A Conspiração da Canola estava correta! (a outra)

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Não que a internet careça de conspirações retardadas mas mesmo dentre elas algumas são especialmente dementes. Como a da Canola. Um grupo de idiotas começou a espalhar uma bobagem com o ridículo título “a planta que deus não criou” e transformou a Canola em uma espécie de Audrey, ou naquelas vagens do Invasores de Corpos.

Os retardados dizem que a Canola não existe, é criada por engenharia genética, o óleo era usado originalmente para fins industriais e é parente da mostarda, usada para fazer o terrível gás mostarda usado em guerra química. 

Resumindo: a Canola existe, ela é uma variedade da Brassica rapa, parente da mostarda (mas não se falam). Ela foi criada através de cultivo seletivo, igual a todas as plantas que consumimos hoje, nenhuma planta doméstica se assemelha ao antepassado nativo. Essas variedades são obtidas com cruzamento seletivo, em 1970 não havia engenharia genética para “criar” plantas.

O óleo é usado em atividade industrial? Sim, como um zilhão de outros compostos orgânicos, azeite de oliva é usado para fazer sabão e pesticida. Quanto ao gás mostarda, tem esse nome por causa da cor e do cheiro, que lembra mostarda, do mesmo jeito que cianureto de potássio tem odor de amêndoas, uma mera coincidência química.

Quanto ao nome, a planta tem vários, Canola é uma sigla, Canadian Oil Low Acid que virou sinônimo da planta. Como Chester, que é vendido como “algo” mas no fundo é um frangão. O nome mais conhecido da planta da Canola é rape, com o óleo sendo chamado de rapeseed oil. Convenhamos, “Óleo de Estupro” é o nome do pior lubrificante íntimo possível, e por marketing preferiram se distanciar dessa conotação.

Já a outra Conspiração da Canola é bem diferente. Tem a ver com este óleo aqui:

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O FireClean é agressivamente anunciado como um excelente óleo para limpeza e lubrificação de armas de fogo, isso é essencial se você vai armazenar (sem trocadilho) sua arma por vários meses. Os atiradores acreditam no produto, e pagam o preço mais caro, mas algo não cheirava bem.

Um sujeito postou um vídeo demonstrando que FireClean pegava fogo de forma idêntica a óleo de cozinha, fez várias alegações, suspeitas surgiram e desencavaram uma patente do criador do FireClean sobre… uso de óleos vegetais na lubrificação de armas.

Um blogueiro resolveu investigar, e com a ajuda de um professor em uma universidade, examinou três amostras: óleo de canola, óleo vegetal (de soja) e o tal FireClean. Eis o resultado da espectroscopia:

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A FireClean respondeu que não é nada disso, que o produto deles é excelente, alta tecnologia, etc.

A análise diz outra coisa, indica que FireClean é essencialmente canola. Funciona? Com certeza, os consumidores não têm nada a reclamar, mas se novos estudos concluírem que o tal produto é realmente canola, o mercado de armas terá chegado ao mesmo nível dos audiófilos e seus cabos caríssimos e inúteis.

Fonte: The Firearm Blog.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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