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China vai construir usinas nucleares flutuantes

China planeja mais 20 usinas nucleares. Qual a notícia? Serão… flutuantes. Só que a idéia não é nova, Rússia e EUA já brincaram com o conceito, e o melhor é que faz sentido.

3 anos atrás

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Em 1968 o Panamá se tornou o primeiro país da América Latina a utilizar energia nuclear, mas não foi mérito de seus nobres cientistas, e sim de um navio — ou melhor, uma balsa — chamada MH-1A STURGIS. Obra do Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA, foi o resultado de um experimento para determinar a viabilidade de uma usina nuclear flutuante.

A STURGIS foi construída no casco de um Liberty Ship, cargueiros construídos em linha de montagem para os comboios da Segunda Guerra Mundial. Seu reator nuclear era pequeno, mas o suficiente para alimentar o Forte Bolvoir, onde ficou ancorada por onde meses depois de ser comissionada em 1967, 6 anos após o início de sua construção.

Já operacional a STURGIS foi mandada para sua última grande missão: ancorada no Lago Gatun, no Panamá ela passou a suprir 10 MW de energia para a Companhia do Canal, e isso foi vital pois o país passava por uma seca, e a água do lago além de ser usada para as comportas, era usada por uma hidroelétrica. Com a energia nuclear a usina foi fechada e a água dos rios que desembocavam no lago passou a ser suficiente para garantir a passagem dos navios.


USACE Baltimore — STURGIS barge

A Sturgis permaneceu no Panamá entre 1968 e 1976, mais de um trilhão de galões de água foram economizados. Hoje ela aguarda nos EUA para ser sucateada, seu reator desmontado faz tempo.

Os russos também investiram em barcas nucleares. A imagem de abertura deste artigo é o Acadêmico Lomonosov, um monstro de 21 mil toneladas com um reator capaz de produzir 70 MW de eletricidade, suficiente para uma cidade de 200 mil pessoas. Esperam que esteja pronto em 2018. A idéia é ser usado em projetos em áreas remotas como a Sibéria, onde é impraticável chegar com linhas de transmissão e transportar diesel para termoelétricas sairia caro demais.

USS-Sturgis-Arriving-In-Panama

A STURGIS chegando no Panamá

Esse tipo de usina portátil pode ser muito útil também em caso de grandes desastres. Havia planos de usar submarinos nucleares para produção de energia em emergências. Um submarino soviético Classe Tufão por exemplo é capaz de produzir 380 MW com seus dois reatores, isso é mais da metade da usina de Angra 1. Só que o custo de manter um submarino nuclear é alto demais, as barcaças com reatores menores fazem mais sentido.

Tanto que agora a China se tocou disso e está planejando toda uma frota, nada menos que 20 usinas flutuantes. Algumas seriam posicionadas nas ilhas que o governo chinês está aterrando e construindo bases militares, para irritação dos vizinhos. Outras, quem sabe?

O projeto ainda vai demorar, o que encaixa com o cronograma da China General Nuclear Power Corp, que por volta de 2020 terá pronto seu reator “portátil” de 200 MW. Dada a preocupação ambiental normal da China, é um enorme avanço, já que o normal seria desenvolverem usinas termoelétricas queimando óleo de panda.

Fonte: Global Times.

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