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Descobrindo segredos soviéticos. James Bond? Não, um professor

Nem todo inglês que descobre segredos soviéticos é James Bond. às vezes pode ser um simples Professor de Física, como o britânico Geoff Perry, que durante a Guerra Fria monitorou com seus alunos satélites soviéticos e acabou fazendo uma descoberta que irritou Moscou e surpreendeu Washington.

4 anos atrás

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Entusiastas de exploração espacial sempre existiram, ao menos desde que Kepler escreveu a primeira história de ficção científica, uma viagem à Lua, em 1608. A coisa se tornou mais palpável quando foguetes pararam com o desagradável hábito de cair em Londres, e passaram a ir para o espaço.

Em 1957 quando os soviéticos lançaram o Sputnik o mundo inteiro pôde monitorar o pequeno satélite. Radioamadores sintonizavam nas frequências amplamente divulgadas e ouviam isto:

Um desses entusiastas era um professor de Física chamado Geoff Perry. ele lecionava na Escola de Gramática Kettering, em Northamptonshire, Inglaterra. Em 1966 ele resolveu montar um grupo de pesquisa com seus alunos para ensinar Física usando satélites, principalmente os soviéticos, até por causa de todo o segredo e mistério da Guerra Fria.

O primeiro passo foi comprar um receptor de rádio da 2ª Guerra, por 25 libras. Alunos puxaram antenas entre os prédios da escola, e instalaram o receptor em um laboratório de Ciências.

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Um dos experimentos era identificar satélites que passavam por cima da escola, anotando a mudança de frequência durante o processo. Esse é o chamado Efeito Doppler.

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O Efeito Doppler faz com que ondas emitidas por um objeto se movendo em relação a outro estacionário sejam comprimidas quando se aproximam e esticadas quando se afastam. É uma verdade Universal, seja para a sirene de uma ambulância, seja para a luz de uma galáxia se afastando da Terra.

Ou uma buzina.


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O Professor Geoff ensinou seus alunos como calcular a velocidade dos satélites com base na variação de frequência, como identificar altitude e posição usando a intensidade do sinal, e como plotar num globo sua órbita.

Um belo dia eles começaram a monitorar um satélite russo novo que parecia estar no lugar errado. A inclinação não era a esperada, e mudar a inclinação de uma órbita (o ângulo em relação ao Equador) consome combustível pra caramba, é algo que ninguém faz mais que alguns graus. Como contado no excelente Calcinhas no Espaço, chegaram a mandar um satélite para a Lua pra corrigir a inclinação do bicho.

A explicação era que o tal satélite soviético não havia sido lançado de Baikonur, no Cazaquistão. Só que era a única base de lançamento de foguetes que os russos tinham. Ou não?

Estudando mais e mais sinais os alunos do Professor Geoff concluíram que os satélites só poderiam ter decolado de Plesetsk, bem dentro do território russo, a mais de 3.000 km de Baikonur.

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A descoberta foi divulgada pelo Professor para um jornal local, que publicou sem grande alarde, e aparentemente ficou por isso mesmo, era mais uma curiosidade. Até o dia 18 de abril de 1966, quando Geoff Perry chegou na escola para dar aula e deu de cara com uma equipe da BBC.

Nesse momento ele descobriu que os americanos não conheciam ou não haviam divulgado a existência do Cosmódromo de Plesetsk, e todo mundo foi pego de surpresa. O programa secreto de satélites soviéticos e seu campo de lançamento alternativo não era mais secreto. Os comunistas teriam conseguido, se não fossem aqueles alunos enxeridos e seu professor.

O caso foi noticia nos EUA e na Inglaterra, o Professor Geoff e seus alunos foram alvo de fama e reconhecimentos momentâneos. O Programa Espacial da Escola Kettering prosseguiu por mais 40 anos, até a escola ser fechada e conseguiram vários feitos de pura Ciência, como prever a queda de um satélite soviético antes de qualquer outro grupo.

Quanto ao Cosmódromo de Plesetsk, os soviéticos só admitiram sua existência 17 anos depois que ele foi revelado ao mundo pelo Professor Geoff.

Tudo bem, é fato notório que comunistas são maus perdedores.

Fonte: BBC.

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