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FBI não vai dizer se o iPhone dos terroristas é util à Apple

FBI diz que não discutirá se o iPhone desbloqueado dos terroristas ainda é útil ou não à Apple, dando a entender que não estão a fim de colaborar

4 anos atrás

iphone-5c

Agora que o coelho saiu da cartola, com o FBI vencendo a criptografia da Apple ao invadir o iPhone dos terroristas envolvidos no ataque de San Bernardino, vem o controle de danos: a maçã deseja saber qual o método que os federais utilizaram (há fortes indícios que a empresa israelensa Cellebrite tenha se valido do espelhamento de NAND) para muito provavelmente fortalecer suas defesas.

Como esperado o FBI não está tão a fim de colaborar, embora diga oficialmente que não sabe se pode dar uma mãozinha.

O advogado e conselheiro geral do Bureau James Baker concedeu ontem uma coletiva de imprensa, onde esclareceu que o departamento de fato teve acesso a todos os dados contidos no iPhone 5c outrora protegido e que seus especialistas já estão trabalhando em cima dos dados, atrás de quaisquer informações que possam ligar o casal de terroristas com organizações como o ISIS e futuros ataques. Baker diz que todo o esforço foi válido, para mostrar que o FBI provou que de fato não deixou pedra sobre pedra no que tange à investigação. E está mais do que certo, é o trabalho deles, o caso de PR com a Apple foi jogo limpo do início ao fim, dentro das regras e tudo mais.

O fato é que Cupertino deseja saber o que diabos o FBI fez para acessar os dados. Os especialistas em geral dizem que como o 5c não possui Sucure Enclave (criptografia por hardware), o método mais provável de ter sido utilizado e dado certo foi mesmo o espelhamento de NAND: a memória Flash é removida, copiada e seu conteúdo é submetido a testes de força bruta até que a senha seja vencida. Enquanto o iPhone bloqueia o dispositivo após um certo número de tentativas erradas, o mesmo não se aplica à cópia e com apenas 10 mil combinações de senhas possíveis, a partir daí é moleza.

Oficialmente o FBI diz que esse método não funciona e até onde se sabe a Apple afirma a mesma coisa, mas ninguém é besta. Como devem haver algumas particularidades a maçã deseja saber timtim por timtim o que aconteceu, só que o FBI não é obrigado a compartilhar o que sabe. É uma agência governamental, seus assets só se tornam públicos se isso for conveniente. E no caso não é.

Baker disse na coletiva que não irão discutir se o iPhone é ou não útil à Apple até a conclusão das investigações. Anteriormente o Bureau já havia dito não ter intenção nenhuma de discutir a vulnerabilidade com Cupertino, o que certamente deve ter deixado Tim Cook fulo da vida. E não há o que fazer, tanto a Apple tinha o direito de não ceder os dados e levar a brigas aos tribunais quanto o FBI tem de não ter que contar nada.

À Apple resta apenas endurecer por conta própria a segurança de seus dispositivos, de modo que o FBI, NSA e quaisquer outros tenham sempre que qurbrar a cabeça para entrar. É jogo de gato e rato mesmo, porque nenhum dos lados é obrigado a estender o tapete para o outro entrar.

Fontes: The Wall Street Journal (paywall) e The New York Times.

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