VHS, o fim de uma era

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Videocassete da Panasonic: só ouvi falar (crédito: The Daily Star)

Se há uma tecnologia da infância de que me lembro bem é o videocassete: desde 1990 a minha família tinha em casa ao menos um VCR. Era da Sharp, tinha duas cabeças e era lento, mas funcionava. Para quê?

Bom, a ideia do VCR sempre foi a de podermos assistir aos filmes e programas da TV no horário que desejássemos. Aquela era uma época sem internet, então dependíamos da horrível televisão aberta para nos prover a maior parte do entretenimento audiovisual. Ou então a alternativa do tio Laguna em casa era jogar Atari e Master System, no meu caso.

Não sei se é porque eu lia os manuais dos aparelhos antes de usá-los, ou se todo mundo lá em casa usava o videocassete, mas nunca entendi a dificuldade que muita gente sentia ao programar a gravação do videocassete. Vinha uma visita com uma fita de vídeo para reproduzi-la e, ao colocar a fita VHS, parecia não saber o que fazer.

Tá, nosso VCR era do tipo que tínhamos que escolher a saída AV do televisor e apertar o ▶play, o aparelho não fazia aparecer nada além do conteúdo da fita na tela. Qualquer informação era obtida no LCD do videocassete.

Para mim, era intuitivo o bastante. Quero gravar algo? Bastava colocar adesivo no buraquinho, selecionar a qualidade da gravação e o horário. Usei este e outro aparelho mais recente de videocassete até o começo dos anos 2000. Como atestam as minhas fitas de Dragon Ball Z gravadas da Band, em velocidade EP (ou SLP).

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A mais recente dessas fitas data de abril de 2000, se funcionam não sei.

Hoje, para capturar vídeo da televisão aberta tem que selecionar codec, resolução, bitrate, framerate e lá se vai. Isso, claro, desconsiderando a Locadora do Paulo Coelho e a Netflix.

Pois bem, o VHS agora é uma tecnologia que vai permanecer apenas em nossas lembranças. A última fabricante dos aparelhos jogou a toalha.

A japonesa Funai Electric, que fornecia aparelhos de videocassete sob a marca Sanyo, decidiu encerrar a produção da linha VCR. Chegou a fabricar 15 milhões de aparelhos por ano logo antes da popularização do DVD, mas em 2015 foram apenas 750 mil. E vendidos basicamente a preço de custo. Não tinha como continuar.

Só sinto saudade da facilidade de gravação. A qualidade de imagem e, principalmente, de áudio era uma bela porcaria. E de vez em quando o aparelho mastigava a fita. Mas era o que tínhamos.

Muita gente conheceu animês e seriados obscuros através de fitas piratas contrabandeadas. No meu caso, eu só queria ver alguns filmes do horário nobre mais cedo. E à Emmanuelle do Cine Privé no domingo à tarde.

Fontes: Engadget e PC World.

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Autor: Emanuel Laguna

O “tio Laguna” nasceu no Siará em meio à Fortaleza de 1984. Sempre gostou de brincar de médico com os aparelhos eletrônicos e entender como um hardware dedicado a jogos funciona, mas pretende formar-se como Engenheiro Eletricista qualquer dia. Antes apaixonado pelos processadores gráficos desktop, vê nos smartphones, tablets e outras geringonças mobile o futuro da computação.

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