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Lemmy e videogames: tudo a ver

Por essa você não esperava: Lemmy Kilmister, líder do Motörhead que faleceu nesta semana era mais ligado à indústria dos videogames do que você imagina

4 anos atrás

lemmy-kilmister

Lemmy Kilmister, vocalista, baixista, alma do Motörhead e Deus nas horas vagas nos deixou na última segunda aos 70 anos vítima de câncer, quatro dias após seu aniversário e apenas dois após ser diagnosticado com a doença, uma forma de partir absolutamente repentina e inesperada para alguém por décadas foi a personificação do mau exemplo, do astro do rock que fazia o que dava na telha, falava o que pensava e mandava um foda-se para o mundo inteiro.

Afinal, um cara que consumia anfetaminas e Jack Daniels religiosamente no café da manhã e que colecionava memorabilia nazista era alguém que incomodava muita gente. Lemmy ligava? Não. e a gente admirava ele exatamente por isso, ele viveu a vida ao máximo e chegou à velhice, quando tudo jogava contra ele.

Agora, o que pouca gente sabe é que Lemmy também tinha um apreço especial por outra mídia que não a música, mas os videogames. E não falo só de jogá-los.

Numa primeira análise as pessoas vão se lembrar provavelmente de Brütal Legend, o RTS da Double Fine que foi uma carta de amor de Tim Schafer ao Heavy Metal, seu estilo musical favorito e aos seus ídolos (como se isso já não tivesse ficado evidente em Day of the Tentacle e Full Throttle). O game lançado em 2009 para PC, PS3 e Xbox 360 contava não só com Lemmy no papel de Kill Master (emprestando voz e aparência) como também com Rob Halford do Judas Priest, Rita Halford do Runaways e Ozzy Osbourne, além de outros como Jack Black no papel principal e Tim Curry como o vilão. No game Kill Master era líder de um grupo encarregado de curar as unidades durante os combates.

Turkishjesus — Lemmy Kilmister : awesome solo - Brutal legend

Este entretanto é o exemplo mais óbvio e lembrado. Lemmy se envolveu com videogames desde muito tempo atrás, e um dos exemplos mais antigos era o game baseado no Motörhead para o antológico Amiga, o que explica ele ser desconhecido. Lançado em 1992, Motörhead coloca o jogador no controle do baixista em um clássico beat 'em up para resgatar seus amigos de gangues de rappers, fãs de country, cantores de karaokê… enfim, tudo que não é metal. O game é bem tosquinho, e vale mais pela curiosidade.

Zeusdaz - The Unemulated Retro Game Channel — MOTORHEAD (AMIGA - FULL GAME)

Lemmy também emprestou sua voz para um traficante em Scarface: The World is Yours, e apareceu como convidado especial em Guitar Hero: Metallica, numa gig obviamente tocando Ace of Spades:

Lefto26 — Lemmy's voice in a video game (Scarface: The World Is Yours)

Darkmax77 — [300th FC] Guitar Hero Metallica - Ace Of Spades Expert Bass 100% FC

Mas talvez a mais antiga colaboração de Lemmy Kilmister aos videogames tenha sido involuntária, e é uma das mais conhecidas. Davy Brooks, ex-analista de produtos da Nintendo of America foi o incumbido entre o fim dos anos 80 e meados dos 90 da responsabilidade de adaptar os títulos japoneses para os EUA, numa época em que “localização” não era algo nem minimamente organizado como é hoje. Em 1990 tudo estava preparado para lançar Super Mario Bros. 3 na América (o filme The Wizard havia sido uma excelente propaganda) e coube a ele a árdua tarefa de bolar nomes para os Koopalings (a versão japonesa, lançada em 1988 não se preocupou em nomeá-los), os generais que servem como chefes dos sete mundos iniciais do game (e conforme Shigeru Miyamoto explicou depois, eles não são filhos do Bowser).

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Os Koopalings. Da esq. para a direita: Lemmy, Wendy O., Morton Jr., Larry, Ludvig, Iggy e Roy Koopa

Brooks conta que quando bateu o olho nos personagens a relação com música veio naturalmente para ele, principalmente ao ver o cabelo azul de um deles, que o fez de lembrar de Beethoven. Este acabou nomeado como Ludvig von Koopa. Todos os demais (com exceção de Larry Koopa, que não é referência ao baterista do U2 Larry Mullen Jr. nem ao apresentador Larry King, ele apenas “tem cara de Larry” segundo o próprio) possuem relações parecidas, tendo os nomes tirados de Wendy O. Williams, Iggy Pop, Roy Orbison e Morton Downey Jr., cada um por uma ou outra característica ou não.

BossBattleChannel — New Super Mario Bros. U Boss 1 - Lemmy Koopa

E então temos o Lemmy. segundo Brooks, os “olhos de doido” do personagem passam a ideia de uma personagem despreocupada, que não liga para o que os outros pensam dele e que faz o que bem entender da vida. E o único que encaixaria nesses quesitos era o próprio Lemmy Kilmister. O mais engraçado é que todos os nomes foram aprovados pela Nintendo, e é hilário pensar que um personagem em uma série de games para a família foi batizado em homenagem ao maior dos porra-loucas que o rock já viu.

Só que Lemmy também jogava. Tim Schafer mencionou em 2009 que durante a produção de Brütal Legend, Lemmy comentou com ele que era fã da franquia Starfox (é uma pena que ele não tenha tipo tempo de curtir Starfox Zero) e que segundo a nota de seu agente ele passou os últimos dias de sua vida jogando (ainda que seja uma máquina de azar, mas enfim). É uma pena que um dos monstros do rock tenha nos deixado, mas é interessante saber que mesmo alguém que não dá a menor pinta também curtia uns joguinhos, seja estar com o controle na mão ou envolvido direta ou indiretamente na produção deles.

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