Consoles portáteis: o fim da estrada?

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Outrora símbolos da jogatina de bolso, os consoles portáteis vêm perdendo cada vez mais espaço conforme os anos vão se passando. A evolução galopante dos smartphones e tablets, aliada à sua multifuncionalidade e preços irrisórios de seus títulos fizeram com que os dispositivos dedicados fossem devorados pelos seus rivais, e pelo andar da carruagem o futuro não parece que será muito diferente.

A geração de portáteis anterior, capitaneada pelo Nintendo DS e seguida de longe pelo Sony PSP vendeu muito bem, só que ela viu no meio de seu ciclo de vida a ascenção dos smartphones como dispositivos multitarefa que podiam fazer de tudo: desde ligações a gerenciamento e produtividade a claro, rodar games. Embora simples no início, os valores muitas vezes inferiores aos títulos dos portáteis acabaram por atrair uma grande quantidade de pessoas que só queriam jogar e se distrair, sem ter que gastar muito. Claro que não podemos nos esquecer das microtransações, hoje presentes em todas as plataformas mas no começo o valor final de um título era um fator determinante para muitos abrirem mão de seus portáteis.

Ainda assim a indústria e o público fiel resistiram. Disseram que jogos mobile não teriam nunca a precisão de um controle dedicado, que eram simples, bobos e feitos para jogadores casuais. Portanto os smartphones e tablets não representavam uma ameaça para o mercado. Ainda assim, a partir de 2009 o market share dos handhelds começou a diminuir.

Até que chegou este dia:

Epic Games & Chair Reveal “Project Sword” at Apple Special Event

Quando a Epic Games demonstrou o primeiro demo de Project Sword no evento especial da Apple em 2010, game que viria a se tornar Infinity Blade todo mundo ficou de queixo caído, inclusive Steve Jobs. O então CEO da maçã sabia que seu smartphone era poderoso, mas nunca sequer cogitou que ele seria capaz de entregar gráficos e jogabilidade tão bons como um portátil fazia com títulos mais elaborados, se aproximando até mesmo de um console de mesa. Naquele dia ele se tocou que Cupertino tinha no iPhone e no iPad dois excelentes dispositivos para games AAA e desde então a Apple tratou de posicionar ambos como grandes plataformas do mercado de games.

A indústria mobile inteira correu atrás e acabamos com um cenário onde games grandiosos rodam nos aparelhos que carregamos para todo lado. A Nintendo, que havia revelado o 3DS na E3 daquele ano e a Sony, que estava trabalhando no PS Vita não levaram a possibilidade futura de uma mudança no cenário a sério, ainda batiam na tecla que os portáteis eram imbatíveis por diversos fatores. Pagaram para ver, e o resultado é este:

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Cada vez mais consumidores gastam mais com games nas lojas mobile do que nos portáteis, principalmente com títulos que giram entre free-to-play e valores irrisórios, bem abaixo dos full-price da concorrência. O 3DS, embora esteja vendendo muito bem ainda não superou seu antecessor, e o mesmo vale para o PS Vita. A Nintendo se defende, diz que o console vendeu mais que o PS4 e o Xbox One juntos (o que é uma bela falácia, ele foi lançado dois anos e meio antes) e afirma que não irá a lugar nenhum, mas a Sony já reconheceu que o mercado hoje é bem diferente, e talvez investir em uma nova plataforma móvel não seja o melhor a fazer no momento.

Independente de jogos elaborados ou não, os estúdios se tocaram que diferente do que acontece com o 3DS e o Vita, todo mundo já anda com seus smartphones. Explorar esse público e torná-lo consumidor ávido de joguinhos se tornou essencial, e hoje temos players como Rovio, Supercell, King e GungHo enchendo as burras de grana.

O jogador hardcore, aquele que batia no peito que controles físicos eram o máximo e uma tela touch nunca traria uma precisão igual nunca se tocou, mas a indústria sim: nem o melhor kit de botões e joysticks pode competir com a maioria do mercado, com onde o dinheiro está. Esses jogadores não são mais a regra, são a exceção. E exceção não dá lucro, portanto serão abandonados em prol de manter as finanças em dia. Aceitem que dói menos, o mercado mudou.

O futuro? A Sony não está animada para lançar um novo portátil e dado o que ela fez com o Vita, é provável que ela jogue a toalha. A Nintendo, que embora pareça resistir também é uma empresa como qualquer outra, e percebeu a mudança na direção do vento: o NX, seu próximo console de mesa dá fortes indícios de que será uma plataforma híbrida, sem falar na parceria com a DeNA para levar seus títulos para smartphones e tablets. Ainda que não sejam suas franquias mais valiosas, tal movimento não seria sequer cogitado em outros tempos. Mas como a água bateu no pescoço…

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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