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Warner Bros. pagou para YouTubers fazerem reviews positivos de seus games [UPDATE]

Nova velha polêmica: a Warner pagou para YouTubers (PewDiePie incluído) publicarem análises positivas; Shadows of Mordor seria um dos games do pacote.

3 anos e meio atrás

pewdiepie

PewDiePie, o YouTuber mais popular (e rico) do mundo também recebeu dinheiro da Warner

Entra ano, sai ano e voltamos a bater na mesma tecla: todo mundo tem seu preço. A questão é quando a pessoa é um potencial formador de opinião e a vende para quem pagar mais, realizando ações e campanhas que expressam  qualquer coisa, menos a opinião pessoal do autor. O mercado de games não é imune a isso, e agora a Federal Trade Comission denunciou a Warner Bros. por pagar quantias em dinheiro a YouTubers em troca de análises positivas de seus games, como forma de promovê-los.

A ação da Warner Bros. Games não é recente: o rolo se deu no fim de 2014 e envolvia uma série de jogos da companhia, em especial o então recém-lançado Middle Earth: Shadow of Mordor. O acordo envolvia a divulgação dos vídeos através de no mínimo uma postagem no Twitter e/ou Facebook e mais importante, as atrações não poderiam de maneira alguma destacar ou mencionar aspectos negativos dos games, como bugs ou outros problemas. A informação de que a produção se tratava de uma campanha publicitária nunca poderia ser adicionada no vídeo, apenas mencionada na descrição do YouTube. Como isso é algo que muita gente não lê e muitos os consomem em plataformas não tão amistosas a descrições (Chromecast, consoles, etc.) isso era feito para dar aos vídeos ares de produção espontânea.

A Warner pagou grandes nomes do meio para promoverem seus games, entre eles Felix “PewDiePie” Kjellberg, o YouTuber mais popular e rico do planeta. Cada vídeo seu alcança uma média de dois milhões de vizualizações; suas estripulias com o demo de ME: SoM no entanto foram vistas mais de 3,7 milhões de vezes.

PewDiePie | Shadow of Mordor - Gameplay - Part 1 (Gamescom Demo) ULTIMATE ORC SLAYING!

Assista e me diga se dá pra perceber à primeira vista que se trata de um publieditorial, sem ler a descrição no YouTube.

A denúncia da FTC não foi questionada pela Warner, preferindo fechar um acordo a deixar que o processo prosseguisse e os estragos fossem maiores. Assim, a publisher fica proibida de realizar tais ações no futuro; todos os parceiros de agora em diante devem deixar claro que a campanha é um publi, e não poderão mais maquiar aspectos negativos dos games de modo a ludibriar potenciais consumidores.

Pois bem, vamos lá: não é errado receber dinheiro em prol de uma campanha, ter conteúdo patrocinado é algo que todos os produtores almejam até para pagar as contas do fim do mês, e nós do MeioBit não somos exceção. Só que uma coisa é fechar parcerias com empresas para divulgar produtos e outra é maquiá-lo, de modo a destacar só as coisas boas e não deixar claro que o YouTuber, blogueiro ou celebridade foi pago para dar aquela opinião.

Naomi-Campbell

Certo, Naomi?

Claro, este não é um caso isolado. No início de 2014 a Microsoft, a EA e a a rede Machimina também entraram em um rolo idêntico ao que a Warner se envolveu com a FTC, o de fechar campanhas com YouTubers e oferecer pagamentos substanciais em troca de análises positivas do Xbox One e de alguns games. Na época o YouTuber Francis “Boogie” denunciou a maracutaia ao mesmo tempo que não havia assinado com ninguém, entretanto apontou para o óbvio: TODO MUNDO faz isso.

boogie2988 — Microsoft Buying Positive Influence on Youtube XB1M13

Hoje em dia YouTubers são formadores de opinião. Mais e mais canais surgem todos os meses tentando seguir os passos dos grandes divulgadores, independente do formato ou temática. As agências, estúdios e marcas também estão de olho nisso, e investir nesse material é muito barato quando comparamos com campanhas para rádio, televisão e mídia impressa e o impacto é grande, já que o conteúdo é direcionado para um tipo determinado de público. Não somos ingênuos, a gente sabe que a Xuxa não usa Monange e a Ellen DeGeneres não vai abrir mão de seu iPhone mas a opinião “sincera” atrai o espectador, que é compelido a se tornar um consumidor.

Logo, por que diabos um estúdio pagaria a um YouTuber para ele apontar bugs em seu game? Não faz sentido, não é interessante.

O problema é a abordagem. Os órgãos reguladores estão espertos com aqueles que tentam maquiar ações publicitárias como testemunhos espontâneos, o que é sacanagem da grossa: o fã do PewDiePie acredita mesmo que aquela é a opinião dele e que o game é uma maravilha, só que não só Kjellberg foi pago para falar bem como ao adquirir o título se vê com uma bomba nas mãos.

Não foi o caso de Evolve, que é ruim mesmo e o YouTuber o detonou. Talvez por não ter sido pago…

Fonte: Federal Trade Commission.


UPDATE: como esperado, PewDiePie publicou um novo vídeo onde se defende das acusações. Confira:

THE PEWDIEPIE "SCANDAL"!!

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