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AMD: “chega de preços baixos, vamos nos focar no desempenho agora”

AMD anuncia que vai se focar em processadores centrais de alto desempenho em vez de concorrer apenas pelo segmento de entrada. Podemos ter fé? Confira os argumentos dela apresentados em evento anteontem (06/05).

4 anos e meio atrás

A Advanced Micro Devices tem enfrentado muitas dificuldades financeiras. Embora fornecer a tecnologia para os principais processadores dos consoles de oitava geração tenha dado novo fôlego, a companhia de Sunnyvale vem reestruturando de forma drástica seus negócios.

No ramo dos processadores centrais (CPU), como enfrentar de um lado a rica Integrated Electronics (Intel) e do outro a onipresente Advanced RISC Machines (ARM)?

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Anteontem (06/05), em reunião com investidores, a AMD deu um basta: não vai mais competir pelo menor preço, isso em todos o mercados onde atua.

Ela pretende em dois anos retornar ao mercado de servidores de alto desempenho com a arquitetura x86. E também vai fornecer soluções de alta eficiência energética com a arquitetura ARM.

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Planos da AMD para os próximos dois anos (crédito: Tom's IT Pro)

Vamos reduzir nossa exposição no mercado de entrada (low-end). Quando olhamos para o histórico de negócios da AMD, éramos muito, mas muito concentrados nos consumidores de PCs baratos, que era realmente nossa especialidade. Contudo, quando olhamos o mercado atual há muita volatilidade, especialmente no cruzamento entre tablets e PCs baratos, com pouca diferenciação entre produtos.
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Nós somos claramente uma empresa x86. Temos um enorme legado x86 e a oportunidade de liderar tal mercado. Vamos com todas as forças nos concentrar em processadores x86 de alto desempenho.” — Lisa Su, CEO da AMD

Embora a AMD seja tradicionalmente uma empresa x86, ela mantém licença da arquitetura ARM desde a década passada mesmo tendo vendido a Imageon para a Qualcomm (Adreno é anagrama para Radeon). Traduzindo: assim como a Apple e a Samsung, a verdinha da Sunnyvale pode fazer seu próprio processador ARMv8-A (64 bits) customizado.

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Aliás, desde a arquitetura Piledriver (APUs Trinity e Richland) a AMD inclui um núcleo ARM Cortex A5, chamando tal inclusão de TrustZone. Na arquitetura Jaguar (APUs Kabini e Temash), utilizada pelos consoles PS4 e Xbox One, o núcleo Cortex A5 serve como proteção anti-pirataria em nível de hardware.

Voltando ao assunto, a AMD planeja lançar ainda este ano seus processadores centrais Opteron “Seattle” para servidores de alta eficiência energética, usando arquitetura ARM. O codinome da arquitetura é “K12” e eles utilizam as instruções ARMv8 em CPUs bem customizadas, prometendo melhor desempenho que o Cortex A57.

Para os servidores x86 de alto desempenho, a AMD anunciou o núcleo “Zen”, que estará na próxima geração de processadores centrais AMD FX. Tais sistemas usarão HSA — sistema com arquitetura heterogênea (CPU x86 + GPGPU ou ARM) e HBM — High Bandwidth Memory (próxima geração de memória RAM, basicamente módulos GDDR5 empilhados) para prover vários teraflop/s de poder computacional.

Tanto o K12 quanto o Zen serão lançados próximo ano, usando FinFET (litografia de 14 nm?) e serão inter-compatíveis pino-a-pino. Uma mesma placa-mãe AM4 pode usar ou um ou outro, então poderíamos ver servidores utilizando ambos os processadores centrais em conjunto.

E eu que não tenho servidor, como fico?

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Este ano, ficaremos com os escavadores (crédito: Extreme Tech)

Bom, este ano a AMD vai lançar as APUs e processadores centrais baseados na arquitetura Excavator, sendo esta portanto a última revisão da família Bulldozer. É um belo motivo para comemorações!

O tio Laguna considera que o Bulldozer foi o que afundou a AMD no quesito desempenho. Para o chip ficar barato e menor, entre outras medidas questionáveis de design, em cada cluster dois núcleos dividiam uma única FPU e isso matava o desempenho em tarefas single-core multi-core quando comparadas com o equivalente Intel.

O que salvava o desempenho das APUs Bulldozer em jogos eram as GPUs Radeon, sempre competentes. As APUs com base na arquitetura Excavator têm o codinome “Carrizo” e serão lançadas este ano, tanto para desktops quanto para laptops.

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Carrizo, o último canto do cisne chamado Bulldozer (crédito: Tom's Hardware)

Cinco APUs mobile Carizzo já estão disponíveis em laptops fabricados na China e logo virão para o ocidente, juntamente com as versões desktop. Suas GPUs são compatíveis com o DirectX 12. O que veio para o ocidente foram os descontos nos preços das APUs desktop Kaveri, da arquitetura anterior (Steamroller). Próximo ano talvez tenhamos notícia da arquitetura Zen para desktops e laptops comuns.

Processadores gráficos Radeon Rx 300

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Processadores gráficos dedicados DirectX 12 da AMD (crédito: Tom's Hardware)

Ainda este ano, teremos o lançamento da série 300 dos processadores gráficos Radeon. A AMD não deu maiores informações oficiais sobre essas GPUs DirectX 12 para desktops, mas podemos supor que o lançamento ainda será neste trimestre. Ou não.

No primeiro trimestre de 2015, a nVidia deteve 76 por cento do mercado de processadores gráficos dedicados, deixando a AMD com os 24 por cento restantes. Ou seja: melhor a AMD correr atrás mesmo.

Enquanto a nVidia só vai lançar GPUs dedicadas (arquitetura Pascal) com suporte total ao HBM — High Bandwidth Memory (próxima geração de memória RAM, basicamente módulos GDDR5 empilhados) próximo ano, a AMD vai querer fazer isso com ao menos parte da família 300 (codinome Fiji). Provavelmente só veremos a Radeon R9 (topo de linha) com tal tipo de memória, enquanto a Radeon R7 e a Radeon R5 provavelmente terão de esperar a chegada da família 400 e só usarão GDDR5 normal mesmo.

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Processadores gráficos com tecnologia HBM (crédito: Extreme Tech)

A maior vantagem dos módulos HBM é ter o desempenho do GDDR5 com uma latência e consumo de energia bem menores, fora a economia de espaço na placa de vídeo. Esta última vantagem torna o HBM perfeito para laptops.

A AMD anunciou também a família M300 de GPUs dedicadas Radeon para notebooks, mas são basicamente a família M200 operando a clocks maiores e portanto ainda utilizam a arquitetura GCN 1.0.

Conclusão

O tio Laguna torce para que a AMD consiga voltar a ser competitiva nas GPUs. Quanto às CPUs, enfrentar a Intel nos desktops é complicado, afinal precisa de muito investimento em pesquisa e desenvolvimento.

Particularmente estou satisfeito com o AMD E1-2100 (Kabini, arquitetura Jaguar) de meu Pobrebook 3, mas ele já mostra sinais de cansaço. Espero poder trocar meu netbook por um com uma APU derivada da arquitetura Zen.

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