Artur Fischer morre aos 96 anos — você sabe quem foi ele?

Fotografia é luz. Sem luz não é possível fotografar. Você pode até não ver a luz, mas ela tem que estar presente para uma fotografia existir. No começo da história da fotografia, a fraca sensibilidade dos materiais utilizados como emulsão das superfícies era um problema. Uma fotografia demorava de 8 a 15 minutos para ser realizada dependendo das condições de iluminação. Já em 1870 eram necessários apenas 2 minutos, o que já possibilitava retratos com mais conforto. Em 1888, com o lançamento da primeira Kodak com filme de rolo, esse tempo caiu para apenas 1 segundo. Em 1925 a Leica A já entregava velocidades de obturador em 1/500.

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Porém, uma coisa sempre foi uma limitação na fotografia: retratos em ambientes internos e com pouca iluminação. Em 1860 o problema era resolvido com a combustão de barras de magnésio (primeiras experiências com fontes de luz artificial na fotografia). Em 1887 foi adicionado um elemento oxidante ao magnésio e tivemos o primeiro flash comercial na fotografia. O próprio fotógrafo fazia a mistura dos produtos e causava a combustão na hora do flash. A explosão oferecia luz, mas também muita fumaça e barulho. Em 1930 o flash evoluiu e agora os filamentos de magnésio estavam dentro de bulbos de vidro. Você usava apenas uma vez o pequeno artefato (que em alguns casos pareciam lâmpadas) e jogava fora. Não havia nenhum sincronismo com a câmera, apenas uma explosão que fornecia luz.

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Neste momento é que entra o motivo deste texto. Por volta de 1947 Artur Fischer estava se sentindo frustrado. Ele tentava fazer uma foto de sua filha recém nascida dentro de casa e não estava tendo bons resultados. Ele estava usando um flash de magnésio e o resultado não estava sendo agradável. Em suas palavras:

No momento, você só podia usar um flash com pó para fotos internas, que você deve inflamar com uma corda. Era perigoso, e a qualidade da imagem era pobre porque o assunto geralmente piscava para o flash”.

Não se sentindo vencido, Fischer decidiu inventar um sistema melhor e mais prático. Utilizando seus conhecimentos ele criou um sistema de flash que era disparado no exato momento em que o obturador da câmera estava totalmente aberto, economizando assim tempo e esforço. O sistema, o primeiro de flash sincronizado do mundo, foi patenteado e posteriormente comprado pela Agfa, que o empregou em suas câmeras. Ou seja, toda vez que você utiliza o flash para fazer uma foto (seja com seu celular ou câmera) você está utilizando uma invenção deste senhor.

Artur Fischer passou 7 décadas desenvolvendo invenções. Ao longo de sua vida registrou 1.100 patentes (mais do que Thomas Edison). Seu foco foi sempre resolver problemas do cotidiano e, mesmo que sua contribuição tenha sido importante para a fotografia, sua invenção mais famosa foi o Wall Plug, que aqui no interior chamamos de bucha de parafuso. Com certeza uma grande contribuição para a humanidade.

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Artur Fischer morreu no último dia 27 de janeiro na Alemanha aos 96 anos.

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Autor: Gilson Lorenti

Geógrafo de formação e fotógrafo de coração, comecei a fotografar com 18 anos de idade (antes disso nunca tinha pegado uma câmera na mão). Depois de muito estudo veio a carreira profissional que passou por várias modalidades da fotografia até realmente descobrir o que gosto de fazer. Hoje me dedico ao ensino de fotografia, fotografia Fine Art e Books Fotográficos (gestante, moda, sensual). Tomando emprestado as famosas palavras de Ansel Adams "Quando as fotografias não forem mais suficientes, me contentarei com o silêncio".

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