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Overwatch — Review

Confira nossa análise do beta de Overwatch, o FPS competitivo da Blizzard que é um dos games mais divertidos já lançados dos últimos tempos

3 anos e meio atrás

A Blizzard conseguiu de novo. Foram quase dois anos de produção às claras (e mais outros tantos longe dos holofotes antes do anúncio oficial), mas ela finalmente lançou uma nova franquia de altíssima qualidade. Overwatch chega como um projeto multimídia e terá animações e quadrinhos derivados, mas logicamente que o game que será lançado no próximo dia 24 é o carro-chefe.

Como a Blizzard liberou um beta público de seis dias com quase todos os modos da versão final liberados, já é seguro avaliar o que achamos do game.

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Overwatch: Porque o mundo precisa de heróis

O desejo da Blizzard em lançar uma quarta franquia para fazer companhia a Warcraft, Diablo e Starcraft (a última a ser lançada, em 1998) é antigo. O desenvolvimento de Titan, o MMORPG que seria lançado em algum momento consumiu sete anos e mesmo nunca tendo sido confirmado, no fim das contas o estúdio admitiu que ele existia no dia em que o cancelou. Embora ele não tenha dado certo muitas de suas ideias eram sólidas o suficiente para serem migradas para outro estilo de jogo, o FPS cooperativo. Hoje, com exceção de Team Fortress 2 e Counter Strike: Global Offensive temos poucos representantes do estilo, e a Blizzard viu nisso uma possibilidade de atrair para si um novo tipo de público.

Assim temos Overwatch. Alguém na internet o definiu como “um TF2 com waifus” e isso não deixa de ser verdade. Embora o título da Valve seja divertido a beça ele é extremamente limitado no que diz respeito ao elenco, com apenas nove personagens. Já o jogo da Blizzard traz 21 opções de heróis e o cast é incrivelmente variado, com homens e mulheres de várias etnias e nacionalidades (até o Brasil tem vez, representado pelo DJ carioca Lúcio), além de dois robôs e um gorila com QI de gênio. Todos eles extremamente carismáticos e com personalidade, eles falam o tempo todo durante a partida e com seu estilo e sotaque (aliás um excelente trabalho de dublagem, com feras como Cristiano Torreão, Guilherme Lopes, Luiza Palomane e Mauricio Berger, entre outros).

Embora o jogo em si não se aprofunde na história e background de nenhum deles (isso ficará a cargo dos curtas já prometidos e outros produtos), o lore de cada um é bem construído e muito rico. É um game para todos os gostos e públicos, sem exceção e sua história é muito bem contada, ainda que não no gameplay.

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Falando dos personagens em si, cada um deles possui suas particularidades muito bem definidas. Há quatro categorias distintas, os ofensivos (Soldado 76, Tracer, Reaper, Genji, Pharah e McCree), que são os maiores causadores de dano, os defensivos (Bastion, Widowmaker, Hanzo, Junkrat, Mei e Torbjörn), que ficarão a cargo de fortalecer as defesas do time, os tanques (Winston, D.Va, Zarya, Reinhardt e Roadhog), a linha de frente mais resistente a dano a capaz de causarem estragos avassaladores quando bem empregados, e os de suporte (Lúcio, Mercy, Symmetra e Zenyatta) que conferem cura, mudanças de status e outras habilidades. De todos, ainda vale mencionar que Symmetra e Torbjörn entram na sub-categoria de construtores, pois são capazes de desenvolver torres de sentinela para fornecer defesa extra e no caso da indiana, um teletransportador muito útil para encurtar a distância percorrida na hora do respawn.

Só que não para por aí. Cada herói possui habilidades passivas, ativas que podem ou não ter tempo de recarga (a corrida do Soldado 76 por exemplo é ilimitada; aliás ele é o indicado para jogadores mais habituados a Call of Duty e similares, por seu gameplay bem parecido) e uma habilidade suprema, característica comum nos MOBAs como League of Legends e que dependendo da situação pode virar um jogo de forma drástica. Um exemplo? A auto-destruição de D.Va, ao transformar seu mecha em uma bomba de longo alcance; se executada no momento certo é capaz de avassalar o time inimigo inteiro:

Ligou, conectou, jogou

Mas falemos do game em si. O único modo não disponível durante o beta público foi o Competitivo, que reunirá os melhores jogadores de Overwatch e que é desbloqueado ao atingir o nível 25. De resto tudo da versão final estava liberado: há a Partida Rápida, a Customização (que permite escolher entre seus amigos que jogam para formar times) e o Modo de Treinamento, onde você pode testar suas habilidades contra a IA.

