Resenha sem spoilers — As Caça-Fantasmas

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Há algo estranho na vizinhança desde a popularização das redes sociais: quando o povo não se ofende com qualquer coisa, distribuem ódio gratuito. Na internet, você parece ser proibido de gostar de algo: falou bem, é porque estão pagando.

No caso de boa parte do jornalismo, é verdade: se o repórter não faz o trabalho mínimo de apresentar os principais lados da história, provavelmente ou está seguindo a cartilha nada parcial do veículo ou está a fazer propaganda velada. Nada contra, dinheiro é o que sustenta o ramo mas sempre é bom esclarecer ao seu público, mesmo que sutilmente, que uma matéria foi paga por determinado anunciante.

Dito isso, o tio Laguna esclarece que não foi pago para falar bem d’As Caça-Fantasmas. Ninguém da produtora Village Roadshow Pictures, nem da distribuidora Columbia Pictures ou mesmo do conglomerado Sony Pictures Entertainment compraram minha opinião favorável. O filme de 2016 honra a memória do de 1984, inclusive literalmente.


Sony Pictures Brasil | Caça-Fantasmas | Trailer legendado | 14 de julho nos cinemas

Olha, já vou logo questionar a Sony Pictures Brasil, que não teve cojones de colocar a preposição no título nacional de As Caça-Fantasmas. Como não estou nem aí com eles, vou chamar o novo Ghostbusters assim mesmo. E por um motivo bem simples: a escolha de um elenco majoritariamente feminino não afetou o resultado final.

E antes que algum floquinho encha o saco: o elenco foi bem escolhido, independentemente do gênero das personagens. Se escolheram as personagens como mulheres, muito provavelmente foi para se distanciar ao máximo do original e não uma suposta tentativa de agradar militâncias e social justice warriors.

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Kristen Wiig, Kate McKinnon, Melissa McCarthy e Leslie Jones (crédito: Sony Pictures)

Com relação ao elenco, boa parte veio do Saturday Night Live (sou muito fã) e faz do novo filme uma bela comédia Sessão da Tarde. O filme Ghostbusters original, lançado no dia do meu nascimento, era basicamente assim: foi um clássico dos anos 1980, mas envelheceu. Se bem ou se mal, vai da opinião e gosto de cada um. E não digo apenas pelos efeitos visuais: boa parte do contexto das antigas piadas meio que se perdeu.

Um terceiro filme da franquia Caça-Fantasmas estava em produção desde o segundo filme. Na opinião do tio Laguna, o segundo filme envelheceu mal. Com alguns ajustes As Caça-Fantasmas poderia ter sido a continuação direta do segundo, mas foi melhor renovar tudo. Um reboot completo!

Considerações

O tio Laguna vê As Caça-Fantasmas como o Batman Begins de Ghostbusters: está tudo lá, bem justificado. Temos alguns elementos bem familiares, mas personagens, locações e motivações bem distintas. É mais comédia que ação, como deveria ser.

Deixem as pedras em casa: tudo funciona bem nos dois primeiros atos. Exceto talvez pelo Janine Chris Hemsworth, cujo personagem exagera demais na trope de bonitão burro.

Os trailers estragam o timing de uma ou outra piada, mas o problema que vejo no filme é seu terceiro ato. Se arrasta e se complica, se justifica demais. A montagem não chega a comprometer mas incomoda. Ao menos boa parte do elenco do Ghostbusters original faz belas aparições que agradarão bastante aos fãs. Que o diga Bill Murray.

Há cenas pós-créditos em As Caça-Fantasmas, e uma homenagem sutil. Espero que venha uma continuação direta. E que não demore 27 anos para ser lançada.

Veredito

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4,5 de 5 Jillian Holtzmann (Kate McKinnon), a melhor personagem que a franquia já teve!

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Autor: Emanuel Laguna

O “tio Laguna” nasceu no Siará em meio à Fortaleza de 1984. Sempre gostou de brincar de médico com os aparelhos eletrônicos e entender como um hardware dedicado a jogos funciona, mas pretende formar-se como Engenheiro Eletricista qualquer dia. Antes apaixonado pelos processadores gráficos desktop, vê nos smartphones, tablets e outras geringonças mobile o futuro da computação.

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