Como o Google inspirou a criação do Raspberry Pi Zero

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Uma lata de Altoids como case de PC. Quem poderia imaginar?

O Raspberry Pi Zero, o PCzinho de cinco dólares é um sucesso absoluto. Lançado na última quinta-feira não precisou nem de 24 horas para esgotar em todas as lojas em que era vendido. A MagPi magazine, a revista britânica da Raspberry que o encartou de graça também evaporou, a tiragem de 10 mil exemplares foi toda vendida dentro do mesmo período, mas ainda dá para comprar pelo eBay por valores variados. O mais alto que achei foi 69 libras. Libras, não euros, o que dá uns 400 reais em valores de hoje.

O mais engraçado, no entanto, é notar que o micro PC não teria existido se não fosse um conselho do ex-CEO do Google Eric Schmidt.

Em janeiro de 2013 o Google reconheceu o potencial do Raspberry Pi original como um dispositivo para democratizar o desenvolvimento de software entre programadores, educadores e entusiastas. Na ocasião a gigante investiu US$ 1 milhão para garantir a distribuição do aparato para crianças, e Schmidt estava presente no evento em questão.

O fundador da Raspberry Pi Foundation Eben Upton foi questionado pelo executivo do Google sobre os planos da empresa para o futuro, e a resposta era de que pensavam em desenvolver uma versão mais poderosa do Pi que acabaria custando mais caro, entre 50 e 60 dólares. Schmidt não só desaprovou essa ideia como deu o seguinte conselho: fazer mais pelo mesmo custo.

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Eric Schmidt deu aquele “empurrãozinho” na direção certa

“Ele disse que era muito difícil competir com computadores baratos”, disse Upton ao se referir à conversa que teve com Schmidt, que definiu como “reveladora”. O executivo do Google, hoje diretor da holding Alphabet Inc. explicou que o caminho certo primeiro seria conceber um dispositivo mais poderoso pelo mesmo custo, e só então apresentar um novo produto que fosse tão capaz quanto o original, mas com um preço menor.

Foi exatamente o que fizeram. Em 2014 foi lançado o Raspberry Pi 2, uma versão turbinada do micro-PC com CPU e GPU melhores e o dobro de RAM, pelos mesmos 35 dólares do primeiro modelo. O Pi Zero, lançado agora por um preço sete vezes menor não chega nem a ser igual ao original: embora seu processador seja o mesmo Broadcom BCM2835 ARM single-core, o clock saltou de 700 MHz para 1 GHz.

O empurrãozinho de Schmidt na Raspberry rumo à direção de dispositivos mais baratos abriu caminho para todo um ecossistema, além da linha Pi e do Arduino temos o Kit Kano, voltado para aprendizado e o CHIP, outro computador que custa menos que uma refeição com a vantagem sobre o Zero de ter Wi-Fi embutido (algo já resolvido). Agora imagine caso ele tivesse ficado na dele e deixado a fundação lançar computadores mais caros.

Fonte: The Wall Street Journal.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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