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O dia em que a agência de inteligência britânica protegeu Harry Potter

Harry Potter já foi assunto de segurança nacional: em 2005, a GCHQ empregou seus esforços para evitar o vazamento do 6º livro da série antes da hora

3 anos atrás

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A GCHQ, a agência de segurança e inteligência do Reino Unido entrou em evidência principalmente por causa de Edward Snowden, o ex-prestador de serviços da NSA (chamar de hacker é forçar a barra, ele era um estagiário com acesso root) e hoje garoto da informática do Kremlin. O órgão seria o principal parceiro da NSA em sua odisseia de coletar e monitorar dados da internet em praticamente todo o mundo, embora os britânicos tenham cometido algumas presepadas aqui e ali.

Só que a agência nem sempre foi malvada: houve uma ocasião em que ela bancou o Dumbledore e protegeu o bruxinho mais querido do mundo.

Para entender o que aconteceu é preciso voltar pelo menos uma década (céus, como o tempo voa). Em meados dos anos 2000 a série Harry Potter era um fenômeno da literatura como há muito não se via, os livros do bruxinho conseguiram estimular uma geração inteira de crianças e adolescentes que não tinham nenhum apreço em ler, principalmente por conta de certas instituições de ensino que insistem em empurrar as mesmas publicações de mais de um século de idade que ninguém mais suporta, o que desestimula qualquer um. As aventuras de Harry, Ron e Hermione encantaram gente de todas as faixas etárias e foram maravilhosamente adaptadas para o cinema, games, quadrinhos, etc. etc. etc.

A essa altura não é difícil imaginar o que aconteceu na Terra da Rainha: Harry Potter virou um tesouro nacional que precisava ser protegido a todo custo, tanto as publicações quanto a autora J.K. Rowling. Na época, sempre antes de cada livro ser lançado ouvíamos relatos do fortíssimo esquema de segurança, para não deixar nem uma vírgula sequer dos livros vazarem antes da hora.

Nigel Newton, fundador e editor-chefe da Bloomsbury Publishing, a editora britânica que publica os livros da série reforçou as histórias sobre o forte esquema de segurança montado para cada lançamento dos livros na época, em uma entrevista de rádio concedida semana passada. Entretanto, ele mencionou que eles tiveram uma ajudinha extra em 2005 da GCHQ.

Newton conta que às vésperas do lançamento de Harry Potter e o Enigma do Príncipe, a agência de inteligência ligou para ele afirmando que haviam detectado uma cópia pirata do livro na internet. Após uma avaliação dos editores o mesmo se provou falso, mas é importante notar que em determinada época a obra de Rowling era tão importante para o patrimônio britânico que seu órgão especial de segurança e inteligência foi deslocado para vasculhar a rede atrás de cópias do livro vazadas antes do lançamento oficial.

Para encerrar, a GCHQ foi procurada para comentar sobre o assunto. Embora sem muita surpresa não tenha comentado nada, a forma como o porta-voz da agência se manifestou mostra que como sempre, britânicos tem um ótimo senso de humor:

"Não comentamos nada a respeito de nossas Defesas Contra as Artes das Trevas."

Fonte: Ars Technica.

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