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A-10, o avião tão cascudo que vai voar numa nuvem de antimatéria

Cientistas querem estudar descargas de antimatéria. Problema: elas ocorrem nas piores e mais cascudas nuvens de tempestade. Solução? Querem transformar o A-10, um dos aviões mais cascudos já construídos, em um detector voador de antimatéria e mandá-lo pro último lugar do mundo em que um piloto gostaria de estar. No fiofó da trovoada.

5 anos atrás

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O Fairchild Republic A-10 Thunderbolt II é um dos aviões mais odiados do mundo. É odiado pelos terroristas, constantemente polpificados por seu canhão GAU-8 Avenger de 30 mm / 4.200 tiros por minuto.

Ele é odiado pelos estetas, que o consideram um dos aviões mais feios.

É odiado pela Força Aérea, que foi obrigada a engolir um avião cuja única função hoje é servir de babá pro Exército, tanto que ele já foi aposentado e voltou ao serviço mais vezes que a Dercy Gonçalves.

Ele é odiado até pelos mecânicos, obrigados a consertar danos que em qualquer outro avião seriam caso de perda total, e por perda total entenda-se uma grande mancha preta e vermelha na paisagem. Tipo isso:

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Ou isso:

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Essa capacidade de aguentar pancada num nível Daniel LaRusso é muito atraente para os pilotos, e agora para o Marshall Space Flight Center, da NASA: foi descoberto que tempestades de raios muito fortes produzem todo tipo de energia exótica, como raios X, raios gama e até antimatéria.

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Isso estraga o dia de um vivente. Talvez até o fim de semana inteiro.

Em um experimento onde um Gulfstream violou a regra número 1 da aviação: não há motivo para, em tempo de paz, voar em uma tempestade foram detectados vários picos de raios-Y, um nome bonito pra radiação gama, e pela energia — 511 keV — vieram de aniquilação de pósitrons.

Só que não conseguiram, mesmo depois de 5 anos chegar a um modelo teórico, os pósitrons produzidos pela tempestade deveriam se comportar de outra forma. Há hipóteses de raios cósmicos interferindo, e até afetando a formação de nuvens, mas como os dados se resumem a um vôo aterrorizante e três picos de energia de 1/50 de segundo, é muito pouco.

Eles estão fazendo experimentos com balões, mas o próximo passo é armar um A-10 com um detector de partículas, achar um piloto maluco o suficiente (essa é a parte fácil) e mandá-lo pro meio da maior tempestade que conseguirem arrumar.

O venerável U2 (o avião, não a banda) hoje é usado pela NASA para pesquisas. O SR-71 por muito tempo mesmo depois de aposentado como espião, trabalhou como cientista. É um belo destino para esses pássaros, bem melhor do que enferrujar no deserto. Que venham os A-10 de pesquisa.

Fonte: Nature via dica do Kennedy no Tuinto.

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