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As Mulheres Nucleares

A necessidade é algo que se sobrepõe a tudo, incluindo preconceitos. Por isso mesmo situações doidas como uma coisa chamada Destruição Mútua Assegurada quando o mundo tinha 20 mil armas nucleares prontas pra explodir tem seu lado bom. Foi o ponto de partida para a inclusão de mulheres na indústria nuclear, e elas fizeram bonito!

4 anos atrás

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Esse monstro pesa 4 toneladas e tem quase 4 metros de comprimento. É uma bomba termonuclear B53, com potência de 9 megatons. Ficar do lado dela é bem seguro, pois se detonar acidentalmente a explosão de energia é tão rápida que você sequer conseguirá perceber um clarão: será vaporizado antes do sinal emitido por seus nervos chegar ao cérebro.

Ela, assim como todas as outras armas nucleares dos EUA foi construída no mesmo lugar: uma fábrica chamada PanTex, de propriedade do Departamento de Defesa. São 65 km² em Amarillo, Texas. Inicialmente uma fábrica de bombas convencionais, depois da 2ª Guerra Mundial ela foi desativada, vendida mas em 1951 o Exército requisitou a área e a produção nuclear foi toda concentrada ali.

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Estrategicamente é perigoso colocar todos os ovos em uma só cesta, mas ao mesmo tempo é muito mais fácil controlar a segurança em uma fábrica só, comparado a várias. Como se os russos chegassem no Texas os EUA já estariam encrencados, faz sentido concentrar a produção lá.

Durante a Guerra Fria a produção foi intensa, hoje a PanTex produz bem menos ogivas mas trabalha bastante desmontando as bombas antigas, quando se tornam obsoletas, passam do prazo de validade ou são descartadas por algum acordo de desarmamento.

No auge da produção a PanTex passou pelo mesmo fenômeno que mudou fundamentalmente a sociedade americana durante a 2ª Guerra: simplesmente não podia abrir mão de contratar mulheres e outras minorias, desde que qualificadas, claro.

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Com a necessidade de milhares de armas nucleares, que não são tão simples de produzir quanto uma transmissão de Fusca, trabalhadores especializados, caros e raros acabaram exigindo e conseguindo benefícios fora do comum.

Em 1967 eles tinham tratamento igual para minorias raciais, uma política para conter e punir assédio sexual, todos os cargos estavam abertos para mulheres e os salários eram iguais entre os gêneros. Havia até licença-paternidade.

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O começo não foi fácil, as engenheiras e técnicas acabavam varrendo chão, mas aos poucos os supervisores perceberam que as mulheres tinham mãos menores, o que facilitava o acesso a partes apertadas nas bombas, e eram por natureza meticulosas.

Isso significava mais produção, menos erros de montagem e uma maior probabilidade de que se fosse necessário conseguiriam estragar o dia de um monte de russos.

Hoje a PanTex tem cientistas, engenheiras, técnicas e gerentes, todas trabalhando para construir e desmontar armas terríveis mas necessárias, nem que seja para manter os alienígenas na linha.

Não que as mulheres que queimaram sutiãs em Berkeley* aprovem mas o trabalho das Mulheres Nucleares da PanTex ajudou a desbravar o mercado de trabalho para as profissionais de hoje, o que é motivo de orgulho e boas memórias das moças que viravam noites nos anos 80 produzindo a W80, a ogiva-nuclear multi-uso mais popular do arsenal americano:

80s Ladies

80s Ladies

*na verdade isso é uma lenda.

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