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Finja surpresa: operadoras de telefonia e bancos lideram queixas no PROCON

O PROCON recebeu 2,5 milhões de queixas em 2014. As empresas campeãs de reclamações, pasmem, foram as operadoras de telefonia. Por que será?

5 anos atrás

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Acessar a internet no smartphone é um luxo no Brasil

Não gosto de falar ao telefone. Um dos motivos para isso é que quando pequeno, sempre era eu quem atendia o maldito aparelho e quase nunca a ligação era para mim.

Alguns anos depois da privatização, ao ter o primeiro celular, um Siemens C72 em 2006, o valor do minuto ainda era muito caro e graças a isso adquiri aversão a usar telefone celular para falar. Seis anos depois, com o primeiro smartphone, se houve algo que o tio Laguna gostou na privatização da telefonia do Brasil foi o conceito de portabilidade: manter o número de telefone e trocar a operadora por uma menos pior tem sido desde então minha rotina semestral.

Só que a maioria das pessoas, ao contratar os serviços de telefonia, parece não ter consciência de que estão levando para casa uma fonte de problemas. Problemas esses originados de promessas que as empresas deixam de cumprir pelos motivos óbvios. Parte da solução é reclamar mesmo, mas não no Twitter e sim no órgão competente.

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Internet no celular? Esqueça, traga seu roteador Wi-Fi e procure uma conexão Ethernet disponível (crédito: O Globo)

Em 2014, a grande dor de cabeça dos brasileiros foram os serviços de telefonia e televisão por assinatura (resumindo, telecom), e também os bancos e lojas online. Ano passado, as filiais do PROCON registraram um total de 2,5 milhões de queixas.

No ranking das empresas com mais reclamações no órgão de defesa do consumidor, temos:

    1. Oi fixo/celular (196.377)
    2. Vivo/Telefônica/GVT (111.778)
    3. Claro/Embratel (110.339)
    4. Itaú (81.537)
    5. Bradesco (73.552)
    6. Sky (67.343)
    7. TIM/Intelig (52.374)
    8. Casas Bahia/Ponto Frio/Nova PontoCom (50.585)
    9. Caixa Econômica (36.298)
    10. Net (34.876)

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    Tudo bem que ambos os setores, o de telefonia e o bancário, são bastante utilizados pelo povo e a tendência é terem o maior número de reclamações com o contínuo crescimento da demanda.

    O problema é que não há sinal de melhora, em especial no setor de telecomunicações, que possui pouca concorrência e a quase inexistência de alguma agência que regulamente as concessões de forma a privilegiar os consumidores (Anatel quem?).

    O Estado tem ferramentas e mecanismos para defender os direitos do cidadão. E tem de fazê-lo com a regulação — ressalta. — Sair de casa para fazer queixa em um órgão público exige tempo e disposição. Não é um passeio. Se a pessoa vai se manifestar, é porque a coisa é grave. Todo esse volume de reclamações indica que alguma coisa não deu certo.
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    Ricardo Morishita, diretor de Projetos e Pesquisas do Instituto Brasiliense de Direito Público em entrevista a'O Globo.

    Na reportagem, as 10 companhias citadas no ranking disseram que vão melhorar os serviços, que o número de reclamações diminuiu, esse tipo de coisa que qualquer um lê nos comunicados de imprensa (press release) das empresas.

    Quero ser otimista, mas está difícil.

    Um exemplo: ao pesquisar o serviço de internet móvel das quatro maiores operadoras de telefonia, me deparo com uma bela bagunça de opções. Como quero mais dados que voz tenho que sair pesquisando mesmo: as operadoras lucram justamente empurrando pacotes de voz goela abaixo. Fora a venda casada de chips nano-SIM atrelada somente aos planos pós-pagos. Só vergonha.

    A título de curiosidade, citarei alguns dos preços:

    Planos Pré

    De longe a operadora menos pior é a TIM com o Web100, cuja bela franquia máxima de 100 MB/dia a R$ 1,99 ainda não tem concorrente direto. Simples assim.

    Para efeito de imparcialidade, o mais próximo do Web100 é contratar o chip como modem pré-pago na Claro (somente dados, perfeito apenas para tablets): são razoáveis 80 MB/dia a R$ 1,99 (não inclui voz). Na mesma modalidade, a Vivo cobra R$ 2,99 por uma franquia de 150 MB válida por dois dias em tablets pré-pagos. As outras operadoras que não a TIM oferecem pacotes ridículos quando incluímos voz:

    2º lugar — Claro: 20 MB/dia a R$ 0,99.
    3º lugar — Vivo: 15 MB/dia a R$ 0,99.
    4º lugar — Oi: 10 MB/dia a R$ 0,99.

    Planos Controle

    Aqui a área mais confusa, onde aparentemente a menos pior é a Vivo, ao oferecer um pacote SmartVivo Controle de 500 MB/mês a R$ 41,90. Outras operadoras oferecem o seguinte (voz + dados):

    2º lugar — Oi: 500 MB/mês a R$ 49,00.
    3º lugar — Claro: 450 MB/mês a R$ 51,90 (R$ 20,00 são apenas pelos dados).
    4º lugar — TIM: 300 MB/mês a R$ 21,90 (controle WhatsApp).

    Planos Pós

    Pegando apenas os planos mais básicos num nível próximo de mensalidade, temos como menos pior a Oi (!) ao oferecer 500 MB/mês a R$ 69,00 no pós-pago. As outras operadoras oferecem o seguinte (voz + dados):

    2º lugar — Vivo: 500 MB/mês a R$ 74,99 (SmartVivo Pós).
    3º lugar — Claro: 300 MB/mês a R$ 69,00 (pós-pago).
    4º lugar — TIM: 300 MB/mês a R$ 88,70 (pós-pago Liberty 50).

    Lembrando que todas as franquias citadas usam o 4G brasileiro, ou seja, estariam sendo prometidas a 5 Mb/s (velocidade do cartel). No caso do 3G, as operadoras brasileiras prometem também ridículos 1 Mb/s.

    Concluindo

    Pré-pago, controle, pós-pago: é complicado saber qual o menos pior pois depende muito das necessidades, da qualidade do sinal e do mercado em cada região. Todos os preços citados são os tabelados aqui no Ceará. Consulte cada operadora em seu estado, talvez a situação seja menos ruim.

    Com relação às necessidades, o tio Laguna usa mais o smartphone nos dias úteis e sou hard-user, chegando a 150 MB/dia ou pouco mais. Embora fale pouco ao telefone, preciso estar disponível.

    No meu iPhone 4S, em dia útil nos lugares que mais freqüento com sinal menos fraco uso o TIM pré-pago e deixo o Vivo Controle para os fins de semana. Não pretendo migrar (via portabilidade) do SmartVivo Controle para alguma outro plano desta ou de outra operadora, mas penso em colocar a internet pré-paga da Claro no meu iPad mini 3 e espero não me arrepender muito quando os 80 MB diários acabarem. Sonho com o dia que poderei associar o adjetivo “melhor” à alguma operadora de telefonia móvel brasileira, mas não tenho muita esperança.

    Como está sua situação móvel? Ruim ou menos ruim que antes?

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