Das Book — a Alemanha não entende como a internet funciona

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A gente brinca mas a Alemanha é um país admirável. Fora um ou dois deslizes menores tem sido um exemplo, diametralmente oposto da nossa bagunça aqui na Banânia. Alemães adoram procedimentos, são extremamente sérios e se você combina algo em um horário, é bom que esteja pronto.

A eficiência germânica está presente nos carros, nos foguetes, na infraestrutura, mas de vez em quando eles exageram nas regras, e aí é a chance de quem está de fora rir um pouco.

Foi o caso do Jugendmedienschutz-Staatsvertrag, uma legislação aprovada em 2002 por parlamentares tão velhos que quando questionados com a sempre constrangedora pergunta “Onde você estava entre 1936 e 1945”, responderiam “aposentado”.

A tal Lei de Proteção da Juventude é mais uma daquelas bobagens que quer tapar Sol com peneira, limitando venda de material questionável (num país conhecido por ScheiBe Pr0n) para jovens e adolescentes, entre outras medidas.

Um dos artigos limita a venda de material adulto, só pode ser exibido e vendido entre 22 e 06 h.

Percebeu onde isso vai chegar, né?

Uma ONG de proteção dos pobres e inocentes floquinhos arianos não gostou de uma tal de internet estar furando a legislação, e escolheram um livro em especial para exemplar. O livro, um romance erótico autobiográfico transgênero com o apropriadíssimo título (segundo o tradutor do Google)ânsias de mangueira — carta de amor a uma masculinidade perdida”.

A ONG entrou na Justiça e para surpresa de todos os envolvidos a Lei de 2002 era tão tosca que não fazia distinção. O tal horário de 22 às 6 h foi originalmente escolhido para se aplicar a cinemas pornô, mas legalmente e-books caem na mesma categoria.

Agora a batata-quente envolve multas de 500 mil euros, governos e legisladores que são geneticamente programados para não entender o conceito brazuca de “Lei que não pega” e sites que terão que fazer gambiarras em suas lojas online, para exibir conteúdo de acordo com a hora local.

Do outro lado 105% dos adolescentes alemães, que estão carecas (não nas palmas da mão) de saber que a internet está LOTADA de material educativo, e que definitivamente não consome e-books eróticos.

Pior, como não há uma lista de Schindler de quais livros são danosos à juventude, os sites terão que incluir um a um, de acordo com denúncias.

Agora a cereja do strüdel: a tal Lei não se aplica somente a e-books, mas a todo tipo de site com conteúdo questionável. Ou seja: se quiserem fazer valer a Lei, a Alemanha terá que regular toda a internet.

Olhe pelo lado bom, essa será a 3ª Derrota Avassaladora em 150 anos, eles poderão pedir música no Fantástico.

Fonte: The Digital Reader.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e para seu blog pessoal, o Contraditorium,

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