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Disney liberta a escrava Leia, e isso é uma coisa boa

O fim de uma era: Disney estaria se preparando para atomizar a imagem da Slave Leia de todas as futuras campanhas de marketing e mershandising de Star Wars

4 anos atrás

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Os fãs de Star Wars e da cultura pop em geral podem preparar suas despedidas: de acordo com fontes internas a Disney está se preparando para eliminar toda e qualquer referência ao icônico e muito provavelmente desconfortável biquíni metálico que a princesa Leia utilizou em O Retorno de Jedi, deixando de promove-lo em futuras ações de marketing e merchandising.

E antes que comecem, entendam que isso é bom.

O rolo todo foi o seguinte: em entrevista recente feita pela própria Carrie Fisher com a atriz Daisy Ridley, ela resolveu dar alguns conselhos à Rey do Episódio VII: O Despertar da Força. Lá pelas tantas Fisher diz com todas as letras para que Ridley não ceda às pressões para se deixar ser vista como um símbolo sexual apenas, como aconteceu com ela própria e que segundo suas palavras, é algo que ela nunca quis:

Lute por sua roupa. Não seja uma escrava como eu fui.”

A questão é que de acordo com J. Scott Campbell, artista que entre outras coisas já realizou inúmeros trabalhos para a Marvel disse o seguinte em sua conta no Facebook, comentando sobre a entrevista:

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A Daisy Ridley não vai precisar lutar por nada. A Disney já está se movimentando para eliminar a imagem da Slave Leia de sua linha futura de produtos. Vocês não verão mais nenhuma representação dela daqui em diante, acreditem em mim.
(…)
Eu ouvi isso de duas fontes diferentes. Na Marvel não podemos mais desenhar a Leia em poses provocantes e nem com pouca roupa. Também tivemos um modelo de estatueta da personagem, em desenvolvimento por uma grande empresa cancelado recentemente.”

Óbvio, não demorou e a internet ficou louca, com muita gente reclamando que a Disney está censurando material legado de Star Wars mas francamente, se esse pessoal (homens em sua maioria) esperavam algo diferente da casa do Mickey são muito ingênuos. Mesmo os quadrinhos da Marvel têm pego mais leve nos últimos tempos, basta olhar para a Capitã Marvel:

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Quando o Episódio VI entrou em cartaz em 1983, Leia já era uma personagem estabelecida como uma mulher forte chutadora de bundas (como tantas que vieram antes e depois) e que não levava desaforo para casa; nem do Han Solo, nem do Darth Vader, nem de ninguém. Ela peitou o lord sith no Episódio IV e só faltou mandar Grand Moff Tarkin tomar naquele lugar, ele sim o real antagonista do filme (Vader era meramente um capacho, ele só foi elevado a vilão de verdade em O Império Contra-Ataca).

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Mesmo na situação de refém no primeiro filme Leia passava longe do estereótipo de donzela em perigo, ela só tinha sido pega em uma situação desfavorável e sem ter como revidar ao Império, e tão logo saiu da cela já mostrou do que era capaz. Assim, quando George Lucas decidiu coloca-la na situação de escrava de Jabba, com trajes mínimos e acorrentada, era óbvio que a situação em si era… desnecessária. Roteiro à parte, não havia necessidade daquilo.

É uma questão de que a indústria do cinema, principalmente a do gênero de Star Wars era até então de público majoritariamente masculino, e feito por homens para homens. Embora George Lucas não tenha objetificado Leia em 1977, acabou cedendo no terceiro filme talvez por pressões do estúdio, visto que os anos 1980 foram lotados de símbolos sexuais (nem a Ripley, a chutadora-mor de bundas escapou, já que ela pagou calcinha nos dois primeiros Aliens). Assim, sobrou para a Carrie Fisher vestir o biquíni de latão, o que convenhamos não foi muito justo com ela.

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Slave Leia por J. Scott Campbell. Acho, só acho que a Disney tem certa razão no que fez…

O resultado: a Slave Leia virou um ícone, tão ou mais identificável quanto seu penteado de headphones de Uma Nova Esperança, um fetiche recorrente entre os nerds e a personagem acaba muitas vezes mais lembrada pelo traje do que por tudo que ela fez na trilogia. A LucasFilm utilizou o traje por anos em peças de marketing e merchandising e só agora, mais de 30 anos depois a Disney está tomando uma ação para fazer justiça à personagem, que sempre foi um exemplo de força para o público feminino e não precisa de um traje sexualizado em seu guarda-roupa apenas para atender os homens.

Não vou ser hipócrita, eu curtia o lance da Slave Leia mas sinceramente, é uma mudança para a melhor. Vê-la presa e subjugada no contexto de hoje não é legal, ainda que ela tenha enforcado o Jabba com a corrente em um dos momentos mais legais do Episódio VI. Assim é bom ver que o traje vai sumir e que a princesa Leia será futuramente lembrada por todas as coisas fodas que ela fez. E aos que acharem ruim:

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