O modo rápido te jogará na primeira partida disponível que o algoritmo encontrar, e isso é um problema: muitas vezes você acabará entrando em uma seção a minutos ou segundos do fim, apenas porque o game a encontrou com uma vaga disponível antes de qualquer outra sala. Se bem que uma vez acostumado isso não chega a ser um problema tão grande.

Outra coisa que é preciso entender é que Overwatch não oferece opção de escolha de cenário em nenhum modo, o game seleciona as locações aleatoriamente e cada uma delas possui um tipo de partida pré-determinada, dentre as quatro disponíveis (sempre em batalhas de 6 contra 6): o modo de Escolta, em que você deve proteger ou atacar um veículo em movimento e levá-lo até o ponto de controle final na base inimiga, ou impedir que ele chegue lá; o modo Assalto, em que seu time deve tomar ou defender pontos de controle no estágio; o modo Controle, onde ambas as equipes disputam um único ponto e ganha o time que completar 100% primeiro (numa melhor de três), e o Assalto + Escolta, que começa com uma tomada de ponto e segue com uma escolta de carga, se o time atacante for bem sucedido no primeiro objetivo.

Sim, não há basicamente muita diferença dos modos de jogo de Team Fortress 2 e dado que ele já está aí há quase dez anos, nem dá para culpar a Blizzard por ter copiado o rival nesse quesito. A questão é que o jogo foca bastante no cooperativo: durante a escolha de heróis ele dará dicas das deficiências do time, se há poucos membros de uma categoria, se falta um construtor, se há muitos do mesmo personagem repetido, etc.

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Na hora da batalha é que vemos como Overwatch se desenrola. A Blizzard soube muito bem trabalhar o esquema pedra, papel e tesoura, um herói sempre terá dois ou três para quebrar seus estratagemas e vencer suas habilidades. Mesmo Bastion, o robô que já se mostrou um inferno quando no modo Sentinela (ele chega a ser uma força de defesa intransponível quando atua como torre auxiliar e é um porre com a habilidade suprema ativada, quando se transforma em um tanque) possui pontos fracos que podem ser explorados por jogadores mais experientes.

Tais particularidades obrigam o jogador a ter um conhecimento tático não só do cenário (o que é dificultado com a aleatoriedade) como de suas próprias capacidades, a de seu time e as do oponente na hora de traçar estratégias para vencer. Agir como um suicida nem sempre é a melhor saída e muitas vezes quem apelar para essa tática vai virar saco de pancadas dos adversários, fazendo visitas regulares à sala de respawn.

Aliás este é um outro ponto que os jogadores precisam manter em mente: os times não são estáticos. A cada retorno à sala de início é possível trocar de herói, o que pode ser um problema na hora de definir uma estratégia de combate se um ou outro jogador ficar indeciso a cada morte. Nesse sentido a Blizzard já adiantou que não mexerá, portanto é preciso ficar esperto com aquele que não sabe que herói escolher para jogar e decide testar todos.

Por outro lado, a Blizzard se preocupou com a conexão dos jogadores e instalou servidores locais, logo você encontrará partidas e jogadores rapidamente, ainda que ficará limitado a princípio a enfrentar somente brasileiros; o modo Competitivo deve abarcar jogadores mais variados. Outro ponto chato é que infelizmente o estúdio preferiu não habilitar o modo de jogo cross-platform, limitando cada jogador a enfrentar adversários e reunir aliados da sua própria plataforma de escolha.

Essa decisão foi tomada para não excluir o Xbox One da brincadeira, já que a recusa da Microsoft em se misturar com a gentalha lhe custou Street Fighter V e também porque jogadores de PC sempre possuem vantagens consideráveis jogando com teclado e mouse. Novamente, é a Blizzard prezando pelo equilíbrio da jogatina.

