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Facebook preparando assistente sem gênero. E será tiro no pé.

Curiosamente o Facebook, que incluiu mais de 50 variações de gênero no seu cadastro não gosta muito de gêneros em seu assistente pessoal. M será completamente neutro. Isso trará vários problemas para as traduções e problemas maiores ainda na hora de criar vínculos com os usuários.

4 anos atrás

fiquelonge

Steven Universe, desenho que os floquinhos do Tumblr adoram odiar. Não tente entender.

Calma, a história não tem nada a ver com aquela palhaçada de gêneros inventados que os floquinhos do Tumblr adoram (não, maionese não é um gênero). O tema é real e afeta o mundo fora da internet, por mais estranho que pareça: o gênero dos agentes influencia na forma com que são percebidos.

Percepção de gênero é um fenômeno real, furacões com nomes femininos são significativamente mais mortais que os masculinos; há uma percepção que nomes femininos denotam menos risco, a tempestade chega, obrando e andando pra idéias pré-concebidas de orientação sexual e os idiotas acabam morrendo (sim, Darwin é forte nesse caso).

Em aviões são utilizadas primariamente vozes femininas nos sistemas de alerta. O racional era que homens prestam mais atenção a uma mulher falando, e que no meio do ruído a voz se destaca mais. Pesquisas posteriores revelaram que vozes mais agudas em geral são melhor percebidas por ambos os sexos. Motivo? Nossos filhotes choram em tons agudos.

A gravação nos cockpits aliás é chamada carinhosamente de Bitching Betty.

Chegamos nos nossos agentes atuais. Por default imaginamos a Siri como feminina, mas em vários lugares, inclusive o Reino Unido ela é masculina. Cortana, inicialmente feminina agora permite que seja selecionada como uma persona masculina.

O Google não conta, o sistema deles não é conversacional, o próximo a entrar nessa família é o Facebook, que está testando o M, seu assistente pessoal, com alguns poucos usuários.

maxresdefault

M, ao contrário de Siri e Cortana é “abstrato”. não tem sequer um “rosto”. O Facebook quer que M seja o mais sem-personalidade possível, o usuário não pode ter a percepção que está conversando com “alguém”, nem sequer a ponto de atribuir gênero à voz.

Isso é um enorme completo imenso absurdo tiro no pé.

Nós adoramos antropomorfizar as coisas. Nossos carros têm nome nossos navios têm nome. Espadas e canhões têm nome. Até nossos peixes dourados têm nome. Criamos vínculos e tratamos diferente o que é familiar. Todo mundo já jogou conversa fora com a Siri, já fez perguntas indiscretas e já pediu para ela fazer imitações e contar piadas. Mesmo sendo uma Inteligência Artificial tão limitada que no máximo equivale ao QI acumulado de 500 comentaristas de portal, ela é mais que uma simples máquina.

cortana

É automático, já agradeci mais de uma vez após a Siri ter marcado algum compromisso ou alarme pra mim. Se lobotomizarem essa interação, qual a graça?

Apple e Microsoft quebraram o código: as pessoas não querem falar com computadores, odeiam, mas a Siri é aquela moça meio sarcástica que mora no iPhone e a Cortana caramba é a IA do Halo!

Tirar a personalidade desses assistentes é transformá-los em uma simples ferramenta, um mero recurso técnico a mais, como tantos que ninguém usa. Quem não gosta de falar com máquinas, e isso é quase todo mundo, vai se sentir mais idiota ainda ao falar com uma que age… mecanicamente.

É claro, todos sabemos que o Facebook é um leviatã desumano desprovido de emoções, mas custava o Avatar dele enganar a gente só um pouquinho?

Fonte: Business Insider.

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