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Ex-funcionário da Nest processa Google após ser demitido por falar demais no Facebook [UPDATE]

Google é processada por ex-funcionário da Nest demitido por divulgar comunicações internas que tiravam onda com o CEO Tony Fadell; entretanto não há mocinhos nessa história.

3 anos e meio atrás

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O Google está sendo processado por um ex-funcionário da Nest, que foi demitido após compartilhar parte das comunicações internas entre os funcionários - boa parte delas zoando o CEO e “pai do iPod” Tony Fadell. Só que há alguns problemas nessa situação, onde ninguém está certo.

Eis o caso: a Nest, uma das companhias acolhidas sob o guarda-chuva da Alphabet é a empresa responsável por aquele termostato estiloso que já foi um dos queridinhos da Apple, até Mountain View comprar a empresa e absorver o pessoal, a tecnologia e Fadell (que segundo informes se tornou o responsável pela segunda encarnação do Google Glass). Acontece que o executivo não é tão bem-quisto entre seus colaboradores.

Mensagens trocadas internamente entre os Googlers atestam que Fadell é um “mau líder”, tendo criado um ambiente de trabalho que é uma bagunça e que muitas das suas ações beiram práticas ditatoriais, com ele demitindo qualquer um que ousasse pisar fora da faixa ou falar demais fora dos ambientes da empresa. Tendo ele vindo de Cupertino e convivido com Steve Jobs, que era conhecido por ser um chefe terrível capaz de dispensar qualquer um que cruzasse seu caminho na empresa se ele acordasse do lado errado da cama, Fadell ter incorporado tais particularidades não é algo tão difícil de ter acontecido.

Os colaboradores trocavam mensagens e memes  tirando uma com a cara do Fadell, apontando os defeitos da Nest e tudo mais, entretanto tudo circulava dentro do Google. Foi então que o funcionário em questão pegou parte das mensagens e jogou no ventilador, publicando-as em sua timeline no Facebook. Não deu outra, foi demitido; Fadell é acusado de tomar tal decisão contra qualquer um que ousar liberar tais comunicações internas nas redes sociais, outros teriam tido o mesmo destino. O ex-funcionário, segundo o advogado também alega que foi coagido.

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Só que há um problema: eu não concordo com a decisão do executivo em “Fadellizar” (versão dele para o “Stevar” de Jobs, o nome que deram ao costume do ex-CEO da Apple de cortar cabeças aleatoriamente) todo mundo, mas não posso defender o dito funcionário por um motivo: comunicações internas e tudo o mais a respeito do cotidiano de uma companhia considerado confidencial deve ser tratado dentro da empresa, e nunca levado para fora dela. Tal atitude pode ser considerada quebra de contrato do confidencialidade e na maioria das vezes, é motivo de justa causa.

“Ah mas e os vazamentos?” Então, não sejamos ingênuos: muito do que vemos por aí é controlado pelas próprias companhias, ao que o Cardoso outrora chamou de “Snowdens competentes”. Tomemos por exemplo nosso velho amigo Evan “@evleaks” Blass: desde 2013 ele fornece informações suculentas sobre furos do mercado mobile, e é de consenso que ele possui contatos fortes na indústria em todo o canto. Porém, se os vazamentos fossem feitos por funcionários sem controle de cima há muito as fabricantes já teriam feito auditorias para identificar e punir os culpados, e com o tempo Blass ficaria sem fontes.

Falar demais sobre assuntos internos é sempre caso de demissão, e as empresas odeiam tagarelas. Mesmo assuntos triviais (como os tais memes) podem e serão considerados como quebra de contrato. Lembro de um caso que meu professor de AOC me contou, sobre um funcionário de uma empresa que pegou um táxi para ir ao trabalho e veio no caminho tagarelando com o motorista sobre aspectos internos da companhia.

Para seu azar o taxista conhecia o presidente da empresa, que era seu cliente; tão logo o funcionário desembarcou este ligou para o executivo, dizendo que um colaborador “estava falando o que não devia fora da companhia”. Resultado: demitido na hora por justa causa, o linguarudo teve o acesso ao PC cortado e acabou escoltado por seguranças para fora da empresa. E ainda acabou processado.

Conclusão: Fadell está errado em bancar o ditadorzinho da Nest mas o funcionário também não está no seu direito de divulgar procedimentos e comunicações internas on the wild. Vejamos como isso vai se desenrolar de agora em diante.

Fonte: re/code.


UPDATE: Tony Fadell anunciou hoje que está se desligando da Nest e do Google, apenas dois anos depois de sua empresa ter sido comprada. Não há indicações de que esse novo desenrolar de acontecimentos esteja ligado ou não às mais recentes denúncias de que o executivo foi alvo. Marwan Fawaz, ex-Motorola e conselheiro da ADT assumirá o lugar de Fadell como o novo CEO da Nest.

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