Ao fim da cada partida o game exibe um replay da melhor jogada e permite que os jogadores votem naqueles que mais se destacaram, o que confere mais pontos de experiência só por uma questão de “é bom para o moral”. A cada nível de experiência atingido é liberada uma caixa com itens que pode ser dinheiro in-game ou itens cosméticos como skins dos heróis, sprays (logos que você pode ativar apertando o D-pad para cima, para baixo você aciona a roda de diálogos), frases de efeito, poses especiais de comemoração, etc.

Cada um desses itens pode ser adquirido com a tal moeda de Overwatch e já se sabe que o game terá microtransações (apenas para itens cosméticos, a Blizzard já confirmou que possíveis futuras adições de personagens, cenários e modos virão com atualizações gratuitas), logo você poderá até ter tudo apenas jogando (não há limite de níveis), mas vai demorar a beça.

O que mais?

Tecnicamente Overwatch é lindo. Os gráficos cartunescos são perfeitos e muito bem trabalhados, tanto dos personagens, com extremo detalhismo e realce nas suas características como nas locações, uma mais bonita que a outra. O som é excelente, tanto da trilha quanto dos efeitos sonoros e a jogabilidade é muito boa, você não terá dificuldade nenhuma em dominar os controles.

Algo que me irritou entretanto, e isso é particularidade minha foi o chat de voz, que é ativo por padrão. No meio de uma partida eu me vi enfiado na gravação de um YouTuber e isso me incomodou a ponto de tirar minha concentração no jogo.

Por sorte há como mutar tudo, você poderá jogar no mais completo silêncio. Eu só recomendaria ativar o recurso em partidas customizadas jogando com outros players que que você já conhece. Mas como eu disse, sou eu o chato.

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Vale a pena comprar agora?

Esta é uma pergunta difícil. Overwatch é um game muito divertido e vai entreter o jogador por muito tempo, mas é preciso reconhecer que embora seja um AAA e um dos principais lançamentos de 2016, ele é deveras simples. Isso posto é complicado justificar o investimento de R$ 249 na época do lançamento na versão Origins (que dá direito a skins exclusivas; a versão para PC tem coisas a mais, como extras em outros games da Blizzard), e mesmo os R$ 159,99 na versão “vanilla” da Battle.net é um valor um tanto salgado, ainda mais em tempos de crise.

Quem jogou a fase beta, eu incluso está extremamente tentado em comprar o jogo agora, mas ao menos para consoles eu recomendaria calma a fim de observar se a versão física poderá com o tempo sofrer abatimentos pela rede varejista. Já a versão de PC sem extras dificilmente terá redução de preço, a menos que a Blizzard Brasil resolva fazer uma promoção maluca.

Conclusão

Overwatch é uma injeção de novidade violenta no gênero FPS competitivo entre times, que andava meio mais do mesmo e só possuía  dois principais representantes, ambos títulos da Valve. A Blizzard entrou na briga chutando a porta com os dois pés, apresentando uma proposta completa intermídia com o game capitaneando, um dos mais divertidos e sinceros já desenvolvidos da categoria.

Nota:

Cinco de cinco cosplayers da Tracer fazendo aquela pose.

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Overwatch — Ficha Técnica

  • Plataformas — PS4, Xbox One e PC (análise baseada no beta público da versão para PS4);
  • Desenvolvedora — Blizzard Entertainment;
  • Distribuidoras — Blizzard Entertainment (global) e Square Enix (somente Japão);
  • Preço — R$ 159,99 na versão normal (somente PC) e R$ 249,90 na versão Origins para PC, PS4 e Xbox One;
  • Classificação Indicativa — 12 anos.

Pontos Fortes

  • Absurdamente divertido;
  • Grande variedade de personagens, entre homens, mulheres e até um gorila;
  • Servidores locais garantem conexão rápida.

Pontos Fracos

  • Preço demasiado alto para um game tão simples;
  • Desequilíbrio entre alguns personagens, o que exigirá estratégia por parte do jogador (nada de bancar o suicida);
  • Possibilidade de trocar de personagem a todo momento pode gerar problemas;
  • Algoritmo jogará você várias vezes em partidas perto do fim.

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