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A Vingança dos Catamilhógrafos

Você ainda cata milho? Não se entende com seu teclado? Temos boas novas: uma pesquisa descobriu que a quantidade de dedos que você usa não está necessariamente associada à velocidade com que você digita!

3 anos atrás

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Quando eu era criança era comum nas ruas do subúrbio umas lojas estranhas, de porta de rua. Dentro várias fileiras de mesas com pessoas datilografando desesperadamente. Eram cursos de datilografia, habilidade essencial para quem queria aumentar seu potencial de empregabilidade.

Muitos diziam que aquilo era o futuro e abriria grandes oportunidades. Mal sabiam eles que permitiria até que o sujeito trabalhasse em uma agência espacial.

Com o tempo a datilografia foi transformada em digitação, mas a essência é a mesma. Havia toda uma técnica de como usar os dedos corretos, barra de espaço com o polegar, e até o mindinho, tão inútil que é o Aquaman dos dedos era usado.

Confesso, nunca cheguei a fazer um curso desses. Viram? Os haters que dizem que não tenho qualificação para criticar a AEB estão certos.

Mesmo sem instrução formal, treinei muito, escrevi muito em uma velha Remington, e comecei a manjar dos paranauês. Hoje escrevo muito rápido, uso todos os dedos imagináveis e adoro irritar as pessoas conversando com elas enquanto digito sem olhar para o teclado, praticamenet sem nejhum erro.

Por muito, muito tempo fui catamilhógrafo inveterado, é o natural, ao menos até a gente pegar o hábito e, aos poucos ir introduzindo mais dedos, à medida que se sente confortável. Kanye West sabe como é isso.

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Uma coisa que eu tinha percebido mas nunca achei comprovação — até agora — é que a quantidade de dedos não tornava a digitação muito mais lenta, e um estudo da Universidade de Aalto, na Finlândia descobriu que quem usa só cinco dedos para digitar consegue ser tão rápido quanto quem usa dez.

Eles usaram sistemas de captura de movimento para estudar como pessoas sem curso de digitação digitavam. A surpresa é que gente que usa 10 dedos não era necessariamente mais rápida, e que cada pessoa havia desenvolvido uma abordagem própria.

Descobriram 3 variações principais na mão esquerda e 6 na direita, e isso tem menos a ver com lateralidade e mais com o arranjo de teclas.


How we type: Movement Strategies and Performance in Everyday Typing - Aalto University Research

O mais legal da pesquisa é que algo que era um conhecimento extra, algo a ser aprendido em cursos hoje é tão “natural” que as pessoas apenas saem fazendo. É quase alienígena imaginar que houve um tempo em que algo tão trivial quanto um teclado exigisse um curso inteiro para ser dominado.

Eu até escreveria mais sobre como o passado era ridículo mas estou atrasado para meu curso de Snapchat.

Fonte: Slate.

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