Cientistas usarão raios cósmicos para desvendar segredo das Pirâmides

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Como você faria se tivesse que produzir imagens do centro de um vulcão? Normalmente isso se resolveria mandando um estagiário com uma GoPro, mas nenhuma direção de departamento de pesquisa permitira que um recurso desse fosse inevitavelmente destruído pelo calor infernal. GoPros são caras e não facilmente substituídas.

A solução seria fazer uma imagem tipo raio X, mas seria preciso uma explosão nuclear para gerar raios X suficientes para iluminar um vulcão, e os moradores das proximidades dificilmente aceitariam algo assim. O jeito foi utilizar radiação natural, e aí entram os múons.

Eles são basicamente elétrons gordos, um múon tem pouco mais de 200× a massa de um elétron, é uma partícula de alta energia e meia-vida de 2,2 µs; mais ou menos a mesma de um peixinho de feira. Eles são considerados raios cósmicos secundários, criados quando partículas muito, muito energéticas atingem outras partículas na alta atmosfera. Múons (entre outras) são criados e alguns chegam até o chão, e além. Para evitar contaminação de outras partículas detectores de múons são instalados em minas abandonadas, às vezes a 700 m de profundidade.

Essa chuva constante de múons pode ser usada para observar coisas ocultas como interior de vulcões e, no caso do Japão, o núcleo dos reatores nucleares em Fukushima. Detectores foram colocados em pontos estratégicos e uma imagem do reator foi montada, usando a lógica de que ar absorve menos múons do que aço e urânio. O resultado foi um conjunto de sombras e densidades:

Foram precisos 26 dias para capturar múons o suficiente para formar uma imagem:

muon1

A seguir usaram os dados para gerar uma imagem detalhada, isso é possível pois sabemos a configuração original do que está sendo observado.

muon2

Essa tecnologia agora vai ser usada, junto com outras, para investigar a Grande Pirâmide.

Para desespero do Giorgio, não tem nada a ver com aliens. O projeto, uma colaboração de cientistas do Egito, Canadá, França e Japão investigará quatro grandes pirâmides e a tumba de Tutankamon, e fora drones, infravermelho e outros sensores, a principal ferramenta é a tomografia de múons.

Não que seja uma idéia nova: em 1965 Luiz Alvarez, o cientista que propôs que a extinção dos dinossauros foi causada por um asteróide, teve a idéia de investigar a Grande Pirâmide usando múons. Ele não achou nenhuma câmara secreta, mas além dos detectores da época serem bem menos eficientes que os de hoje, ele só investigou 19% da pirâmide.

A proposta agora é fazer uma pesquisa completa, que ajudará a descobrir se ainda há alguma câmara a ser descoberta, e também trará uma nova luz sobre a estrutura interna das pirâmides, algo sobre o que ainda se sabe muito pouco.

Isso, claro, se o Dr Hawass deixar eles entrarem na pirãmide.

Fonte: Motherboard.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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