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Quem quer morar em uma cidade de ossos? (calma!)

Biomimética na construção civil: pesquisa estuda a viabilidade de no futuro construirmos edifícios com materiais similares a ossos e cascas de ovos

3 anos atrás

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Não priemos cânico, não é nada como a Capela dos Ossos de Évora, Portugal ou o Ossuário de Sedlec, na República Tcheca (acima)

Você já pensou na possibilidade de no futuro morar em um apartamento cuja composição seria a mesma de seus ossos? Calma, ninguém aqui está falando de utilizar os restos mortais dos que já partiram na construção civil, a proposta vinda da Universidade de Cambridge é interessante pois não só pode ajudar a diminuir os problemas de moradia como reduzir a emissão de gases poluentes e consumo de energia.

A curiosa ideia da dra. Michelle Oyen, PhD em Biofísica e Física Médica é utilizam um campo da ciência que vem sendo explorado com afinco recentemente, a biomimética. Esse campo tem como meta estudar as estruturas biológicas, suas composições e particularidades e utilizar esses conhecimentos em outras aplicações. Resumindo, é o ato de imitar o que bilhões de anos de evolução criaram a fim de tornar nossas vidas melhores.

O estudo da dra. Oyen visa propor novos materiais para a construção civil, que depende fortemente de concreto e aço. A proposta seria desenvolver novos materiais baseados na composição de nossos próprios ossos, estruturas suficientemente fortes para dar sustentação a nós mesmo em casos de sobrepeso mórbido (embora com limitações). Eles são compostos por uma mistura dividida igualmente entre proteínas e minerais; enquanto o primeiro oferece rigidez, o segundo confere resistência a impactos, sem falar na capacidade que os ossos tem de se regenerarem. Aplicando tal conhecimento a dra. Oyen acredita que substituir a forma tradicional de construção por uma que utilize biomateriais semelhante a ossos conferiria não só edifícios e residências resistentes, como o processo seria mais barato, 10% menos poluente e economizaria energia, ao dispensar altas temperaturas para serem processados.

A pesquisa também estuda a aplicabilidade de materiais semelhante a cascas de ovos, e embora sejam compostas por 95% de minerais e 5% de proteínas, tais estruturas são bem resistentes mesmo com paredes tão finas. Ambos processos já foram testados e os resultados, segundo a pesquisa são escaláveis. Tudo à temperatura ambiente.

Entretanto nada disso é para hoje: os pesquisadores ainda não conseguiram desenvolver um composto artificial satisfatório para substituir o colágeno, a liga que mantém tudo unido e utilizar o disponível na natureza não é o foco da biomimética. E é claro que algo do tipo não será adotado do dia para a noite, a indústria da construção civil é extremamente conservadora e resiste bravamente à qualquer sopro de novidade. A dra. Oyen acredita no entanto que se você quer fazer algo a respeito da redução das emissões de carbono, então é algo que é preciso ser feito.

De qualquer forma, ainda deve levar uns bons anos até alguém dizer que mora em uma casa feita com uma liga de ossos artificiais.

Fonte: Cambridge University.

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