Passaralho, reestruturação… a Microsoft abandona mercado de smartphones para o consumidor

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O Windows Mobile (e seus Windows Phones) era o Opera dos smartphones: muita coisa boa estreou nele e foi parar nos concorrentes, mais populares. E bota popular nisso: os smartphones da Microsoft tinham, no primeiro trimestre de 2016, apenas 0,7% de participação do mercado. Contra 14,8% do iOS e 84,1% do Android.

O tio Laguna dizia que o Windows Phone era erro estatístico, mas o Ronaldo me lembrou que tal título pertence à ex-RIM: no mesmo período, de janeiro a março do presente ano, o BlackBerry respondeu por 0,2% do market share mobile.

A BlackBerry está condenada a virar mais uma fabricante Android qualquer, mas o que a Microsoft poderia fazer para melhorar esse quadro?

Ela poderia simplesmente distribuir aparelhos de graça, mas a empresa não faz caridade: precisa lucrar para continuar a investir nesse mercado. E Redmond já investiu até demais.

O melhor é simplesmente abandonar de vez o mercado.

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Arrogância: fãs do Windows celebram funeral do iPhone… cedo demais (crédito: The Verge)

Qual mercado?

O varejista, de smartphones para consumidores: tal mercado passa por um período de estagnação, quem queria um smartphone já tem um. Não adiantaria a Microsoft continuar a insistir num mercado global onde os aparelhos competem com margens de lucros cada vez mais baixas. Smartphone virou commodity.

A primeira coisa que a Microsoft fez foi se livrar dos ativos da Nokia que não mais lhe interessavam: semana passada, vendeu parte da divisão Nokia que fabricava os feature phones, celulares mais simples. Para que manter fábricas de celulares se a empresa pode encomendar a fabricação dos aparelhos em uma Foxconn da vida, como faz a Apple e tantas outras?

O chato foi a MSFT ter pago US$ 7,2 bilhões na Nokia; só que Redmond detém a maior parte das melhores patentes da Nokia e são essas patentes que fazem a Microsoft lucrar até com concorrentes como o Android. Cada vez que você compra um smartphone Android, você também financia o Windows Phone.

Em vez de desperdiçar o dinheiro obtido com os robozinhos verdes em aparelhos de baixo custo próprios com Windows 10 Mobile, a Microsoft vai preferir buscar foco em algo mais lucrativo: o mercado corporativo. Soluções Windows 10 Mobile para empresas. Por mais que seja dolorido não ver mais novos Windows Phones nas prateleiras das lojas num primeiro momento, um Surface Phone no médio prazo (2017, 2018) não seria algo impossível.

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Um conceito do que poderia ser um Surface Phone feito pela Microsoft (crédito: Phone Designer)

Poderia funcionar assim: o Surface Phone seria um hardware de referência, vendido a preço premium para clientes corporativos e entusiastas enquanto fabricantes parceiras (Dell, HP, VAIO, Huawei, etc) cuidariam de popularizar tal hardware Windows 10 Mobile em versões mais simples.

É assim que o tio Laguna interpreta o anúncio de hoje (25/05), onde a empresa de Redmond diz que fará uma senhora reestruturação na Microsoft Mobile Oy, a divisão finlandesa responsável pelos smartphones Lumia. Tal reestruturação infelizmente poderá culminar na demissão de 1.350 funcionários naquele país, além de mais outros 500 espalhados pelo mundo. Quase duas mil pessoas levarão o passaralho (uy). Com isso a companhia vai cortar custos com smartphones próprios, um ajuste contábil total de US$ 950 milhões.

Felizmente a Big M não vai cortar ainda outro custo: a Microsoft promete dar suporte aos atuais aparelhos Windows Phone 8.1 e Windows 10 Mobile, sejam os próprios Lumia (hardware + software) ou os das outras fabricantes parceiras (software). Em teoria os atuais aparelhos continuarão a receber updates de segurança, embora o foco de novos apps da própria MSFT seja o iOS e Android.

Por enquanto, a Microsoft pretende oferecer novas experiências Windows em outras plataformas e, depois de completar o processo de reestruturação em julho de 2017, poderemos ver o resultado na forma de um novo hardware próprio. Talvez seja smartphone, talvez não. Mas rodará Windows 10 e provavelmente logo o completo. Espero que a Intel não mate a divisão mobile por completo até lá.

Fonte: re/code.

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Autor: Emanuel Laguna

O “tio Laguna” nasceu no Siará em meio à Fortaleza de 1984. Sempre gostou de brincar de médico com os aparelhos eletrônicos e entender como um hardware dedicado a jogos funciona, mas pretende formar-se como Engenheiro Eletricista qualquer dia. Antes apaixonado pelos processadores gráficos desktop, vê nos smartphones, tablets e outras geringonças mobile o futuro da computação.

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