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Radio Gaga — o triste fim do FM nos smartphones

Vamos brincar de matar o rádio? Dessa vez a Culpa é da Apple e outros fabricantes. Uma matéria da NPR denuncia que em vários aparelhos o receptor de FM está presente mas não habilitado. Quer saber? Não importa. É um recurso que ninguém usa, o Rádio não está morrendo, o rádio que toca música jabazenta com locutor falando no meio, esse sim, mas aí a culpa não é da Apple, é da internet…

5 anos atrás

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Não se preocupe, não vou cometer o erro de matar o rádio. Da última vez que fiz isso fui alvo de uma barragem de artilharia, pesquisei e percebi que estava completamente errado. O Rádio está vivo e bem: o Pânico, por exemplo, tem média de 20 milhões de ouvintes. O que acontece é um efeito desproporcional causado pela migração do pessoal “cool” pros serviços de streaming.

Imagine que você é um ricaço de Hollywood, todos os seus amigos têm Teslas. Você imagina que aquilo é o futuro, é o presente e qualquer um que não queira um carro elétrico está preso ao passado.

Com a internet foi a mesma coisa. O rádio, a mídia eletrônica mais conservadora que há lutou até o fim para se manter relevante. Funcionou, ao menos até o surgimento do streaming.

Esse lobby foi forte o suficiente para convencer fabricantes de celular que era melhor não disponibilizarem sintonizadores em seus aparelhos. O hardware está lá, faz parte da miríade de componentes dos SoCs que substituíram os processadores. Algum nerd achou que seria legal enfiar um receptor de FM no chip, alguém concordou mas isso bateu de frente com a estratégia dos fabricantes, e nomes como Apple, Samsung e LG bloqueiam acesso ao recurso.

Temos uma mídia em potencial inteira bloqueada de dispositivos móveis, ninguém se importa e — quer saber? — estão certos.


Queen - Radio Ga Ga (Official Video)

Sei que dói mas não existe demanda pra rádio FM em celulares. Em qualquer ônibus no final do dia você vê gente futucando Facebook. As pessoas querem interação, querem conversar com outras, não querem um locutor.

As pessoas gostam de música? Com certeza, por isso celulares populares vêm com slots pra cartão de memória, são lotados de MP3. A Apple provavelmente nem se dá ao trabalho de incluir fisicamente o receptor de FM no processador do iPhone. Mesmo os fabricantes que incluem não dão a menor bola. O software fornecido é precário, veja o app de FM do Windows Phone, compare com o Spotify:

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O rádio ainda tem um público imenso, em muitos lugares é a única mídia disponível, mas se ele ainda persiste no mundo mobile, é culpa das operadoras e seus planos de dados baseados em pura ganância. No momento em que streaming for economicamente viável, o rádio perde a razão de existir. Ou não?

Nesse momento nada mudará, pois as emissoras inteligentes migrarão para a internet, com conteúdo sob demanda. Não é uma morte, é uma digivolução. Ao contrário da TV os custos do rádio tornam viável uma existência online, talvez sirva até como um sacode pros podcasts que insistem em repetir o modelo das rádios AM.

Em 1979 os Buggles cantavam que Video Killed the Radio Star, em 1981 a MTV estreou com essa mesma música, foi o primeiro videoclipe que passaram. Foram anos incríveis, os jovens corriam pra casa para assistir aos programas com novos clipes, comentávamos animados no dia seguinte os incríveis efeitos de Money For Nothing, e eu era apaixonado pela Cuca. Hoje todos os clipes estão no YouTube, os próprios artistas avisam do lançamento.

A internet matou a estrela do Vídeo, mas o Rádio continua. Não o FM musical, repleto de pregadores e gritadores, mas o AM, que migra pro FM mas mantém seu estilo. O Pânico, na Jovem Pan é um programa diário com no mínimo 17 milhões de ouvintes fiéis. É um programa de AM onde as músicas só enchem linguiça.

As pessoas escutam o que as pessoas querem escutar. Não é a existência do hardware de FM que vai mudar isso. O que as emissoras precisam entender é que as pessoas querem escutar o que querem escutar quando querem escutar. Parafraseando uma expressão clássica…

“É a Netflix, estúpido”

É assim que o povo quer ver filmes. E escutar música. Não tocando de hora em hora pois um funk sertanejo universitário qualquer atulhou a rádio de Jabá e toca a cada 5 minutos.

Quem vai matar o FM não é a Apple, nem a Samsung, é a própria rádio e seu modelo de negócios obsoleto.

Fonte: All Tech Considered.

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