos bem menores que o Exército e a Marinha. Claro que por serem órgãos do governo ambos não seriam tão perseguidos como o gordinho, mas é importante tais casos virem à tona e culminarem em vitória para os lesados, para mostrar que ninguém é santo. Mesmo aqueles que deveriam combater a pirataria em primeiro lugar.

Fonte: The Register.

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