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Do baú da memória: Internet Time

A internet já é velha o bastante para ter seu passado longínquo, e uma das pequenas histórias esquecidas desse passado é algo chamado… Internet Time.

3 anos e meio atrás

swatchinternettime

Em 1998, quando a internet era tão primitiva que nem usávamos zeros e uns, somente zeros, os marketeiros da Swatch resolveram resolver um problema que ninguém tinha: a falta de um tempo universal na internet.

Eu entendo, Fuso Horário é coisa do Lúcifre: todo lançamento da NASA ou SpaceX eu me confundo com GMTs, UTCs, TCCs, etc, mas as pessoas vêm lidando com isso faz tempo e as empresas conseguem agendar suas conferences sem maiores problemas. Mas assim como os adeptos da Terra Plana, a Swatch acredita que o mundo deveria ter uma só hora, e criaram o… Internet Time.

Essa idéia não muito inteligente é baseada em uma bobagem pior ainda: a reforma do calendário da Revolução Francesa, onde não só renomearam os meses do ano como criaram uma contagem de tempo decimal, com o dia tendo 10 horas e cada hora tendo 100 minutos, e cada minuto 100 segundos. A idéia não pegou, e deixou de ser obrigatória em 1795.

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O Internet Time da Swatch dividia o dia em 1.000 beats, cada um equivalente a um minuto decimal. O beat 000 equivalia à meia-noite em Biel, cidade suíça onde a Swatch é sediada.

Eles, claro, começaram a vender relógios com o tal Internet Time, e empurravam a idéia de que isso unificaria as nações, aproximaria as pessoas, livraria as crianças das cáries, etc etc etc.

Não precisa dizer que não pegou e fora um ou outro caso específico, ninguém usa esse troço, apesar de o site ainda existir.

A história não parou por aí, os JÊNEOS do marketing resolveram “inovar” de novo em 1999, com isto aqui:

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Chamado de Beatnik, era um satélite que seria lançado pelos cosmonautas da estação espacial MIR, e sobreviveria por um mês antes de ficar sem baterias. Ele funcionaria como um transmissor para você sintonizar seu relógio em Internet Time com ele, só que havia um problema.

O satélite usaria frequências reservadas para radioamadores e, transmitindo basicamente propaganda, seria uma espécie de máquina de spam orbital. Os protestos foram tão grandes que o satélite acabou não subindo, e a Swatch doou as baterias para alimentar a impressora da MIR.

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