Review: Prince Of Persia

No final da década de 80, muita coisa estava acontecendo. Os mullets e os Menudos entravam em decadência, os vermelhos desocupavam o Afeganistão, o superpetroleiro (isso ainda é junto?) Exxon Valdez vomitava 240.000 barris de óleo cru no Alaska… E Prince Of Persia é lançado para o Apple II.

Quase 20 anos depois, o segundo reboot do herói anônimo mais conhecido do mundo entra em cena. Com a promessa de vasta exploração, um “novo aliado mortal”  e a controversa “incapacidade de morrer”, Prince Of Persia merece um review, qualquer que seja o ano.

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Inicialmente, é bom repetir: este é mais um reboot na série, então desconsidere qualquer acontecimento narrado nas versões anteriores. Dessa forma, eu não irei citá-las aqui, nem como base de comparação.

BD no drive, aviso de não desligar durante salvamento, começa o jogo. Logo de cara, temos uma surpresa: o príncipe não é mudo.

Quem aguardou o lançamento e acompanhou os trailers, deve ter imaginado (como eu) a figura do príncipe como uma pessoa séria, cheia de conflitos internos, porém austera e sábia. Qual não foi a surpresa ao ver como eu estava errado. O príncipe é piadista, irônico e até meio tapado às vezes. Em suma, é uma figura cômica.

Eu digo isso com a melhor das intenções, já que, IMHO, a forma como a Ubisoft o retratou nos trailers pode causar certa frustração aos menos preparados.

Os gráficos são cell shaded, Prince Of Persia é todo contado na forma de uma grande pintura ou desenho animado. Não faltam detalhes, porém, e a beleza gráfica é impressionante, assim como o design das estruturas.

A jogabilidade, por outro lado, é bem o que se espera de um Prince Of Persia, pelo menos a versão de 1989 (okay, eu menti, eu vou comparar). O POP2008 pode ser visto como o POP1989 “on steroids”. BASTANTE esteróides. No lado-a-lado:

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Os cenários em si não têm grandes dimensões, sendo relativamente rápido correr de um lado a outro do reino. Isso facilita a memorização dos caminhos (e são muitos, e complexos), mas também é um óbvio ponto negativo.

Também é desolador, antes durante e depois da corrupção (O grande inimigo do jogo. Prince Of Persia para presidente!). Não há pessoas, movimento, vida. Se na versão de 89 do jogo isso era explicado por estar em um calabouço, na 2008 fica estranho ver um reino inteiro deserto. Existe um motivo na linha da estória, mas ainda assim parece forçado 100% da população com exceção de duas pessoas abandonarem o reino. Afinal, quem corta a grama??

tango_pop_01.09_03Uma das pessoas que ficaram é Elika, a única boa alma que você encontra no decorrer da estória. E ela deve se sentir igual a você, já que ambos não se descolam depois do primeiro encontro. Nem adianta falar muito disso, já que a fórmula é clichê: homem forte + mulher gostosa + discussões incessantes + momentos de tensão = casal de mocinhos apaixonados.

Do ponto de vista do jogador, Elika é um item de inventário. Está sempre lá, existem coisas que você não pode fazer sem ela e tem um botão para atacar com a espada e outro para atacar com Elika. Para não maltratar muito a garotinha, é bom dizer que os seus diálogos com o príncipe são uma parte interessante e divertida, apesar de curtos.

Já o príncipe é um mestre das acrobacias, deixando qualquer atleta olímpico no chinelo. Ele pode escalar, deslizar, correr pelas paredes e basicamente mesmo com tetos, além de deslizar em rampas no melhor estilo snowboard sem o board. A movimentação é rica em detalhes e é bastante simples do ponto de vista do jogador correr 150 metros pulando de uma parede para outra: para quem assiste parece impossível, para quem joga foi um aperto de botão aqui, outro ali.

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O ponto divergente fica pelas mortes. Sim, é verdade o que você ouviu, é IMPOSSÍVEL morrer em Prince Of Persia. Elika sempre irá salvá-lo, trazê-lo para a última plataforma estável antes de cair num abismo, ou afastar os monstros antes que os mesmos façam uma traqueostomia extrema no príncipe.

Interessante? Muito. Novidade? Talvez. Bem utilizado? Longe disso.

Prince Of Persia é um jogo fácil. MUITO FÁCIL. A inexistência do game over, elevada à incapacidade de morrer torna o avanço algo inevitável. É como deixar o rio levá-lo. Eu tenho uma mania engraçada, que é me jogar de um abismo sempre que vejo uma paisagem bonita (não pergunte). Em Prince Of Persia esse hábito é levado ao extremo, justamente por causa da falta de consequências ao fazê-lo.

Essa falta de punição pode acabar sendo desmotivador, especialmente para gamers hardcore.

O que nos leva à inevitável conclusão: analisando friamente, Prince Of Persia 2008 é o POP1989, com gráficos turbinados e a jogabilidade adaptada para agradar os jogadores casuais.

Em suma, Prince of Persia 2008 é um jogo casual extenso. Se isso é bom ou ruim, depende de quem for jogá-lo. Mas àqueles hardcore que só conhecem o jogo dos trailers e imagens publicadas cabe um aviso: Prince Of Persia pode não ser o que você imagina.

Autor: Gustavo Vasconcelos

"Remember, remember, the 5th of November."

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