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Tim Cook: “o dinheiro será coisa do passado”

CEO da Apple acredita que as próximas gerações não saberão o que é dinheiro em espécie, graças à evolução de sistemas de pagamentos como o Apple Pay

5 anos atrás

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Tim Cook levantou uma bola interessante durante sua passagem pelo Reino Unido na última semana, para promover o iPad Pro. Durante encontro com universitários do Trinity College em Dublin, Irlanda o CEO da Apple disse, entre outras coisas que a próxima geração poderá não saber mais o que é dinheiro em espécie, graças a evolução de sistemas de pagamento como o Apple Pay e concorrentes.

Eu até concordaria, mas como sempre o buraco é mais embaixo.

Durante o encontro, Cook respondeu a perguntas dos estudantes sobre a evolução dos sistemas como o Apple Pay, o Android Play e o Samsung Pay, entre outros. No Reino Unido cerca de 50% de todas as transações financeiras são realizadas em espécie, um número alto considerando todos os métodos para não sair de casa com a carteira recheada. Cook, considerando o cenário britânico foi taxativo:

“Seus filhos não saberão o que é dinheiro.”

O grande problema de fazer tal declaração é subestimar o valor (hehe) do dinheiro. Diferente de números em uma tela ou cartões virtuais, dinheiro é prático e aceito por todos em qualquer situação. Imagine uma queda de sistema ou de energia, onde nem seu cartão de crédito vai salvar o dia (ninguém mais possui aquelas tranqueiras que tiravam cópias carbonadas deles). E essa é apenas uma possibilidade.

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Consideremos outro cenário: países em desenvolvimento. Tirando o Apple Pay que só vai rodar em smartphones superfaturados e olhando para soluções do Google, mais acessíveis em dispositivos de entrada, é possível considerar tais dispositivos como uma forma de facilitar compra e venda, mas tudo depende de um sistema rodando em todo lugar e compatível. E não falo do Brasil, onde implantar tal serviço é viável. Vejamos países da África ou do Oriente, o dinheiro digital terá apelo suficiente para suplantar o real?

Importante levar em conta também a questão da segurança. Dinheiro real não pode ser rastreado facilmente, já operações digitais são mais fáceis de serem puxadas por quem quer que seja. O cara que solicita os serviços de uma dama que troca favores por dinheiro vai querer deixar uma brecha para a mulher descobrir (não esqueçam do caso Ashley Madison)?

Enfim, embora seja mais possível de acontecer em países desenvolvidos ou em desenvolvimento com sistemas bancários decentes (como o nosso, culpa da inflação galopante de décadas atrás) eu não vejo um cenário em que o dinheiro em espécie deixe de existir de uma hora para outra, até porque na pior das hipóteses é sempre bom ter opções.

Fonte: Telegraph.

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