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Freedom 251, o impossível smartphone de quinze reais

Índia apresenta o Freedom 251, smartphone muito provavelmente subsidiado pelo governo que será vendido por míseras 251 rúpias, ou quinze reais

4 anos atrás

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A gente sabe que o preço de produção de nossos amados gadgets está sendo cada vez mais amortizado,  mas tem coisas que algumas empresas fazem que assutam a gente. Em geral quando algo muito barato aparece no mercado já desconfiamos que se trata de uma pegadinha, mas incrivelmente não parece ser o caso.

Essa veio da Índia: a startup Ringing Bells anunciou nesta quinta-feira um novo smartphone de entrada, o Freedom 251, um dispositivo com especificações razoáveis — display IPS de 4″ com resolução de 960 × 540 pixels, 1 GB de RAM, SoC MediaTek quad-core de 1,3 GHz e GPU Mali 400, 8 GB de espaço interno (expansível via Micro-SD), câmera principal de 3,2 MP e frontal VGA, redes 3G, GPS e Bluetooth 4.0, bateria de .1450 mAh e Android 5.1 Lollipop — mas com um fator irresistível: como o nome sugere ele será vendido pela bagatela de 251 rúpias, o que dá cerca de míseros US$ 4,00. Ou mais ou menos R$ 15.

Então, como conseguiram essa mágica?

A companhia responsável pelo Freedom 251 é praticamente recém-nascida, a Ringing Bells só está no mercado há cinco meses. Tudo bem que a Índia é um mercado promissor, com milhões e milhões de potenciais consumidores de smartphones baratos — o que levou empresas como Google, MicrosoftSamsung e Xiaomi a fortalecerem suas presenças por lá — e é interessante atendê-los e condicioná-los a consumirem apps e gastar seu dinheiro nas lojas online.

Só que há uma diferença muito grande entre oferecer um Nokia X a US$ 140 e um Android por quinze reais. Não há Cristo Krishna que faça um aparelho ser vendido nesse valor sem dar prejuízo, mas há alguns fatores interessantes nessa história.

Em primeiro lugar a Ringing Bells, empresa criada para vender smartphones baratos não estaria produzindo diretamente o Freedom 251, mas sim o comprando pronto e o vendendo com outra marca. O “template” seria o também indiano Ikon 4 da Adicom, que é virtualmente idêntico ao smartphone quase gratuito; as únicas diferenças ficam por conta das câmeras melhores (5,0 e 1,3 Mp) e um dispaly piorzinho (800 × 480 pixels). Aqui você confere uma comparação direta.

Hitesh Raj Bagat, editor do site Economic Times conseguiu algumas fotosdo Freedom 251, e em uma delas é possível ver o nome da Adicom estampado na carcaça do aparelho:

Já o modelo que a rede de TV NDTV conseguiu exibe uma ocultação do nome meio grosseira. Parece até corretivo:

https://twitter.com/Gadgets360/status/699910227777310720/photo/1?ref_src=twsrc%5Etfw

Problema: o Ikon 4 é vendido na Índia por 4.081 rúpias, o equivalente a US$ 59,55 ou R$ 239,79. Tudo indica que o aparelho está sendo subsidiado pelo governo indiano (a bandeira do país estampada nas costas do celular também é um forte indício) como forma de oferecer um smartphone verdadeiramente barato à população. De acordo com o presidente da Ringing Bells Ashok Chadha, as peças do Freedom 251 viriam da China (cascata) e que cada unidade custaria cerca de 2.500 rúpias (US$ 36,48 ou R$ 146,89) à empresa, o que só reforça essa possibilidade. E para fechar a fatura membros do alto escalão do governo indiano estiveram presentes no evento de lançamento.

A história no entanto é confusa. A Adicom, ao ser contatada afirmou não saber de nada a respeito. Não se sabe se a ordem de lançar o aparelho tenha vindo da startup ou do governo, e dadas as circunstâncias a segunda possibilidade é bem possível, o que explicaria essa estranha apropriação de assets alheios.

Resta saber como a Ringing Bells espera ter lucro nessa história, o que o governo leva e como a Adicom vai responder. De qualquer forma a recepção do público foi excelente,a procura foi tão intensa que chegou a derrubar o site da loja online. Também, com um preço desses até eu queria uns dez.

Fonte: BGR.

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