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Negative Ghostrider, the pattern is full!

Você leu sobre os caças russos que deram rasantes sobre o navio americano? Ótimo. Agora clique e leia como, ao contrário do que os portais estão vendendo, não foi uma manobra terrivelmente agressiva e precipitou a 3ª Guerra Mundial.

4 anos atrás

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Terça-feira os ouvidos de um piloto russo devem ter se cansado da Svetlana Aporrinhadora falando o equivalente soviético a PULL UP! ou ALTITUDE! enquanto seu Sukhoi Su-24 voava rente à superfície do mar, em direção ao destróier classe Arleigh Burke USS Donald Cook.

Nos segundos finais um toquezinho no manche para subir alguns metros, e mostrar aos ianques imperialistas do que um piloto da Mãe-Rússia é capaz.

A mídia, claro, adorou. O Russia Today de alguma forma conseguiu tornar o caso culpa dos americanos. A mídia dos EUA por sua vez está questionando como “deixaram” isso acontecer, se os navios estão tão desprotegidos assim, blá blá blá.

Na verdade a manobra, acontecida no Báltico, a 130 km de Kaliningrado e atrapalhando um exercício com a Marinha Polonesa não passou de puro teatrinho, para sorte do russo. Não que o vídeo não seja legal bagarai, assista:


Russia Today — Russian Fly-By: Su-24 jets buzz US Navy ship in Baltic sea

Os russos foram detectados muito antes de chegar, provavelmente voando em formação, uma indicação de que não há intenção hostil. Também não ativaram qualquer tipo de embaralhador, deixando uma assinatura de radar precisa para o Donald Cook. Se der mole até avisaram por rádio que iriam fazer uns Fly-Bys,

Nas imagens dá pra ver claramente: nada de armas, o Su-24 só levava dois tanques de combustível.

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Vigias com aqueles binóculos marotos confirmaram isso e avisaram a ponte, que então provavelmente fez o gesto de cortesia de desligar ou diminuir a potência do radar AN/SPY-1. Sim, o Donald Cook é um destróier equipado com o sistema de defesa integrada AEGIS. Naquela distância ele poderia concentrar o feixe do radar em uma área da largura de um lápis. Na potência máxima são seis megawatts (6 MW), como diz Tom Clancy: voe muito perto de um AEGIS e você vai ter filhos esquisitos.

A história toda não foi quase o começo da 3ª Guerra Mundial, foram comandantes russos entediados tentando ver se conseguiam fazer os americanos piscarem, mas pela movimentação no deck ninguém estava muito preocupado. A regra é clara: colocou o radar em modo de tiro, perdeu.

Esse tipo de provocação é comum, agora com internet elas apenas são mais divulgadas. Ano passado no Mar Negro foi a vez do USS Ross:


Commander, U.S. Naval Forces Europe-Africa/U.S. 6th Fleet — USS Ross in the Black Sea: June 1, 2015

É praticamente uma tradição da Guerra Fria, os russos adoravam mandar aviões em patrulhas passando pela costa do Alasca, os EUA por sua vez mandavam caças para interceptar, e viravam escolta. Os pilotos praticamente se conheciam. Até hoje eles fazem isso:


AviationNewsPortal — USAF F-15s From Alaska Intercept Russian Tu-95 Bear

Havia encontros mais agressivos, claro. Em 1968 um TU-16 Badger voou perto demais do USS Essex, fez quatro passagens e em seguida caiu no mar, os 3 tripulantes morreram. Especula-se que os radares tenham fritado os equipamentos do coitado. Sim, há video:


Soviet Russia — Tu-16 crash after a low pass by aircraft carrier USS Essex

A marinha soviética também não brincava em serviço. Aqui em 1988 um barco soviético chega perto — muito perto — e do nada abalroa duas vezes o USS Yorktown.


Gunnermatecg48 — 1988 soviet ramming USS Yorktown CG 48 in black sea

Também em 1988 foi a vez do USS Caron:


stealthbiker45 — USS Caron getting rammed by the Russians in the Black Sea - Feb 1988

Os russos ADORAM fazer isso. Aqui um navio russo dá uma lição em um barco pesqueiro estrangeiro ilegal…


Hamilton's Military Channel — Russian Ship Rams Illegal Foreign Fishing Vessel

Ou seja: foi divertida a cena que os caças russos fizeram? Foi, mas só isso. nada de 3ª Guerra, nada de manobra incrível do Maverick Comunista, ninguém correndo perigo real exceto o de voar a 700 km/h a 10 m da superfície em direção a um navio. De resto, vale como desculpa pra falar sobre isso tudo aí de cima.

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