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Reino Unido quer que verificação de idade em sites pr0n seja global

A arrogância britânica não tem limites: o parlamento deseja impor verificação de idade a todos os sites pr0n do planeta; quem se recusar pode morrer de fome

4 anos atrás

katsuni

Se você pensa que os franceses são os únicos que possuem a mania de ditar os rumos do mundo, pense de novo: os britânicos também são arrogantes e hipócritas a ponto de achar que o que é bom para eles é bom para todo mundo, no caso a verificação de idade para sites pr0n.

As regras já valem para sites com base na terra da rainha, mas uma nova legislação apresentada quer que elas passem a valer em todo e qualquer domínio que os britânicos possam vir a acessar. Essencialmente, toda a internet.

Vira e mexe algum grupo míope ou governo que não tem mais o que fazer tenta em vão controlar o consumo de sacanagem por parte da população. A mola-mestra da humanidade sempre esteve por atrás (e na frente, e em cima, e embaixo…) de muitos progressos de nossa espécie, basta ver que um dos primeiros utensílios de pedra que o homem aprendeu a confeccionar foi justamente um consolo.

A internet então é pr0n, disso não há dúvidas. Ela pode não ter surgido por causa dela mas se mantém principalmente porque humanos são humanos, e todo método que facilite o vuco-vuco será adotado massivamente. Ainda assim os moralistas continuam tentando: em 2013 o Reino Unido instaurou um filtro que barra por padrão qualquer site sócio-educativo na fonte, restando ao constrangido usuário que solicite o desbloqueio. Claro, não deu certo porque os mais assíduos consumidores se encontravam no Parlamento britânico, sem falar que o site do mesmo e de vários outros órgãos do governo também foram bloqueados.

Logo depois surgiu uma nova medida para impedir que as inocentes criancinhas tenham acesso a pr0n no Reino Unido: a verificação de idade. Os portais só liberariam o acesso via cadastro que seria verificado pelo site e o governo, mediante entrada de dados como números de cartões de crédito, do Servico Social e de outros documentos que possam vir a ser exigidos.

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De quebra seria gerado um imenso banco de dados relacional, que cruzaria dados dos usuários com suas preferências sexuais que pode e será usado contra todo mundo, afinal é um prato cheio para GCHQ (a agência de inteligência britânica amiguinha da NSA). Na melhor das hipóteses tal conteúdo que vale ouro será vendido empresas de exibição de ads.

A grande curva na história é que as regras já são mandatórias para qualquer site pr0n cujas operações se encontrem no Reino Unido, mas isso não basta. Como os floquinhos súditos da rainha são preciosos o parlamento apresentou uma nova proposta, visando estender as normas a todo e qualquer site de conteúdo adulto que possa ser acessado em seu território. E como efeito colateral as restrições passariam a afetar todos os velhos do planeta que ainda gastam com pr0n em sites.

Todos os sites que lucram com seu conteúdo (os gratuitos recebem sua parte em ads, mas questiono se eles seriam de fato afetados pela lei) seriam obrigados a se sujeitar ou enfrentar ações legais onde dói mais, no bolso: segundo um porta-voz do Departamento de Cultura, Mídia e Esportes do país (DCMS) o intuito é inviabilizar o modelo de negócios dos sites, impedindo o processamento dos pagamentos junto às operadoras financeiras a fim de matá-los de fome.

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Esse método não é novo, as autoridades britânicas já o usam para exterminar sites que compartilham conteúdo pirata; vale lembrar que a Netflix também adotou um esquema semelhante para inibir os programas de VPN. O engraçado nessa história é a costumeira arrogância dos britânicos. Ela é tamanha que ao ser questionado sobre a dificuldade em ir atrás de todos os sites pr0n da internet, o porta-voz da DCMS disse o seguinte:

As regras serão aplicadas a TODO e qualquer site, não importando onde estejam hospedados.”

Essa será uma disputa divertida de se ver. Se as novas regras passarem (eu não duvido) o Reino Unido terá que convencer todas as financeiras do planeta de que ganhar dinheiro com pr0n é feio. Por outro lado sites de torrents e fóruns continuarão existindo, e quero ver se terão a capacidade (no sentido logístico) de matar todos os sites do planeta que compartilham material educativo.

Fonte: Ars Technica.

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