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Seguindo a nVidia, Intel também desiste do mercado de processadores para smartphones

Depois de enormes prejuízos na divisão mobile a Intel adota a solução nVidia — vai também abandonar completamente o desenvolvimento de chips para smartphones.

3 anos atrás

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Em 2014, este era o roadmap mobile da Intel para tablets

No mundo mobile, o conjunto de instruções padrão dos processadores centrais é o da microarquitetura ARM. Aliás, se existe um hardware próximo do open-source são essas CPUs que comandam desde smartphones e tablets a micro-consoles, além de tantos outros dispositivos conectados. Por que não foi escolhida outra arquitetura como x86, MIPS ou PowerPC?

Além da questão do preço competitivo das licenças vendidas pela ARM Holdings, quando do lançamento dos primeiros iPhone e smartphones Android essas outras arquiteturas não satisfaziam a demanda por uma CPU com bom desempenho e baixo consumo energético. Custo e autonomia de bateria, além do legado do desenvolvimento de aplicativos dos primeiros dispositivos, levantaram uma muralha contra outras microarquiteturas de processadores centrais que não ARM.

Por quase uma década, quem prometia desafiar essa muralha era a Integrated Electronics. Embora desde a concepção e lançamento do Core Solo (2006, notebooks) que a Intel vinha desenvolvendo processadores mobile com foco na eficiência energética, somente em 2008 tivemos o lançamento da primeira linha de processadores centrais x86 Intel Atom, inicialmente desenvolvidos para os netbooks.

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O tio Laguna achava o RAZR i lindo (crédito: ePhotoZine)

Em 2012 chegaria o primeiro e mais famoso smartphone com processador Intel, o RAZR i (XT890) da Motorola, basicamente um Droid RAZR M que usava Atom Z2460.

Desde então, tivemos alguns outros smartphones Android com Atom mas nenhum deles teve grande sucesso comercial: apesar do excelente desempenho da CPU Intel para as respectivas épocas, tais aparelhos foram ficando desatualizados no software. E as fabricantes de tais smartphones faziam ou ainda fazem skins pesadas para o sistema operacional. Até usuário leigo percebe que o sistema vai ficando mais lento com o tempo.

Pior: tais fabricantes só liberavam atualizações quando bem entendessem. Não adianta ter um dos melhores processadores centrais mobile se as parceiras não colaboravam.

E piora: a Intel trapaceava.

Calma, explico: para tentar popularizar suas CPUs mobile, a Intel subsidiava os SoCs customizados com Atom. Como a Intel comprou a Infineon e, mais recentemente, a VIA Telecom, aparentemente o subsídio era aplicado também em boa parte dos componentes do SoC.

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Aqui um roadmap de 2014 propagandeando os componentes dos SoC Intel (crédito: Tweakers)

Como Apple e Samsung têm preferido customizar e fabricar os próprios processadores, todo esse esforço da Intel era para concorrer contra outros fabricantes de chips ARM como a Qualcomm e MediaTek. E tentar popularizar CPUs x86 nos smartphones. Não deu.

Saldo da brincadeira?

Bom, logo de cara boa parte da divisão mobile da Intel está entre as 12 mil pessoas que perderão seus empregos. E qual foi o tamanho do desastre financeiro da divisão mobile com os subsídios aos Atom em smartphones?

Em 2013, prejuízo de 3,1 bilhões de dólares; em 2014, rombo de mais US$ 4,2 bilhões. Ou seja: em apenas dois anos o prejuízo da Intel com smartphones dá quase três AMD.

Não tem mais como a Integrated Electronics continuar em tal mercado, o jeito será adotar a solução nVidia™: abandonar completamente o desenvolvimento de chips para smartphones. Realçando: para smartphones.

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Fique tranquilo: o Compute Stick continuará a ter novas versões mas talvez não seja mais tão barato

Com a recente contratação milionária do Dr. Venkata “Murthy” Renduchintala, ex-Qualcomm, a ideia da Intel é desenvolver processadores mobile para dispositivos conectados que possam lhe dar lucro em vez de tanto prejuízo. Os projetos dos processadores Broxton, SoFIA 3GX, SoFIA LTE e SoFIA LTE2 foram totalmente cancelados.

O núcleo Atom que seria utilizado nos projetos cancelados era o Goldmont, litografado no processo de 14 nm e cujo cronograma atrasou um ano. Tal núcleo talvez continuará a ser usado pela Intel, mas nos futuros processadores Willow Trail (Atom x5, tablets) e Apollo Lake (Atom x7, netbooks e alguns laptops 2 em 1).

Isso, claro, se os fabricantes não preferirem utilizar o Core M (Skylake) no lugar. Quando falam em processador Intel, o povo quer desempenho próximo de desktop mesmo que isso possa significar uma autonomia menor da bateria. Traduzindo: para a Intel os tablets continuam; smartphones, não. Pelo menos por enquanto.

Sobre a história toda, só fico chateado que talvez o Surface Phone venha com ARM mesmo no lugar de x86. Adoraria rodar o Windows 10 completo no celular.

Ah, caso você seja dono de um smartphone com processador Intel, recomendo a troca caso o aparelho esteja muito desatualizado. Questão de segurança, inclusive.

Fontes: Anand Tech, Android Authority, Forbes e PC World.

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