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Seis meses depois, só 4,6% dos Androids rodam Marshmallow

Desfragmentação é sonho impossível: seis meses depois, Android 6.0 Marshmallow só roda em 4,6% de todos os dispositivos ativos

4 anos atrás

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Eu não sou um usuário padrão, fato. Utilizo as ferramentas mais adequadas para cada situação e não gosto da ideia de ficar preso a um ecossistema único por conveniência. Tenho um desktop e dois notebooks, cada um rodando um SO diferente: OS X, Windows 10 (este está desativado no momento) e Linux. Em tablets minha preferência é o iPad, ainda é a melhor experiência. Mas em smartphones eu sempre defenderei o Android: tenho dois funcionais e um terceiro bem antigo desligado, e não pretendo mudar para um iPhone ou um Windows 10 Mobile.

Ainda assim algumas coisas do robozinho me irritam, e uma delas é a total e completa incapacidade do Google de manter seu sistema móvel uniformemente atualizado. Não que a Microsoft esteja se saindo muito melhor, pelo contrário, ao menos Mountain View não é dada a distribuir bananas para os usuários.

O problema é o compromisso do Google com a uniformidade com a sua plataforma, que sejamos sinceros nunca existiu. A fragmentação, o fantasma que assombra o robozinho desde sempre se instaurou quando a companhia decidiu entregar a responsabilidade das atualizações nas mãos dos fabricantes e operadoras. Foi a pior decisão possível, não só os parceiros começaram a implementar modelos de qualquer jeito e com roadmaps de atualização ridículos, como as operadoras se tornaram a segunda parede a ser transposta: o smartphone o tablet pode até ter recebido um update, mas se a AT&T/Verizon/Vivo/Claro/TIM decidir do contrário e você comprou o aparelho na mão delas, azar.

Em 2014 eu já dizia que passar o Defrag no Android era uma utopia. Hoje, mesmo que o Google tenha caçado a grande parte dos fabricantes de dispositivos xing-ling o cenário não é muito diferente. Mesmo grandes parceiras como a Lenovo matam aparelhos recentes como o Moto E 3G 2015, lançado em fevereiro de 2015 mas que não receberá o Android 6.0 Marshmallow (a versão 4G, com a desculpa de ter um SoC mais potente escapou). Seu suporte oficial só se encerrará em agosto, cumprindo os 18 meses que o Google exige mas os chineses não quiseram nem saber.

Por isso a situação do Android hoje não surpreende:

android

O Android 5.x Lollipop ainda roda em 35,8% dos robozinhos ativos, seguido pelo 4.4 KitKat com 33,4% e o Jelly Bean está logo atrás, com 21,3% do market share. O 6.0 Marshmallow, lançado há seis meses só responde por míseros 4,6% dos dispositivos ativos. Nem. Cinco. Por. Cento.

Para se ter uma ideia a taxa de adoção do iOS 9 foi a mais rápida de toda a história, com 50% do ecossistema atualizado em 15 dias. Hoje ele roda em 77% dos iGadgets, que não é um número alto: o iOS 7 chegou a 80%. Por quê? Por causa de um tal Steve Jobs que bateu o pé e não deixou as operadoras meterem a mão em seus aparelhos. O que a Microsoft faz com o Windows 10 Mobile é ainda pior, porque ela também não depende de atravessadores para entregar seus updates; Redmond mudou de ideia quanto a liberar a atualização em aparelhos antigos e conseguiu com isso despertar a ira de seus usuários. E não foi a primeira vez.

Entendam bem, eu adoro meu Android, prefiro a plataforma sobre qualquer outra quando o assunto é smartphone mas a atualização uniforme é um problema e tanto, e por causa do que o Google fez sem solução. Embora grandes empresas lancem dispositivos de primeira linha, quando o assunto é update só há duas soluções para a maioria das situações: Nexus ou CyanogenMod. E isso não ajuda a plataforma.

Fonte: Android.

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